Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.
Como diz o ditado, por vezes, a realidade é mais estranha do que a ficção – e o facto de dois jogadores de posições semelhantes e integrantes simultâneos do plantel do mesmo clube, serem também exactamente da mesma idade pode definitivamente considerar-se um exemplo deste axioma; e no entanto, era precisamente isso que sucedia com dois dos grandes nomes do Vitória de Guimarães de inícios dos anos 90, ambos praticamente indiscutíveis durante a única época que passaram juntos nos alvinegros da Cidade-Berço.


Ziyad (em cima) e Chiquinho (em baixo)
Já com trajectos muito diferentes à sua chegada a Guimarães – um oriundo directamente do seu país de origem, enquanto o outro firmara já créditos na então Primeira Divisão, ao serviço do Benfica, por quem se tinha sagrado campeão com dobradinha e marcado presença em duas Supertaças, além de ter vencido outra pelo próprio Guimarães – Ziad e Chiquinho Carlos (ambos os quais celebram os seus sessenta e três anos à data de edição deste 'post', embora uma fonte dê o aniversário de Ziad como sendo apenas daqui a um par de semanas, concretamente a 10 de Maio) viriam a cruzar-se naquela que seria a última temporada do brasileiro no Vitória SC, e a primeira do tunisino, 1990/91, ao longo da qual partilhariam frequentemente presenças naquele que era um excelente 'onze' inicial para os vimaranenses, com o brasileiro a partir mais de trás e o tunisino encarregue de ser a referência de ataque, posição que viria a desempenhar com reconhecido mérito ao longo das quatro épocas seguintes. Assim, durante uma época da sua longa e ilustre história, o 'Vitória do Norte' contou no seu plantel com dois jogadores cujos nascimentos haviam distado apenas algumas horas (além de vários continentes) e que viriam, ambos, a lograr almejar o estatuto de lendas do clube.
De facto, é apenas na fase de carreira posterior à passagem pelo Vitória que estes dois jogadores diferem. Chiquinho Carlos rumaria ao Braga e, posteriormente, ao 'outro' Vitória (o de Setúbal), construindo uma daquelas carreiras mais do que honrosas – e, no seu caso, de longevidade acrescida, já que o jogador apenas 'penduraria as botas' já com a provecta idade de quarenta e quatro anos, no final da época 2006/2007, altura em que era já 'Grande dos Pequenos' no minúsculo Igreja-A-Nova. Já Ziad rumaria ao futebol japonês há pouco mais de trinta anos - no defeso de Inverno da época de 1995/96 – fazendo várias boas épocas ao serviço do Vissei Kobe antes de rumar ao seu país natal para terminar carreira no mesmo clube onde a iniciara, o Espérance de Tunis, numa altura em que contava ainda com o estatuto de internacional pelo seu país, tendo inclusivamente brilhado na CAN de 1998, época no final da qual acabaria por se retirar dos relvados. Dois percursos bastante distintos para jogadores que, de outro modo, partilham um sem-número de características, que extrapolam apenas a data de aniversário e presença num clube específico, e os tornam protagonistas de uma das mais inesperadas coincidências do futebol nacional. Parabéns a ambos, e que contem muitos.
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