Saturday, 11 April 2026

Sextas com Style/Sàbados aos Saltos/Domingo Desportivo: Netinho - As Chuteiras dos 'Craques' de Rua Noventistas

NOTA: Este 'post' é parcialmente correspondente a Sexta-feira, 10 de Abril e a Domingo, 12 de Abril de 2026.


NOTA; Por motivos logísticos, este Sábado será aos Saltos, voltando as Saídas no próximo fim-de-semana.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Para a geração 'millennial' portuguesa, o nome Netinho tem duas conotações bem distintas. Por um lado, refere-se a um cantor brasileiro que logrou conseguir um 'hit' de Verão nos 'tops' lusitanos nos últimos anos do século XX; por outro, identifica uma marca de chuteiras cem por cento nacionais (fabricadas na zona de Fafe, no Norte do País) que muitos entusiastas do futebol de rua terão usado nos jogos entre amigos de então – uma espécie de alternativa especificamente especializada às também icónicas e ubíquas Sanjo.


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Fundada por Francisco de Sousa, um empresário local que, ao longo de quase oito décadas de vida, foi sempre conhecido pelo termo carinhoso que a sua avó lhe dedicava, e com o qual baptizou também a marca, a Netinho especializava-se não só em chuteiras como em outros tipos de calçado específico, como botas de esqui ou sapatos para bicicleta, além de fabricar também bolas de futebol – tudo com a qualidade habitual dos sapatos portugueses e a preços convidativos, que, inevitavelmente, tornavam os seus produtos populares junto das demografias mais jovens, e presença assídua nas lojas de desporto independentes que, à época, dominavam o panorama nacional. Não era, pois, incomum ver, em 'pelados' e campos improvisados por esse País fora (e até no Norte de Espanha), um lampejo de vermelho na bota de um 'futuro craque', denotando aquele 'piton' propositadamente diferente que servia de identificativo da marca. E ainda que a globalização tenha vindo oferecer aos jovens futebolistas outras opções, muitas delas de marcas multinacionais conceituadas, grande parte dos portugueses das gerações 'X' e 'millennial' – sobretudo aqueles crescidos com menos meios – recordam ainda com nostalgia aquelas chuteiras 'manhosas', mas duráveis, com que 'fintavam' os amigos no campo ou ringue local durante um Sábado aos Saltos, em pequenos.


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Quanto à Netinho em si, continua a honrar o legado do seu fundador, sobretudo através dos filhos, ainda que agora com um âmbito mais abrangente, que inclui também calçado casual ou até de cortiça. Ainda assim, é bom saber que uma marca cem por cento nacional, e que marcou época entre os jovens do País, não só se mantém ainda activa como não foi 'engolida' por um qualquer grupo económico, mantendo a sua característica de companhia familiar, tal como o 'Netinho' original sem dúvida teria querido.

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