NOTA: Este 'post' é correspondente a Quarta-feira, 08 e Quinta-feira, 09 de Abril de 2025.
Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.
Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.
Os anos após a Guerra Colonial, e subsequente independência dos PALOP, trouxeram consigo as inevitáveis tensões políticas, e os conflitos que estas tendem a acarretar, deixando muitas populações africanas numa situação ainda pior do que aquela em que já se encontravam. Não é, pois, de admirar que, durante as últimas décadas do século XX, muitos países tenham redobrado os seus esforços humanitários especificamente direccionados àquele continente, não sendo Portugal excepção a esta regra.

No século XXI, estas campanhas voltaram a ser, sobretudo, da responsabilidade de organizações especializadas.
De facto, qualquer jovem frequentador dos primeiros anos do ensino básico durante o período em causa se lembrará de, pelo menos, uma recolha de alimentos secos para enviar para Angola ou Moçambique, para posteriormente ser doado a populações necessitadas. Normalmente levadas a cabo em parceria, ou por iniciativa, de uma organização humanitária ou da AMI, estas campanhas tinham o benefício adicional de contribuir para o sentido de cidadania, solidariedade e entreajuda das crianças que nelas participavam – conceitos que, nos anos 90, eram (se possível) ainda mais valorizados do que hoje em dia – sendo, por isso, acolhidas de braços abertos pelas escolas, e pelos respectivos alunos, que tinham nelas um foco externo às habituais disciplinas do currículo e, como tal, instantaneamente mais excitante e entusiasmante.
Infelizmente, conforme se viria a descobrir ao longo dos anos, estas campanhas nem sempre chegavam a bom porto, fosse devido a corrupção, problemas de alfândega, intervenção de grupos guerrilheiros, ou qualquer outra das 'milhentas' dificuldades logísticas enfrentadas diariamente por organizações humanitárias; não admira, pois, que, no século e Milénio seguintes, este tipo de iniciativa voltasse a estar centralizado naqueles organismos, e contasse com um volume de participação pública bastante menor do que anteriormente. Quem viveu aqueles anos, no entanto, certamente se recordará de levar para a escola um pacote de arroz e de o colocar no 'ponto de recolha', para posteriormente ser enviado para uma criança com fome do outro lado do Mar Mediterrâneo...
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