NOTA: Este 'post' é correspondente a Segunda-feira, 13 de Abril de 2026.
Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.
Embora não se viesse a tornar uma indústria rentável até inícios do Novo Milénio, a produção nacional de telenovelas vinha já tendo, há algumas décadas, uma presença (ainda que discreta) nas grelhas televisivas nacionais; o advento dos novos canais privados (que permitiam triplicar a oferta diária no tocante a programação) vieram apenas exacerbar este fenómeno, não sendo de admirar que fosse na SIC e sobretudo na TVI que o género viesse a florescer. A RTP não era, no entanto, 'carta fora do baralho', mostrando-se perfeitamente capaz de produzir, com alguma regularidade, as suas próprias mini-séries e 'dramalhões' – como bem demonstra a telenovela estreada há quase exactos trinta e dois anos (a 12 de Abril de 1993), que partia de uma história real para criar um produto ficcionado de alguma qualidade.

Baseado na história verdadeira de D. Branca, a agiota que, na década anterior, montara um bem-sucedido 'esquema em pirâmide' à conta do Povo português, a novela em causa constituía o segundo esforço do género a ocupar o horário das sete da tarde na RTP1, após 'Cinzas', e viria a ficar no ar durante quase exactos seis meses, até 8 de Outubro, num total de cento e trinta episódios, ao longo dos quais se contava a história de D. Benta, interprtada por Eunice Muñoz e om óbvia inspiração na verdadeira 'banqueira do Povo'. É em torno desta 'sósia' de Branca dos Santos que se desenrolam os habituais 'dramas' característicos de novelas, com todos os amores e desamores que qualquer argumento do género não dispensa, entre personagens interpretados tanto pela 'nata' do meio à época (com destaque para Muñoz ou Raul Solnado, ambos 'estreantes' no meio das telenovelas) como por jovens actores então 'em alta', como Diogo Infante ou Alexandra Lencastre, também ela estreante dentro do género em causa; João Perry, São José Lapa, João d'Ávila, João Lagarto, Rogério Samora e Lídia Franco são outros dos nomes sonantes de um elenco 'de luxo' - como era, aliás, apanágio das produções da RTP.
Não é, portanto, de surpreender que este 'naipe' de actores ajudasse a garantir a qualidade daquilo que, em essência, era apenas 'mais uma' novela, embora com o diferencial de ser baseada em factos reais, característica em que foi pioneira no tocante a produções nacionais do género; quanto mais não seja por isso, no entanto, esta produção hoje algo esquecida merece ser relembrada, na semana em que se completam trinta e três anos sobre a transmissão do seu primeiro episódio.
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