Tuesday, 7 April 2026

Segundas de Sucessos: (Mais de) Trinta Anos de 'Taras'...

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 06 de Abril de 2026.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


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Apesar de a icónica cena pop-rock ser o que vem de imediato à mente de qualquer português que procure falar de música nacional nos últimos anos do Segundo Milénio, a verdade é que os movimentos artisticos lusitanos dentro do meio estavam longe de se ficar por aí – como, aliás, temos amplamente demonstrado ao longo dos já cinco anos de existência deste 'blog'. Da icónica música 'pimba' ao incipiente 'hip-hop' em português, passando por uma vasta gama de bandas e artistas no espectro do 'rock' alternativo mais 'underground', o que não faltava em Portugal entre os anos 80 e 2000 eram 'micro-cenas musicais' - algumas delas, inclusivamente, povoadas por um número suficiente de artistas para justificar a existência de sub-divisões dentro do movimento principal, fossem estas baseadas em localização, sonoridade ou, como no caso da banda que abordamos neste 'post', ambas.


Serve este preâmbulo para (re)introduzir no Anos 90 o movimento 'punk' emergente, a partir de final dos anos 80, no bairro lisboeta de Alvalade. De facto, seria daquela calma vizinhança (uma espécie de 'aldeia' no centro da cidade de Lisboa, sobretudo à época) que viriam a surgir grande parte dos principais grupos de 'punk rock' cantado em português, com uma influência que se estendia, inclusivamente, aos lendários Xutos & Pontapés e ao não menos lendário Johnny Guitar. Como 'porta-estandartes' deste movimento surgiam, numa primeira fase, duas bandas: Peste & Sida e Censurados, aos quais já aqui dedicámos espaço. E se os primeiros se metamorfoseariam eventualmente nos paródicos Peste & Sida, apostando num som mais voltado ao 'ska', a 'implosão' dos segundos daria origem a uma banda tão ou mais famosa e icónica dentro do 'punk' português, que pode, por estes dias, ser vista em palco no Festival Lisboa ao Vivo.


Falamos, claro, dos Tara Perdida, mais conhecidos como 'a banda de João Ribas após os Censurados', mas cujo legado ultrapassa já largamente o daquela banda. De facto, a banda acaba de celebrar, no ano transacto, trinta anos ininterruptos de carreira (por comparação aos apenas seis de existência da banda original de Ribas), a que nem a trágica morte do referido vocalista, em 2014, conseguiu pôr fim. Já este ano marca as exactas três décadas do primeiro registo, auto-intitulado, e que desde logo estabelecia as bases da sonoridade da banda, uma versão (ligeiramente) mais elaborada da 'fúria' dos Censurados, que debitava cerca de dezena e meia de temas de puro 'punk rock' melódico cantado em Português em menos de 40 minutos, entre eles o clássico 'Isto Não Vai Melhorar'. O segundo álbum, dois anos depois, seguia a mesma linha, e demonstrava o sentido de humor único de Ribas e seus restantes companheiros, ao contar com uma versão de 'La Bamba', a popular música latina lançada décadas antes.



Desde então até agora, foram mais sete os álbuns de originais lançados, sempre sem comprometer o som da banda – pelo menos se descontarmos o registo acústico e ao vivo 'Metamorfose', que completa a discografia de longa-duração da banda. Pelo meio, há a registar a trágica morte de Ribas e a sua substituição por Tiago Afonso, até hoje a única mudança de formação da banda (e por motivos de força maior) mostrando a amizade e camaradagem que são, também elas, apanágio da cena 'punk' nacional. Esperemos, pois, que o grupo não encontre tão depressa a 'Tara Perdida', e que continue a animar e inflamar palcos de Norte a Sul do País com pura atitude 'punk' por ainda muitos e bons anos...

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