Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.
Já aqui em diversas ocasiões tivemos oportunidade de falar da reconhecida qualidade da manufactura têxtil nacional, que não apenas a torna apetecível para a indústria mundial, mas resulta também no surgimento de inúmeras marcas 'intra-muros', a grande maioria das quais adquire merecida reputação (senão fama) junto dos consumidores nacionais; é, precisamente, de uma empresa nessa situação que falamos neste 'post'.
Fundada ainda em finais da década de 80, pela mão da família Ferreira, a Ferrache viria, ao longo das quase quatro décadas seguintes, a estabelecer-se como nome sonante do sector menos 'comercial' da roupa de mulher em Portugal, fruto da sua aposta declarada na relação entre qualidade e 'design', sem nunca perder o carácter familiar, sendo sinda hoje dirigida pelos descendentes directos de Belmira, e mantendo uma linha de produção centrada numa única fábrica com cerca de quatro dezenas de trabalhadores, muitos deles de longa data. Um modelo de pequena e média empresa, portanto, cujos valores e ética profissional justificam o continuado (ainda que propositadamente 'modesto') sucesso comercial da marca.
De facto, apesar de não ser particularmente conhecida entre os jovens (por apostar num estilo de peças mais clássico e intemporal, por oposição às 'últimas modas') a marca conseguiu não só criar como manter uma certa reputação junto de um público mais velho e profissional, e manter-se não só em actividade como próspera ao longo de trinta e sete anos – uma marca impressionante, sobretudo para uma empresa de produção totalmente portuguesa. Razão mais que suficiente, pois, para dedicarmos estas breves linhas a mais um dos muitos exemplos de sucesso da indústria têxtil nacional.

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