Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.
Ao contrário de Lisboa, conhecida por ter tido, durante décadas, apenas uma ponte a atravessar o rio que a banha (pelo menos até à construção de uma segunda, em finais dos anos 90) o Porto sempre foi conhecido pela sua multitude de passadiços sobre o Rio Douro, dos quais o mais famoso é ainda hoje a Ponte D. Maria Pia, projectada por ninguém menos do que Gustave Eiffel; há exactos trinta e cinco anos, no dia de S. João do ano de 1991, esse número ver-se-ia acrescido de ainda mais uma unidade, com a inauguração da nova ponte ferroviária, que levava, também ela, o nome do santo padroeiro da Invicta.
Com origens que remontavam ao início do século XX, a Ponte de S. João era concebida para servir como a nova ponte ferroviária entre as estações de Campanhã, no Porto, e Santa Apolónia, em Lisboa, servindo assim a chamada Linha do Norte. Até àquele dia 24 de Junho de 1991, essa função havia sido desempenhada pela 'irmã' mais 'famosa' (a Ponte de D. Maria Pia) mas a nova travessia oferecia melhor integridade estrutural (tendo sido desenhada de raiz para a função em causa) e permitia ao já centenário 'quase-monumento' que substituía gozar de uma merecida 'reforma'.
Era, no entanto, no desenho que a Ponte de S. João mais diferia das congéneres pré-existentes, já que se tornava a primeira (e, ainda hoje, única) ponte sobre o Douro a não ter construção em arco, sendo feita quase exclusivamente de linhas a direito, que facilitavam o uso de estruturas reforçadas e especialmente concebidas para aguentar grandes cargas de peso (como é o caso dos comboios). E a verdade é que essa opção estrutural serviu (e bem) a infra-estrutura em causa durante as duas décadas seguintes, tendo a mesma apenas sido alvo de manutenção já em 2020. Está previsto, aliás, que o muito esperado serviço de alta velocidade passe também ele por esta ponte, o que ajuda a mostrar a confiança que os portuenses continuam a depositar na mais recente travessia sobre o Rio Douro, exactos trinta e cinco anos após a sua inauguração oficial.
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