Tuesday, 30 June 2026

Segundas de Sucessos: Trinta Anos da Estreia de Uma Banda Tudo Menos 'Primitiva'

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 29 de Junho de 2026.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

A 'explosão' do pop-rock de atitude alternativa vivida em Portugal durante as décadas de 80 e 90 permitiu não só que bandas de teor mais radiofónico criassem 'hits' imortais que integrariam 'playlists' durante décadas, como também que propostas mais arrojadas e experimentais encontrassem o espaço de que necessitavam para explorar a sua sonoridade. Talvez o maior exemplo desta vertente – e uma das principais bandas experimentais da História da música portuguesa – fossem os Primitive Reason, banda multi-nacional da musicalmente fértil zona de Cascais, na Grande Lisboa, cuja ecléctica e assumida mistura de estilos fez com que causassem furor aquando do lançamento do seu álbum de estreia, que celebrou há cerca de seis semanas o seu trigésimo aniversário.

Formada em 1993 por três amigos de infância – um espanhol, um português e um britânico – e com a formação original composta também por um americano e um suíço, a banda destacou-se, desde logo, pela junção das várias influências dos seus membros num todo que poderia ser uma verdadeira 'salada de frutas' mas que, de algum modo, se afirmava coeso e apelativo. Partindo de uma base alicerçada no 'reggae' e 'ska', o quinteto adicionava-lhe doses substanciais de rock, punk e metal, bem como pitadas de 'jazz' e 'afro', criando um som distinto, inqualificável, e que não podia deixar de tornar o álbum de estreia, 'Alternative Prison' (lançado a 15 de Maio de 1996) num sucesso entre o público jovem consumidor de música, então composto sobretudo por membros da 'geração X', bem como junto da crítica, tendo mesmo sido premiado como Álbum do Ano pelo mítico jornal Blitz, então referência máxima da imprensa musical em Portugal. Temas como 'Seven-Fingered Friend' (o mais conhecido da banda, e muito lembrado também pelo seu 'videoclip') ajudavam a banda a estabelecer-se como uma das mais entusiasmantes da segunda vaga de 'pop rock' português moderno, e lançavam-nos para uma carreira que, apesar de alguns 'altos e baixos', lograria ultrapassar a marca das duas décadas.

A banda não tardou, aliás, em dar seguimento a este sucesso, com o segundo álbum, 'Tips & Shortcuts', que expandia ainda mais o leque de influências da banda (incluindo mesmo secções 'rappeadas') e que contava com uma produção muito superior à do primeiro álbum, a cargo da 'lenda' da produção discográfica nacional Marsten Bailey. Por entre tributos a NOFX e músicas cantadas pelo baterista, os Primitive Reason davam um enorme passo em frente, o qual, apesar de causar menos 'furor' que o primeiro, se afirmava tão ou mais importante para a progressão da banda.

Quando tudo parecia correr bem, no entanto, dá-se a inevitável convulsão: com a banda já radicada nos EUA, país de origem do saxofonista Mark Cain, o mesmo e outros dois membros (incluindo o vocalista Brian Jackson) abandonam a banda, deixando ao baixista Guillermo de Lara e ao baterista Jorge Felizardo o ónus de completar o terceiro álbum. Para seu crédito, o duo não desiste e, com ajuda de conhecidos da cena nova-iorquina, apresenta, em Julho de 2001, 'One Of Us', um álbum que, naturalmente, apresenta maior ênfase na vertente rock e punk do que os seus antecessores. Nos anos subsequentes, os dois elementos restantes viriam a reformular a banda, e prosseguiriam carreira, ainda que de forma bastante mais discreta, durante cerca de uma década e meia, lançando nesse período três álbuns, quatro EP's e uma colectânea, além de verem reeditados os seus dois primeiros registos.

É, pois, apenas em 2015 que se verifica a dissolução total da banda, a qual permanece extinta durante mais de dez anos antes de – por ocasião do supramencionado aniversário de 'Alternative Prison' – o trio original se juntar mais uma vez em palco, pela primeira vez desde 1998, para dois concertos comemorativos no festival Lisboa ao Vivo e no mítico Hard Club, no Porto. Fica, assim, aberta a porta para uma potencial reunião (ou, pelo menos, um reatar de carreira) para aquela que foi uma das bandas mais personalizadas e instantaneamente reconhecíveis da cena portuguesa de finais do século XX.

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