Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.
Recentemente, falámos nesta rubrica de um dia, perto do final do ano 2000, em que estrearam em Portugal vários filmes de interesse para o público jovem; no entanto, por nos termos focado numa data específica, ficou por mencionar uma outra película, estreada em Portugal cinco anos antes, e que, como tal, acaba de completar, há pouco mais de um mês, trinta anos sobre a sua exibição no nosso País.

Tratava-se de 'A Chave Mágica', a adaptação cinematográfica da obra 'O Índio no Armário', de Lynne Reid Banks, publicada quinze anos antes (em 1980) e que, por alturas do lançamento do filme, se havia tornado já num clássico infantil moderno entre as crianças norte-americanas, as quais se terão regozijado com esta adaptação. Já em Portugal, o livro era menos conhecido (apesar de ter sido publicado em tradução portuguesa) e, como tal, será mesmo o filme o principal ponto de referência para quem era de uma certa idade à época; e a verdade é que, como principal forma de conhecer a história, é um veículo perfeitamente válido, sendo daqueles filmes que seguem o material de origem quase 'à letra', retendo todas as suas qualidades e não arriscando incorrer em quaisquer defeitos.
Tematicamente, 'A Chave Mágica' insere-se naquela 'safra' muito particular de longas-metragens infantis de meados dos anos 90 centradas em torno de uma situação de 'realismo mágico' causada por um objecto quotidiano aparentemente inofensivo, da qual 'Jumanji', 'Pagemaster' ou 'Pequenos Guerreiros' talvez sejam os exemplos mais conhecidos; no caso do filme em questão, a 'pista' está no próprio título; de facto, é quando o protagonista Omri usa o armário encontrado e consertado pelo seu irmão mais velho para guardar duas das suas figuras de índios e 'cowboys' de plástico, e dá a volta à chave para o fechar, que se descobre que o sobredito móvel tem a capacidade de dar vida a objectos inanimados. Assim, quando Omri volta a rodar a chave na fechadura, depara-se não com os brinquedos que ali deixara, mas com um índio e um 'cowboy' de carne e osso, transportados através do tempo algumas centenas de anos e 'encolhidos' para o tamanho de uma figura de acção, mas de outro modo vivos, conscientes...e aterrorizados.

Touro Sentado e Boone, dois humanos magicamente transportados para o futuro pela titular Chave Mágica.
Segue-se a habitual trama de tentar esconder os 'convidados' sobrenaturais dos adultos, com a agravante de que o cobarde Boone e o intempestivo Touro Sentado (inexplicavelmente chamado Touro Pequeno na tradução do livro) não parecem capazes de parar de se tentar agredir mutuamente, nem dispostos a evitar o choque de personalidades – pelo contrário, cada um dos homens faz a Omri exigências que o pequeno tem de se esforçar por cumprir, apesar das circunstâncias menos do que habituais. O resultado são noventa minutos (ou algumas centenas de páginas) de peripécias que balanceiam muito bem o humor, o drama e o sentimentalismo (sem que este nunca chegue a tornar-se 'lamechiche'), além de procurarem veicular algumas informações sobre o modo de vida dos nativos e colonos americanos no período histórico de que Boone e Touro Pequeno são oriundos. Uma boa escolha para uma Sessão de Sexta em família, portanto, que merecia ser mais lembrada, trinta anos depois da sua chegada aos cinemas lusitanos.
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