Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.
O nome é lendário e instantaneamente reconhecível para qualquer português com um mínimo de interesse em informação credível e jornalismo de investigação, elementos em que é reconhecida como uma das publicações de monta em Portugal há já mais de três décadas, desde a sua fundação em Março de 1993; e, presentemente, encontra-se em risco iminente de extinção, existindo actualmente apenas em fomato 'online', e dependendo do trabalho voluntário da sua dedicada equipa de redactores e dos donativos dos seus não menos dedicados leitores. Um quase-fim triste para uma revista que, surpreendentemente, não tinha ainda tido o seu espaço nas páginas do Anos 90, pese embora a sua importância no contexto da imprensa nacional.

Falamos, claro, da 'Visão', grande 'fonte' de informação sobre os mais variados tópicos - sobretudo ligados à História, Política e Economia - para grande parte dos portugueses, dada a facilidade com que combinava factos complexos com um registo escrito ao mesmo tempo detalhado e acessível, uma 'proeza' que não é tão fácil de conseguir como parece, e que a ajudou a encontrar e estabelecer o seu lugar nas bancas nacionais e, posteriormente, a manter-se um passo à frente da grande 'rival' 'Focus'. Ainda mais impressionante, no entanto, foi o facto de esse mesmo registo e direcção editoriais terem resistido e sobrevivido a inúmeras mudanças de 'gerência', com a revista a estar inicialmente vinculada à editora suíça Edipresse, mais tarde à inescapável Abril-Controljornal, depois ao Grupo Impresa de Francisco Pinto Balsemão e, finalmente, à Trust In News, cuja falência originou a situação actual da revista (bem como de outra dezena e meia de publicações históricas da imprensa portuguesa, como a 'Caras', a 'Exame' ou o 'Jornal de Letras'). Longe estão, pois, os dias em que a 'Visão' se tornava a primeira revista nacional a ser distribuída em formato digital para 'tablets', entre outros méritos atingidos ao longo de quase três décadas e meia de vida.
Urge, pois, não deixar que esta referência do jornalismo investigativo português 'morra' de forma inglória, sendo que é ainda possível adiar o 'último suspiro' de uma revista que todos nos habituámos a ver no quiosque ou tabacaria a cada Quinta-feira (o que torna o dia em que este 'post' é publicado ainda mais significativo e emblemático) e estando grande parte do objectivo total de 200 mil euros (o necessário para os próprios jornalistas adquirirem a publicação) já atingido – tazão ainda mais válida para, em conjunto, os leitores da revista ajudarem a completar esse valor. Quem quiser contribuir para essa causa, poderá obter mais informações no seguinte link. https://visao.pt/atualidade/nao-fechem-os-olhos/2026-01-08-crowdfunding-continuar-a-visao-com-os-jornalistas-que-a-fazem/.
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