Monday, 26 January 2026

Segundas de Sucessos: Trinta Anos de Um Reino Pleno de 'Felicidade'

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Quando se fala de bandas icónicas da cena pop-rock portuguesa de finais do século XX, os Delfins afirmam-se como incontornáveis. Com o seu som levemente electrificado, de refrão e consumo fácil, e beneficiado pelas letras em português, o grupo era 'feito à medida' para as ondas radiofónicas nacionais, contando ainda com o benefício adicional de o seu icónico vocalista, Miguel Ângelo, ser considerado um dos maiores galãs portugueses da época, fazendo 'suspirar' grande parte da demografia-alvo do grupo. Não admira, pois, que a banda tenha somado uma sucessão de êxitos ao longo do seu percurso, e tão-pouco é surpreendente que uma colectânea desses mesmos êxitos tenha dominado as tabelas de vendas discográficas portuguesas durante um período alargado, poucos meses após ter sido lançado.


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De facto, após um início de ano ainda sob a 'alçada' de 'Made In Heaven', o álbum póstumo de tributo a Freddie Mercury lançado pelos igualmente incontornáveis Queen, os 'tops' nacionais ver-se-iam novamente 'subjugados' a um 'reino' prolongado, desta feita de cunho nacional, quando Miguel Ângelo e companhia se tornavam 'Delfins' da 'monarquia' musical nacional no início da terceira semana de Janeiro de 1996 – de há quase exactos trinta anos a esta parte. Iniciava-se assim o primeiro e mais prolongado de quatro (!) 'reinos' da colectânea 'O Caminho da Felicidade' no topo das tabelas discográficas, o qual apenas viria a findar já em inícios de Abril, quando o disco seria destronado pelo álbum de estreia (e único) dos Mamonas Assassinas, o grande fenómeno musical e cultural daquele ano em Portugal.


No total, esse primeiro período no topo das tabelas saldar-se-ia numas impressionantes dez semanas (ou dois meses e meio), ao qual acresceriam ainda mais uma logo em fins de Abril ('dividindo em dois' o 'reino' dos Mamonas), outra em fins de Agosto, e mais cinco a partir de fins de Setembro, para um total de dezassete semanas ao longo do ano de 1996. Um domínio apenas rivalizado por outros 'campeões de vendas' históricos como 'Mingos & Os Samurais', de Rui Veloso, ou 'Feijão Com Arroz', de Ivete Sangalo, e que (re-)estabelecia os Delfins como nome de peso da música portuguesa, colocando o grupo de Cascais em posição privilegiada para obter outro mega-sucesso com o seu álbum seguinte, 'Saber A Mar', lançado ainda nesse ano de 1996 e que voltaria a atingir o 'pódio' no ano seguinte, ainda que atrás do 'imparável' relançamento de carreira de Paulo Gonzo, com 'Quase Tudo'. Desse, no entanto, falaremos noutra ocasião; por ora, ficamo-nos por esta breve recordação de quando os Delfins lançaram uma colectânea que, sem que o grupo o soubesse, dificilmente podia ter um título mais apropriado, já que ajudou Miguel Ângelo e companhia a encontrar 'O Caminho da Felicidade' no tocante à progressão de carreira...

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