Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.
Quando se fala de bandas icónicas da cena pop-rock portuguesa de finais do século XX, os Delfins afirmam-se como incontornáveis. Com o seu som levemente electrificado, de refrão e consumo fácil, e beneficiado pelas letras em português, o grupo era 'feito à medida' para as ondas radiofónicas nacionais, contando ainda com o benefício adicional de o seu icónico vocalista, Miguel Ângelo, ser considerado um dos maiores galãs portugueses da época, fazendo 'suspirar' grande parte da demografia-alvo do grupo. Não admira, pois, que a banda tenha somado uma sucessão de êxitos ao longo do seu percurso, e tão-pouco é surpreendente que uma colectânea desses mesmos êxitos tenha dominado as tabelas de vendas discográficas portuguesas durante um período alargado, poucos meses após ter sido lançado.

De facto, após um início de ano ainda sob a 'alçada' de 'Made In Heaven', o álbum póstumo de tributo a Freddie Mercury lançado pelos igualmente incontornáveis Queen, os 'tops' nacionais ver-se-iam novamente 'subjugados' a um 'reino' prolongado, desta feita de cunho nacional, quando Miguel Ângelo e companhia se tornavam 'Delfins' da 'monarquia' musical nacional no início da terceira semana de Janeiro de 1996 – de há quase exactos trinta anos a esta parte. Iniciava-se assim o primeiro e mais prolongado de quatro (!) 'reinos' da colectânea 'O Caminho da Felicidade' no topo das tabelas discográficas, o qual apenas viria a findar já em inícios de Abril, quando o disco seria destronado pelo álbum de estreia (e único) dos Mamonas Assassinas, o grande fenómeno musical e cultural daquele ano em Portugal.
No total, esse primeiro período no topo das tabelas saldar-se-ia numas impressionantes dez semanas (ou dois meses e meio), ao qual acresceriam ainda mais uma logo em fins de Abril ('dividindo em dois' o 'reino' dos Mamonas), outra em fins de Agosto, e mais cinco a partir de fins de Setembro, para um total de dezassete semanas ao longo do ano de 1996. Um domínio apenas rivalizado por outros 'campeões de vendas' históricos como 'Mingos & Os Samurais', de Rui Veloso, ou 'Feijão Com Arroz', de Ivete Sangalo, e que (re-)estabelecia os Delfins como nome de peso da música portuguesa, colocando o grupo de Cascais em posição privilegiada para obter outro mega-sucesso com o seu álbum seguinte, 'Saber A Mar', lançado ainda nesse ano de 1996 e que voltaria a atingir o 'pódio' no ano seguinte, ainda que atrás do 'imparável' relançamento de carreira de Paulo Gonzo, com 'Quase Tudo'. Desse, no entanto, falaremos noutra ocasião; por ora, ficamo-nos por esta breve recordação de quando os Delfins lançaram uma colectânea que, sem que o grupo o soubesse, dificilmente podia ter um título mais apropriado, já que ajudou Miguel Ângelo e companhia a encontrar 'O Caminho da Felicidade' no tocante à progressão de carreira...
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