Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Antes do kuduro, kizomba e outros géneros musicais afins, havia 'Danças no Huambo' – uma música que misturava 'reggae' aos referidos ritmos africanos, com letra contestatária e anti-colonial, mas que – numa daquelas ironias próprias do mundo das Artes – conseguiu pôr o povo colonizador criticado na música a dançar ao som dela ao longo de largos meses, e catapultar os seus autores (um trio angolano de nome impronunciável e ainda mais insoletrável) para um breve mas memorável período de mega-estrelato.
De facto, em conjunto com a sucessora 'Perigosa' (um tema bem mais de festa, cujo refrão pedia canto em uníssono e de mãos no ar, e que mostrava outra vertente da música do grupo) 'Danças no Huambo' foi o grande responsável pela disseminação, naquele Verão de 1995, do nome Kussondulola, o qual é, ainda hoje, associado quase exclusivamente a essas duas músicas. Isto porque, apesar dos largos anos de carreira (ainda hoje se encontram no activo) o trio centrado em torno do ex-futebolista Janelo da Costa não mais voltaria a almejar o sucesso que ambos os temas granjeavam ao seu álbum de estreia, o excelentemente intitulado ´Tá-se Bem´. Às 'costas' de 'Danças no Huambo' e 'Perigosa', Janelo e seus comparsas almejariam tocar em Vilar de Mouros, veriam o seu disco ser lançado também em Espanha, e saíriam os grandes vencedores do Prémio Revelação do mítico jornal 'Blitz' para aquele ano, distinção que lhes permitiria também figurar no CD 'Portugal ao Vivo', patrocinado e divulgado por essa mesma publicação.
O grande problema de ter um 'ano de estreia' repleto de conquistas, no entanto, é que é tão necessário quanto difícil ir de encontro às expectativas dos novos fãs angariados. E a verdade é que, para os Kussondolola, esse desiderato nunca foi totalmente conseguido, pesem embora os quatro álbuns (mais um 'boxset') que lançariam após 'Tá-se Bem' – o primeiro destes ainda na década de 90, em 1998, e com um título tão genial quanto o do seu antecessor. Apesar da fantástica designação, no entanto, 'Baza Não Baza' não lograria catapultar qualquer dos seus dois 'singles' para o nível estratosférico do seu antecessor, nem manter os Kussondolola como nome relevante no panorama musical português.
A partir desse ponto, o trajecto do grupo far-se-ia estritamente para uma base de fãs leal, mas significativamente menor do que três anos antes – a mesma que acolheria de braços abertos 'O Amor É...Bué', de 2001 (que continuava a comprovar o 'jeito' do grupo para nomear os seus álbuns), o 'ao vivo' 'Vive! Tens De Viver', no ano seguinte, a colectânea 'Cumué?', em 2004, e 'Survivor', de 2005, disco que contava com colaborações do calibre de Vitorino, Kalú, os 'dois Ruis' - Reininho e Veloso - Miguel Ângelo ou Sara Tavares, entre outros. Esta panóplia de convidados não foi, ainda assim, suficiente para voltar a pôr o trio no 'mapa' melómano português, e Janelo e seus colegas vir-se-iam a despedir das lides discográficas com um último álbum, 'Guerrilheiro', de 2006, seguido de um 'boxset' com músicas inéditar e ao vivo, em jeito de resumo de carreira, lançado em 2007.
Desde então, o grupo tem feito parte do circuito de música ao vivo português, 'animando' palcos de Norte a Sul do País com a sua sonoridade 'afro-reggae' bem contagiante e apelativa – não podendo, claro, faltar em cada concerto qualquer dos dois grandes sucessos que puseram Portugal a 'desbundar' há já trinta anos atrás...
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