Monday, 4 May 2026

Segundas de Sucessos/Terças de TV: Vinte e Cinco Anos de Um 'Teste' Relativamente Bem Sucedido

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 04 de Maio de 2026.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

De entre as muitas novas tendências que vieram alterar a forma de fazer televisão um pouco por todo o Mundo em inícios do Novo Milénio, os concursos de talentos estiveram entre as que maior impacto tiveram, com o sucesso imediato dos vários formatos regionais e nacionais a tornar este género ainda mais viável do que antes, e a motivar a criação de inúmeras variantes do mesmo conceito. Portugal não foi excepção a esta regra, com dois programas nacionais de inícios dos anos 2000 a procurarem recriar o sucesso do 'pioneiro' 'Chuva de Estrelas'; e se um deles fica já fora do âmbito deste nosso 'blog' (pelo menos por agora), o segundo merece algumas linhas, poucos dias após se ter celebrado o quarto de século sobre a sua transmissão, em Abril de 2001.

Popstars_SIC.webp

Versão localizada mas absolutamente fiel do conceito padronizado e replicado em diversos países do Mundo, o 'PopStars' português visava criar um grupo 'pop' inteiramente feminino, o que, por um lado, limitava o seu espectro no tocante a audições de aspirantes a artistas sem, no entanto, deixar de gerar as emoções e drama que os mais 'leigos' esperariam de um formato deste tipo. Para o efeito, foram levadas a cabo audições em quatro das principais cidades portuguesas (as 'duas capitais' e ainda Leiria e Coimbra) tendo mais de doze mil jovens entre os dezoito e os vinte e cinco anos tido oportunidade de mostrar os seus dotes vocais, com vista a integrar o grupo idealizado pelo projecto- tarefa que se revelava quase impossível, dado que apenas estavam disponíveis cinco vagas.

Curiosamente, das cinco finalistas, uma esteve em riscos de não integrar o programa, dado ser ainda menor de idade; felizmente para Liliana Almeida, o último dia de audições (em Lisboa) coincidia com o seu décimo-oitavo aniversário, permitindo-lhe realizar o seu sonho (ainda que 'à rasquinha') e juntar-se a Andrea Soares, Ana Rita Reis, Fátima Sousa e Kátia Moreira para formar as NonStop, que viriam a ter 'a' música daquele Verão, 'Ao Limite Eu Vou', retirada do seu primeiro álbum, gravado em questão de meses. Era o primeiro passo da bem-sucedida carreira daquela que era, para todos os efeitos, a versão lusitana de grupos como Hear'Say ou Eden's Crush, vencedoras das versões britânica e americana do programa, respectivamente, bem como uma digna sucessora de grupos como Excesso, D'Arrasar e Santamaria.

download.jfif

Apesar do relativo sucesso do formato e do 'produto' final, no entanto, a localização portuguesa de 'PopStars' não iria além dessa única temporada, por contraste aos supracitados países, onde teria ainda várias e bem-sucedidas sequelas; a SIC teria, assim, de esperar ainda um par de anos para descobrir a sua verdadeira 'galinha dos ovos de ouro' no campo dos 'reality shows' musicais, que se mantém no ar até aos dias de hoje, vinte e três anos após a sua primeira emissão. Quanto a 'PopStars', apesar da sua curta vida, continua ainda hoje a ser lembrado (seja com nostalgia, ironia, ou ambas) por quem era de uma certa idade nos anos de viragem do século e Milénio, tornando mais que óbvia a sua inclusão nas páginas deste nosso 'blog' nostálgico, um quarto de século após a sua breve mais memorável passagem pelas ondas aéreas portuguesas.

 

Saturday, 2 May 2026

Saídas ao Sábado/Domingo Desportivo: As Origens do Estoril Open

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Domingo, 3 de Maio de 2026.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

images.jfif

O tradicional local de realização do certame, junto ao Estádio Nacional, na Linha de Cascais.

Para os fãs lusitanos de outros desportos que não apenas o futebol, o Estoril Open perde apenas para o Grande Prémio de Portugal na categoria de evento mais importanto do ano em Portugal. Isto porque o referido torneio faz parte do circuito ATP, sendo o representante oficial do País no mesmo, o que o coloca ao mesmo nível de Wimbledon ou Roland Garros, ainda que apenas em teoria, já que estes continuam a ser mais conhecidos. Ainda assim, o evento realizado no Jamor continua a atrair as atenções da maioria dos fãs nacionais de ténis, tal como o vem fazendo anualmente ao longo de já mais de trinta e cinco anos, com interrupções apenas em 2020 (devido à pandemia de COVID) e no ano passado (2025), pausa aproveitada para mudar o mês de realização para Julho, por oposição à tradicional data de Abril.

Foi, de facto, em 1990 que João Lagos organizou a primeira edição do torneio do qual continuaria a ser director de operações durante o quarto de século seguinte, e que desde logo encontrava 'casa' própria no complexo desportivo adjacente ao Estádio Nacional do Jamor, nos arredores de Lisboa – localização que, coincidentalmente, apenas viria a abandonar quando o referido João Lagos deixou a organização, em 2014. Durante os anos 90, portanto, os fãs de ténis, tanto 'ferrenhos' como mais casuais – habituaram-se a associar o evento com o local em causa, que – à semelhança das congéneres inglesa e francesa – adoptou a denominação, não do complexo desportivo, mas da área em que o mesmo se situava, a qual ainda hoje retém, apesar da mudança de local (realizando-se hoje em 'courts' da zona de Cascais).

Escusado será dizer que, dado o estatuto e longevidade da prova, o ATP Estoril viu passar pelos seus 'courts', ao longo dos anos, a elite do ténis mundial – o que torna ainda mais valorosas as duas únicas vitórias de tenistas lusitanos verificadas no tempo de vida do certame, ambas já no Novo Milénio, com João Sousa a sagrar-se campeão da categoria individual em 2018 e Nuno Borges e Francisco Cabral a vencerem como dupla em 2022. Durante os anos 90, no entanto, o domínio era espanhol, com o país vizinho a arrecadar maior percentagem de vitórias em ambas as categorias, com 'concorrência' apenas da Áustria (em individuais) e dos EUA (nas provas de duplas da segunda metade da década).

Apesar desta hegemonia, no entanto, o certame nunca deixava de ser emocionante e de valer bem o investimento de tempo (e, por vezes, dinheiro) por parte dos entusiastas de ténis residentes em Portugal, que assim podiam ver de perto os seus 'ídolos' dentro da modalidade – paradigma que, aliás, se continua a verificar três décadas e meia depois, fazendo do ATP Estoril um evento impossível de ser ignorado por um 'blog' dedicado à década em que este evento se principiou a notabilizar dentro do mundo do ténis profissional.

Friday, 1 May 2026

Sextas com Style: A Segunda Vida de Um Logotipo Marcante

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

A indústria do calçado portuguesa é, merecidamente, reconhecida como um dos 'ex libris' da produção nacional, sendo o sector mais bem sucedido de uma já forte indústria têxtil; não é, pois, de espantar que sejam várias as marcas de sapatos a atingir sucesso também fora de portas, por vezes até maior do que o obtido em território nacional. Mais inusitado, no entanto, é o caso de uma marca internacional que apenas obteve verdadeiro reconhecimento após ter sido adquirida por empresários portugueses, e a sua produção redireccionada para Portugal. É dessa marca que falamos esta sexta-feira.

fly_london_logo.jfif

Originalmente fundada na cidade que lhe dá o nome, em 1994, a Fly London era 'apenas' mais uma marca falida, prestes a extinguir-se após uma desavença entre sócios, quando os empresários portugueses Fortunato Francisco e Amílcar Monyeiro descobriram um gráfico com o logotipo da marca abandonado na área comercial de um evento especializado em Dusseldorf, na Alemanha. Intrigados pelo logotipo bastante distinto, os dois futuros sócios viram potencial para algo mais, e prontamente adquiriram a marca sob a denominação comercial Kyaia - Fortunato O. Frederico & Ca Lda.

Uma vez em posse do nome, os dois novos donos da Fly London não perderam tempo em trazer toda a produção para Portugal, aproveitando os vastos recursos do País no tocante a têxtil e calçado; desde esse momento, na segunda metade dos anos 90, toda a gama da marca sai de fábricas cem por cento lusitanas, mesmo que o nome ainda continue a fazer menção à capital inglesa. E a vardade é que esta mudança ajudou a dar uma 'segunda vida' à Fly, lançando-a para três décadas de sucesso e permitindo-lhe atingir o patamar de crescimento e desenvolvimento que Fortunato e Amílcar haviam achado possível ao depararem com o cartaz de logotipo durante aquele fatídico evento alemão.

Com o crescimento, veio também a natural expansão, tanto em oferta – a marca comercializa hoje sacos, óculos e acessórios em cabedal, além dos sapatos – como internacional, estando a marca hoje presente em cinquenta e sete países, contando com mais de três mil lojas, e produzindo perto de um milhão de pares de sapatos por ano – uma 'remontada' invejável para uma marca surgida num centro nevrálgico do comércio mundial, mas que precisou procurar mais 'brandas' paragens para realmente mostrar todo o seu potencial.

Thursday, 30 April 2026

Quintas ao Quilo: A Curta Vida de Um 'Mix' Perfeito

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Apesar de, hoje em dia, os nomes mais sinónimos com bolachas de chocolate (ou com pepitas de chocolate) em Portugal serem duas marcas estrangeiras – as americanas Maryland e Chips Ahoy! - quem anda agora por volta da meia-idade recordará a existência, em tempos de uma concorrente séria a qualquer das duas, de fabrico cem por cento nacional, e que fazia as delícias dos jovens nos anos da viragem de Milénio, com as suas três variedade de chocolate e uma quarta, a clássica (e, na opinião do autor deste blog, a melhor) que rivalizava em textura e sabor com os melhores períodos de ambas as marcas estrangeiras. Falamos, claro está, das não-tão-misteriosamente desaparecidas Chipmix, da Triunfo, às quais dedicaremos as próximas linhas.

677248.webp

A gama original (e clássica) das Chipmix.

Surgidas no mercado nacional ainda em finais do século XX, o sucesso destas bolachas entre o público infanto-juvenil foi quase imediato, muito graças aos atributos acima delineados; variedade (além da bolacha 'branca' com pepitas de chocolate, havia variantes com e sem recheio, de chocolate branco ou escuro), qualidade uniforme, e uma excelente relação preço-qualidade, com a produção nacional a permitir manter o dispêndio relativamente baixo e, ao mesmo tempo, oferecer pacotes maiores do que os das concorrentes estrangeiras. Não é, pois, de admirar que, para os jovens da altura, estas fossem AS bolachas de referência dentro do seu sector, ainda que as Maryland fossem também bastante apreciadas.

Quem percebe alguma coisa de negócios, no entanto, sabe que as marcas multinacionais também presentes no mercado não poderiam deixar florescer esta concorrente potencialmente 'tomba-gigantes', pelo que foi sem surpresas (embora com enorme desilusão) que os fãs destas bolachas viram a Triunfo ser vendida a um grupo internacional (em 2004), o qual, por sua vez, foi assimilado pela 'gigante' Kraft Foods (produtora das...Chips Ahoy!) em 2006. A multinacional ainda tentou 'suavizar' esta transição, mantendo as Chipmix nas prateleiras até inícios da década de 2010, mas apesar das afirmações sobre ter mantido a 'Mesma Receita', a verdade é que essas últimas Chipmix já nada tinham a ver com a histórica bolacha de alguns anos antes – e não se tratava apenas de os paladares da demografia-alvo terem 'evoluído' ou envelhecido, mas antes de um acréscimo de açúcar e amolecer da consistência que destruía o 'equilíbrio perfeito' que tinha notabilizado as bolachas em causa no tempo da Triunfo. Foi, pois, sem surpresas que esta versão 'mutante' dos amados biscoitos desapareceu sem alarde das prateleiras, deixando poucas saudades mas, ao mesmo tempo, imensas...da receita original.

Apesar de vítima de manobras corporativas e do passar dos anos (a própria fábrica da Triunfo já pouco produz, tendo tido de ser 'salva' do encerramento em 2015) a gama original das Chipmix sobrevive na memória nostálgica colectiva da 'geração e meia' ('millennial' e primeira vaga da 'Z') que teve o privilégio de com elas privar na idade em que coisas como gosto e consistência de uma bolacha ainda se revestiam de importância primordial. É, pois, a eles que dedicamos esta breve recordação de uma das melhores bolachas alguma vez existentes no mercado português.

Wednesday, 29 April 2026

Quartas aos Quadradinhos: A Edição Portuguesa De Um 'Flop' Universal

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Apesar de relativamente próxima de dois grandes mercados exportadores de banda desenhada – o franco-belga e o espanhol – a Itália é mais conhecida entre os bedéfilos como o 'berço' da maioria das histórias da 'era moderna' das revistas Disney, sendo poucos os produtos verdadeiramente endémicos e locais a lograr extravasar os confins da 'bota do Atlântico'; Milo Manara é uma excepção óbvia, tal como o herói de 'western spaghetti' desenhados, Tex, mas após este início prometedor, a influência da Itália no mercado dos 'quadradinhos' esvai-se consideravelmente. Ainda assim, não é decerto à falta de tentativas que se deve este paradigma, já que o país em causa procura, periodicamente, lançar mais uma das suas séries 'clássicas' no mercado internacional, com resultados, invariavelmente, intermitentes; é de uma dessas tentativas que falamos neste 'post'. 

                   1.jpg2.jpg3.jpg4.jpg5.jpg

As capas dos únicos álbuns planeados para edição em Portugal, dos quais o quinto nunca chegou a ver a luz do dia.

Criada ainda em finais dos anos 60 e imediatamente popular no seu país de origem, foi com naturalidade que a série 'Alan Ford', da autoria de Luciano Secchi e Rodrigo Raviola (que, como é apanágio dos artistas italianos, adoptavam pseudónimos 'anglicizados', respectivamente Max Bunker e Magnus) rapidamente se expandiu a alguns dos mercados adjacentes, incluindo o português; no entanto, a lentidão do processo de exportação que caracterizava o período em causa faria com que as aventuras do titular espião demorassem quase um quarto de século (!) a chegar a Portugal, onde apenas viriam a ser editadas em inícios de 1993, pela modesta Editorial Palmeira. E a verdade é que – talvez por causa desta demora, ou talvez por qualquer outro motivo – a série viria a falhar no mercado luso como falhara em todos os restantes, com excepção do jugoslavo, onde atingiu um nível de popularidade igual ou maior do que aquele de que gozava em Itália.

As margens do Mediterrâneo e do Atlântico eram, no entanto, bastante mais inclementes para 'Alan Ford' que as do Mar Báltico, sendo que a tentativa portuguesa de publicar a série se ficou pelos quatro volumes, com um quinto a não passar da fase de planeamento. Assim, os (poucos) leitores portugueses que tomariam contacto com a série apenas poderiam desfrutar das aventuras 'O Naufrágio do Daisy Lou', 'Terrorismo', 'O Menino Prodígio' e 'O Código Graffitt', uma minúscula amostra de uma banda desenhada que ainda hoje continua a ser editada em Itália, mais de sessenta e cinco anos após a sua criação - como termo de referência, seria como se em Portugal apenas tivessem sido editados os primeiros quatro álbuns de Astérix!

Os motivos para este total falhanço de Alan Ford em mercados estrangeiros (também durou pouco por terras francesas, brasileiras, dinamarquesas e sérvias, por exemplo) não são totalmente claros, já que a premissa da série é relativamente universal, e normalmente apreciada (uma sátira ao género da espionagem, semelhante ao que Mike Myers fez em 'Austin Powers', embora menos abertamente paródica); seja qual for a razão, no entanto, a verdade é que também em Portugal esta colecção não logrou singrar, sendo o único vestígio da sua existência uma ficha no essencial 'site' Bazar0. Jóia a descobrir ou mediocridade digna de esquecimento? Cabe a cada leitor decidir...

Tuesday, 28 April 2026

Terças Tecnológicas: 'Conker's Bad Fur Day' - A Aventura Mais 'Adulta' da Nintendo 64

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Apesar de, hoje em dia, o apelo dos videojogos ser absolutamente universal, a percepção da sociedade em geral sobre este tipo de produtos (e, sobretudo, sobre certos sub-géneros) continua a ser a de que o único público-alvo são as crianças e jovens. Em inícios do século XXI, esta visão era, se possível, ainda mais exacerbada – apesar da existência no mercado de franquias como 'Postal', 'Duke Nukem', 'Carmageddon' ou 'Grand Theft Auto' – pelo que o conceito de uma aventura em plataformas 3D, com gráficos coloridos e protagonistas antropomórficos, mas dirigida a um público declaradamente adulto era suficiente para fazer erguer (ou franzir) um sem-número de sobrolhos, e para garantir atenção imediata ao título em causa. E a verdade é que 'Conker's Bad Fur Day' (que celebrou no início deste mês os vinte e cinco anos do seu lançamento no mercado europeu, quase em simultâneo com os jogos da segunda geração de Pokémon) fazia por merecer essa fama, transformando aquela que seria 'apenas' mais uma cópia de 'Super Mario 64', 'Banjo-Kazooie' ou 'Croc' num dos jogos mais notáveis – e notórios – da galeria da Nintendo 64.

s-l1200.png

Isto porque Conker – um esquilo de feições tipicamente 'animadas', bem ao estilo de outras mascotes da Nintendo - não era o típico protagonista inocente e virtuoso que ele próprio encarnara no seu descartável jogo de estreia, 'Conker's Pocket Tales', lançado para Game Boy Color no Verão de 1999. Nesse jogo, os seus objectivos passavam por salvar a namorada e recuperar os presentes de aniversário que lhe haviam sido roubados; nesta sequela em três dimensões, a sua principal preocupação é regressar a casa após uma noite passada no bar (!) a beber (!!) com amigos prestes a embarcar para a guerra (!!!), Mais: no seu caminho de regresso, Conker aceita missões em regime mercenário, vê-se envolvido com a Máfia local, e acaba a combater um exército fascista com estética vagamente Nazi, tudo isto enquanto diz palavrões, fuma e combate inimigos como um literal 'monte de esterco' ou os referidos mafiosos, representados (previsivelmente) por doninhas, naquela que é uma subversão completa dos estereótipos aliados a este género de jogo, numa altura em que o sucesso de 'South Park' demonstrava a viabilidade deste tipo de iniciativa.

CBFD-graphics.jpg

Os gráficos animados e coloridos escondiam um guião mais do que adulto...

Não é, pois, de admirar que esta original abordagem, aliada aos comprovados méritos técnicos e narrativos dos jogos da Rare, tenham ajudado a tornar a segunda aventura de Conker num sucesso de vendas entre um sector do público-alvo que se posicionava como mais 'adulto', mas, ao mesmo tempo, se deliciava com instâncias de humor escatológico e palavreado mais 'colorido' naquele que aparentava, à primeira vista, ser um produto dirigido sobretudo a crianças – e que, nos primórdios do seu desenvolvimento, estava previsto ser precisamente isso. Há que louvar, portanto, o funcionário ou equipa da Rare que teve a ideia de transformar um genérico 'Quest' num 'Bad Fur Day' e, com essa simples 'guinada' numa direcção mais madura (embora nada sofisticada), ajudou a criar aquele que talvez seja o maior clássico 'de culto' (e, sem dúvida, o jogo mais politicamente incorrecto, mais do que qualquer título do referido 'South Park') alguma vez lançado para Nintendo 64.

Monday, 27 April 2026

Segundas de Séries: Vinte e Oito Anos de 'Camilo na Prisão' - 'Sentenciado' A Fazer Rir Os Portugueses

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Quando se fala de grandes nomes da comédia televisiva contemporânea em Portugal, Camilo de Oliveira surge logo a seguir a luminárias como Herman José, Vítor de Sousa e Raul Solnado, sendo talvez menos 'intemporal' que estes, mas tendo gozado de um extenso período de fama e sucesso durante as décadas de 90 e 2000, quando era quase impossível evitar ver pelo menos um excerto ou 'spot' publicitário de uma das suas inúmeras séries. Um desses muitos veículos para o humor brejeiro e abertamente popular do actor estreava no seu canal de sempre, a SIC, há exactos vinte e oito anos; é sobre essa série que nos debruçaremos nas próximas linhas.

MV5BMzQ1MGI3YzctNTQxYi00NjdhLTg1NjgtMWVmYjUwOTg2OD

Com um título o mais auto-explicativo possível, 'Camilo na Prisão' levava ao ar o seu primeiro episódio logo a seguir ao feriado nacional de Abril do ano de 1998, e trazia o titular Camilo no papel de um ladrão que, após um incidente de destruição em cadeia ao volante de um camião roubado, é sentenciado a cinco anos de prisão; claro está, no entanto, que esta premissa servia meramente como desculpa para as habituais peripécias típicas das séries do actor, um daqueles nomes que interpreta sempre uma variante de si próprio, mas de quem também é esperado que asism seja. Nesse capítulo, Camilo volta a não desiludir nestas suas 'férias' atrás das grades, bem coadjuvado por nomes como Henrique Viana ou Carlos César – o que, no entanto, não impede que esta produção seja apenas 'mais uma' na autêntica 'linha de produção' que Camilo e a SIC operavam durante o período em causa, 'debitando' uma temporada de uma dúzia de episódios antes de 'passar a outra'.

Ainda assim, quanto mais não seja pela efeméride da data de estreia (a 26 de Abril, tendo este 'post' falhado o vigésimo-oitavo aniversário por apenas vinte e quatro horas) vale a pena recordar este esforço relativamente 'menor' de um homem que, durante um período de cerca de cinco a dez anos em torno da viragem do Milénio, fazia consistentemente rir tanto a demografia-alvo deste 'blog' como os seus familiares mais velhos, agregando gerações como apenas os verdadeiros 'grandes' sabem fazer.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...