Sunday, 16 November 2025

Sábados aos Saltos/Domingos Divertidos: As Argolas de Empilhar - Um Brinquedo, Duas Funcionalidades

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 15 de Novembro de 2025.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Apesar de este 'blog' se focar, sobretudo, em temas ligados à infância e adolescência durante os anos 90, já anteriormente aqui dedicámos espaço a alguns dos mais populares brinquedos para bebé da época. É, precisamente, aos produtos destinados a essa faixa etária que regressamos este fim-de-semana, para falar de um produto capaz de propiciar tanto um Domingo Divertido a bebés na primeira infância, como um Sábado aos Saltos aos seus irmãos mais velhos: os jogos de argolas para empilhar.


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De função primariamente sensorial e didáctica (permitindo ao bebé praticar movimentos de retirada e colocação, aprender a discernir os tamanhos, e potencialmente até ficar a conhecer melhor as cores através de um processo de associação) estas argolas, cujo expoente máximo era o conjunto da Fisher-Price, também se prestavam a um tradicional jogo de pontaria, com o poste central como alvo – uma proposta a que poucas crianças, mesmo fora da demografia-alvo do brinquedo, seriam capazes de resistir, fosse dentro de casa, no quarto, fosse mesmo na rua, na companhia dos amigos, com cada um a atirar à vez.


O único potencial problema prender-se-ia, nesta instância, com o choro de um bebé infeliz, a quem o irmão, irmã, primo ou prima mais velha havia tirado o brinquedo para os seus próprios fins, e respectivo 'raspanete' e castigo por parte dos adultos responsáveis pela criança em causa – algo que muitos dos jovens em causa estariam dispostos a 'arriscar' face à ideia de um bom e velho jogo de 'tiro às argolas'. E a verdade é que, paradoxalmente (ou talvez não) estes conjuntos da Fisher-Price e da Chicco eram mais resistentes e de melhor qualidade que os equivalentes para crianças mais velhas, tornando pouco surpreendente a 'usurpação' supramencionada, e tornando-os num dos primeiros brinquedos memoráveis da vida de muitos 'X', 'millennial' e até alguns 'Z' portugueses.

Saturday, 15 November 2025

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de 'Snatch - Porcos e Diamantes' - A Consagração de Guy Ritchie

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 14 de Novembro de 2025.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


A par de nomes como Quentin Tarantino, Danny Boyle e Edgar Wright, o inglês Guy Ritchie faz parte de uma restrita lista de cineastas modernos capazes de conjugar na perfeição acção frenética, personagens carismáticos e diálogos 'impagáveis', produzindo filmes de acção 'inteligentes' de primeira categoria – no caso de Ritchie, especificamente incluídos na categoria de 'thrillers' com mafiosos londrinos como protagonistas. E se o seu primeiro filme, do qual já aqui falámos, colocou o inglês no 'radar' de muitos cinéfilos, seria a obra seguinte que verdadeiramente o consagraria como parte da 'nata' do cinema de autor moderno, tornando-se ao mesmo tempo um clássico de culto entre fãs do estilo de filme que produz. E com razão, já que 'Snatch – Porcos e Diamantes' talvez represente mesmo a cristalização perfeita de uma obra deste género.


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Prestes a completar um quarto de século sobre a sua estreia em Portugal – a 17 de Novembro de 2000 – o segundo filme de Ritchie mistura os seus típicos 'gangsters' com a versão britânica do povo cigano (constituída não pelos 'romani' bem conhecidos dos portugueses, mas sobretudo pelos chamados 'itinerantes irlandeses') numa trama suscitada, como o nome indica, por um diamante, o qual se perde na sequência de várias peripécias. Junte-se a isto uma segunda linha narrativa sobre um promotor de boxe e um campeão amador da modalidade que é também chefe dos ciganos (interpretado por um Brad Pitt 'acabadinho de sair' do não menos icónico 'Clube de Combate', e que aqui surge com um impagável sotaque irlandês) e estão reunidos os ingredientes para uma 'mistura explosiva' bem ao estilo de Ritchie, em que tudo não tarda a 'descambar' em cenas de acção e tiros, sempre apimentadas com muito sarcasmo, e o tipo de situações semi-cómicas que já ajudavam a distinguir o primeiro filme do realizador da 'maralha'.


A diferença para essa obra é que, em 'Snatch', tudo é ainda mais bem feito, já sem as hesitações típicas de um realizador de 'primeira viagem', substituídas pela 'mão segura' de quem sabe o que quer e como o atingir. O resultado é um filme de visualização ainda mais obrigatória do que 'Um Mal Nunca Vem Só', que pode e deve ser revisitado aquando de uma Sessão de Sexta, numa altura em que se celebram os exactos vinte e cinco anos da sua chegada às salas de cinema nacionais.

Quintas de Quinquiharia: Os 'Powercromos' da Panrico - Uma Promoção Simples, Mas 'À Prova de Falhas'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 13 de Novembro de 2025.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


No Portugal pré-Dragon Ball Z de meados dos anos 90 (e mesmo, durante algum tempo, em simultâneo com aquele histórico 'anime') os Power Rangers contavam-se entre as mais populares franquias entre o público mais jovem, sendo uma das pedras basilares por trás do sucesso da rubrica 'Buereré' da SIC. Os 'adolescentes com atitude' que se transformavam em super-heróis mascarados multicolores e derrotavam enormes monstros espaciais ao comando de um robô pareciam (como se vê por esta descrição) feitos 'à medida' para agradarem à demografia pré-adolescente, sobretudo no sector masculino, e foi precisamente isso que se verificou, não tardando até que a criação de Haim Saban e Shuky Levy demonstrasse ser uma verdadeira 'máquina de fazer dinheiro', dando origem a 'merchandising' (oficial e 'pirata') dos maiss diversos tipos, das inevitáveis figuras de acção, videojogos e vídeos de episódios a roupas, jogos de cama, fatos de Carnaval, e mesmo artigos alimentares, tendo, em Portugal, sido a primeira de muitas licenças a serem impressas no exterior dos famosos chupa-chupas Fantasy Ball, e dado a cara numa série de promoções e brindes de outros produtos 'comestíveis', como a que abordamos neste 'post'.


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(Crédito da foto: TodoColección)


Veiculados nos produtos Panrico (leia-se, Bollycao e Donettes) algures há trinta anos, os 'Powercromos Power Rangers' mais não eram do que isso mesmo – cromos autocolantes com imagens do programa da SIC e respectivos protagonistas, algumas tiradas dos próprios episódios, outras simples poses promocionais destinadas a publicitar o programa. No total, eram quase duas dezenas e meia de cromos para coleccionar – o que, claro, envolvia comer mais 'Bollycaos' do que até o mais glutão dos jovens da época poderia aguentar, fomentando o tradicional sistema de 'trocas' com outras crianças que também estivessem a fazer a colecção. A ausência de uma caderneta ou 'poster' onde colar os ditos-cujos, ou sequer de uma ordem declarada para os mesmos, fomentava, no entanto, uma utilização mais casual e descontraída para os mesmos, os quais seriam (à semelhança de outras colecções do Bollycao) mais passíveis de ser utilizados como decorações para a capa do caderno, porta do frigorífico ou gaveta da secretária do que como sérios objectos de colecção.


Ainda assim, e apesar da natureza simplista desta promoção, a popularidade da licença e do tipo de brinde entre o público-alvo tornava-a uma proposta de risco virtualmente nulo, e com enormes probabilidades de sucesso, fazendo com que não fosse preciso à Panrico pensar demasiado parra investir nesta empreitada, a qual, apesar de hoje algo esquecida, terá feito as delícias das crianças da época, habituadas a acompanhar semanalmente as aventuras dos jovens artistas marciais mascarados, e que passavam agora a poder também trazê-los no caderno ou estojo, ou colá-los no armário do quarto, afirmando assim o seu gosto por uma das mais populares séries infanto-juvenis do Portugal noventista.

Friday, 14 November 2025

Quartas aos Quadradinhos: Vinte e Cinco Anos de Bandas Desenhadas de 'Guerra das Estrelas' em Portugal

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 12 de Novembro de 2025.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


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Os três primeiros volumes publicados pela Planeta DeAgostini, no ano 2000.


À entrada para o Terceiro Milénio, a 'marca' 'Guerra das Estrelas' encontrava-se revitalizada, graças à estreia, no ano anterior, do primeiro filme original da série em mais de uma década e meia. De facto, apesar de 'Episódio I – A Ameaça Fantasma' ter dividido opiniões, a nova aventura da Ordem dos Jedi serviu, ainda assim, para apresentar 'Star Wars' a toda uma nova geração, e serviu como 'desculpa perfeita' para relançar a trilogia original de filmes em VHS e DVD, bem como para a criação de toda uma nova linha de 'merchandising', brindes e promoções alusiva à 'ópera espacial' de George Lucas, destinada não só ao comércio puro e duro, como também à expansão do 'universo alargado' da saga, um dos mais tradicionais aspectos ligados à mitologia da mesma.


Assim, foi sem surpresa que os mercados internacionais – incluindo o português – viram surgir um sem-número de novos produtos com a licença 'Guerra das Estrelas', e tão-pouco foi de espantar que, entre eles, se contasse uma grande variedade de livros e álbuns de banda desenhada. E se os romances, muito apreciados nos Estados Unidos, nunca chegariam a ser traduzidos (ao contrário do que se passara com outra grande propriedade intelectual de Lucas) as diversas histórias de banda desenhada da saga começariam a ser publicadas na Península Ibérica logo a partir desse ano de 2000, não pela então ainda ubíqua 'rainha dos quadradinhos' Abril-Controljornal (que publicara a primeira BD da franquia a surgir em Portugal, três anos antes), mas pela editora conhecida, sobretudo, pelas suas colecções em fascículos – a Planeta DeAgostini.


De facto, era a companhia espanhola quem se encarregava de colocar nas bancas ibéricas as 'novelas gráficas' do universo alargado de 'Star Wars', tendo, logo nesse ano, editado duas 'duplas' de livros, relativos às histórias 'O Fim do Infinito e 'Conselho Jedi', e uma aventura em volume único, 'Qui-Gon e Obi-Wan', todas as quais surgiam num formato que, então, apenas principiava a surgir em Portugal - em tamanho A4 e com capa plastificada e lombada, algures entre o 'livro aos quadradinhos' normal e os mais luxuosos álbuns a que tinha direito, por exemplo, a BD franco-belga. Esta dicotomia entre a edição 'popular' e algo mais sofisticado estendia-se, aliás, também ao interior, onde o papel e trabalho de impressão de grande qualidade eram algo 'prejudicados' por traduções ainda mais dúbias que as da Abril, por vezes quase como que adaptações directas do diálogo em Espanhol, com direito à pontuação característica daquela língua em certos balões!


Este aspecto menos cuidado contribuía, infelizmente, para prejudicar a qualidade global do produto, diminuindo o impacto daquelas que eram excelentes histórias de banda desenhada, sobretudo a nível do grafismo, e capazes de interessar e cativar não só os fãs existentes da saga, como também aqueles que começavam a dar os primeiros passos na descoberta da mesma. Nada, no entanto, que fizesse a Agostini mudar a sua estratégia, já que todos os álbuns subsequentemente publicados (e foram muitos!) apresentariam esse mesmo problema de tradução, ainda que o mesmo se tenha atenuado ao longo dos anos. Ainda assim, e apesar desse claro defeito, qualquer destas histórias de 'Star Wars' lançadas pela editora espanhola vale bem a descoberta, sobretudo no ano em que se completa um quarto de século desde o seu lançamento no mercado nacional. Fica a dica, tanto para os fãs de 'Star Wars' em específico, como de boa BD em geral.

Thursday, 13 November 2025

Terças Tecnológicas: Trinta Anos de 'Despiques Destruidores'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 11 de Novembro de 2025.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Ao pensar em jogos interactivos de corridas, a imagem que vem à mente é a do típico simulador, com voltas a uma pista e ultrapassagens a adversários, o ainda mais típico jogo de 'karts' de visual 'animado' ou, quanto muito, uma prova de 'rally' em que o objectivo é estabelecer o melhor tempo possível. Há exactos trinta anos, no entanto, um dos primeiros grandes títulos da era dos 32-bit logrou subverter com sucesso essa percepção, criando um jogo, à época, único, e cuja apurada realização técnica o tornou título-estandarte da PlayStation original, onde se tornou um dos primeiros de entre os muitos mega-sucessos da consola da Sony.


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Lançado na Europa há pouco mais de trinta anos (a 20 de Outubro de 1995) e na América do Norte três semanas depois (completando-se este fim-de-semana três décadas sobre a sua chegada aos escaparates americanos, a 16 de Novembro daquele ano) e baseado nos chamados 'demolition derbies' (algo como 'despiques demolidores') norte-americanos, 'Destruction Derby' ignorava por completo toda e qualquer tradição dos jogos de corridas, apostando, ao invés, num formato 'todos contra todos', em que o jogador e vários adversários se batiam frente-a-frente (literalmente) com vista à destruição mútua. Os aspectos técnicos, mecânicos ou estratégicos eram, pois, de somenos importância, tendendo a ganhar as provas quem era mais 'bruto' e tinha menos amor às peças do seu carro. Algo que, na vida real, é um daqueles 'desportos' de que só um certo nicho consegue gostar, mas que, em formato interactivo, ajudou a fomentar na juventude 'millennial' a 'sede' de violência automóvel, mais tarde 'alimentada' por jogos como 'Carmageddon' ou 'Grand Theft Auto' – com os quais, aliás, partilhou a velha polémica sobre violência excessiva nos videojogos, então no seu ponto máximo. A par desta 'atracção principal', havia ainda modos mais 'normais' (alguns sem qualquer elemento destrutivo), mas, ao lado da original premissa do modo principal do jogo, estes acabavam por parecer acrescentos supérfluos, criados apenas sob a percepção de que jogos com carros TÊM de ter provas tradicionais.


O modo 'Destruction Derby' por si mesmo já garantia, no entanto, que o jogo seria um retumbante sucesso de vendas, com mais de um milhão de cópias vendidas aquando das suas duas conversões de Agosto de 1996, e que se viria a tornar num dos primeiros títulos a fazer parte da iconica série 'Platinum' da Sony. E porque tudo o que é bem sucedido tem, inevitavelmente, direito a uma sequela, eis que, pouco mais de um ano após o original (e já depois do lançamento de versões para Sega Saturn e PC, ambas em Agosto de 1996), era lançado 'Destruction Derby 2', de novo para PC e PlayStation (tendo a Saturn, por esta altura, terminado já o seu lendariamente curto ciclo de vida).


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E porque 'em fórmula que ganha, não se mexe', este segundo jogo inseria-se declaradamente no campo das sequelas 'mais do mesmo, melhorado', com gráficos e sonoridade mais apurada, um tema mais próximo ao NASCAR norte-americano e a adição de 'boxes' e obstáculos nas pistas mas, de resto, exactamente o mesmo conceito, premissa e até modos de jogo. Curiosamente, a recepção a este jogo seria mais dividida do que ao original: enquanto que a versão para PlayStation seria tão bem ou melhor recebida do que a sua antecessora, a conversão para PC seria alvo de algumas críticas por parte da imprensa especializada – as quais, no entanto, não a impediram de ser um sucesso também naquele sistema, batendo, como o seu antecessor, a marca do milhão de cópias.


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Numa repetição do ciclo entre os dois primeiros jogos, o próximo lançamento da série seria uma conversão do título original para Nintendo 64, em 1999 (que levava o criativo título de 'Destruction Derby 64'), sendo que só depois, já no Novo Milénio, surgiria o terceiro jogo da série, 'Destruction Derby Raw', lançado a 30 de Junho de 2000 na Europa, e cinco meses depois (em finais de Novembro, mesmo a tempo de ser um dos grandes 'desejos de Natal' dos jovens da época) na América do Norte.


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A premissa, essa, continuava a mesma – embora, agora, fosse também possível 'combater' em ambientes urbanos, e mesmo no topo de arranha-céus, dos quais se podiam atirar os adversários, garantindo a sua destruição vários andares mais abaixo. A recepção crítica e do público, no entanto, ficava abaixo da dos dois primeiros titulos – talvez por o conceito estar a perder a originalidade, após outros jogos terem expandido a premissa de 'combate automóvel em arena', ou talvez por o terceiro título apresentar alguns problemas – e, como tal, 'Raw' é significativamente menos lembrado que os primeiros dois jogos da série, tendo sido o único até então a não atingir os volumes de vendas necessários à sua inclusão na série 'Platinum'.


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Não obstante, a Psygnosis faria mais uma tentativa de continuar a franquia numa nova geração de consolas, lançando, em 2004, 'Destruction Derby Arenas', o único título da série a extravasar a era dos 32 e 64-bits, surgindo na então lider de mercado PlayStation 2. No entanto, nova recepção 'mista' e um nível de interesse público bastante diminuído após quase uma década ditaram, mesmo, que seria esse o fim de uma franquia em tempos auspiciosa e plena de potencial, mas cuja premissa perdera entretanto toda a sua originalidade e apelo. Ainda assim, o sucesso dos dois primeiros jogos mais do que justifica a sua inclusão nesta rubrica, poucas semanas após o título original ter atingido a marca de trinta anos sobre o seu lançamento.

Tuesday, 11 November 2025

Segundas de Séries: Trinta e Cinco Anos de 'Twin Peaks', A 'Bizarrice' Apaixonante de David Lynch

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 10 de Novembro de 2025.


Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


No que toca a realizadores de cinema e televisão, David Lynch é, sem dúvida, um dos mais polarizantes, a par de nomes como Quentin Tarantino, James Cameron ou, mais recentemente, Christopher Nolan: a tendência do cineasta para 'abusar' dos elementos surreais e do subtexto, muitas vezes em detrimento de uma história coerente, faz com que a sua obra não seja, decididamente, para todos os gostos. No entanto, um trabalho de Lynch em particular tende a reunir maior consenso do que a sua restante produção, talvez por ser mais linear, ou talvez pelas 'ondas' de espanto que causou aquando da sua estreia: 'Twin Peaks'.


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De facto, a história da investigação em torno do assassinato de Laura Palmer (cujo assassino suscitou tanta especulação e teorização quanto o famoso JR de 'Dallas') constitui um daqueles casos em que, apesar de estar muito 'à frente' do seu tempo, uma série consegue reunir o consenso da crítica e do público, cimentando o seu lugar na História da televisão moderna e sendo lembrada e discutida até aos dias de hoje. Em Portugal – onde a série estreou há precisamente trinta e cinco anos, em Novembro de 1990, às quintas-feiras à noite – o caso não terá sido diferente, embora (ao contrário do que acontece com séries posteriores, como 'Sopranos' ou 'Os Homens do Presidente') sobrevivam hoje muito poucos registos da recepção do público português à 'bizarrice' de Lynch e Mark Frost.


Ainda assim, o número de emissões celebratórias de que a série foi alvo por ocasião dos seus trinta anos dá a entender que 'Twin Peaks' terá tido os seus fãs à época – entre os quais, quiçá, se contem alguns dos leitores mais velhos deste 'blog', membros da chamada 'Geração X', e que teriam siido adolescentes à época da transmissão original. É a eles que dedicamos estas poucas linhas celebratórias de uma das mais intrigantes e originais séries televisivas dos últimos quarenta anos, por ocasião do aniversário da sua estreia em Portugal.

Monday, 10 November 2025

Domingo Desportivo: Grandes dos 'Pequenos' - Pedro Miguel, o Filho 'Esquecido' de Santa Maria da Feira

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 09 de Novembro de 2025.


Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Há jogadores assim: não despertam a paixão dos adeptos fora do seu próprio clube, não partem em aventuras nos 'grandes' ou no estrangeiro, nem sequer são particularmente lembrados pelo grande repositório digital de memórias (pesquisar o nome e clube na Wikipédia talvez até direccione para um homónimo mais famoso) mas constroem carreiras honrosas, ligadas ao emblema de formação ou de coração, e encarnam a expressão que escolhemos para dar nome a esta rubrica, tornando-se verdadeiros 'Grandes dos 'Pequenos''.


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A única foto do jogador actualmente disponível na Web.


É o caso do jogador a que dedicamos estas linhas, por ocasião dos seus cinquenta e três anos, celebrados este fim de semana: Pedro Miguel Almeida Santos (mais vulgarmente conhecido pelos dois primeiros nomes) defesa formado no Feirense e que, à parte uma muito breve incursão pelo futebol amador à saída dos escalões jovens (no clube da terra, o Caldas de São Jorge) passaria nada menos do que quinze anos ligado ao histórico emblema nortenho, que acompanhou nos diversos 'altos e baixos' ao longo dos anos 90, tendo chegado a sagrar-se campeão da então II Divisão de Honra e militado mesmo no principal escalão português. E, embora tenha demorado algumas épocas a verdadeiramente se afirmar no esteio da defesa do seu clube de formação, uma vez conquistado esse estatuto, não mais o perderia, tendo sido peça activa das campanhas dos homens de Santa Maria da Feira entre as temporadas de 1994/95 e 1997/98, e elemento transmissor da 'mística', a partir do banco, nas duas seguintes.


Não seria, pois, senão na primeira temporada completa do Novo Milénio, já sem a mesma preponderância de outrora no seio do plantel, que Pedro Miguel finalmente deixaria em definitivo o clube que o vira nascer e crescer, regressando ao futebol amador ao serviço do Lusitânia de Lourosa. Não demoraria, no entanto, mais do que duas épocas até o defesa regressar a 'casa' – onde, infelizmente, se tornaria a ver algo 'proscrito', pouco passando da meia-dúzia de presenças ao longo da temporada de 2002/2003.


Esta situação motivaria nova transferência para as ligas amadoras, desta vez para o Pampilhosa, mas seria apenas na época seguinte que Pedro Miguel viveria novamente uma situação de estabilidade e preponderância dentro de um grupo de trabalho, vindo a tornar-se 'Grande' de um segundo 'Pequeno' ao serviço da Sertanense, onde viria a passar sete épocas – tantas quantas fizera como sénior no Feirense – e a pendurar as botas, já com quase quarenta anos. Para trás, ficava uma carreira discreta, quase sempre longe dos holofotes da ribalta, mas onde, ainda assim, lograra deixar marca consideravelmente longeva em dois clubes, e viver o sonho de jogar pelo clube da terra-natal, e do coração – bem vistas as coisas, uma história bem mais feliz do que a de muitos jogadores com perfil bastante mais destacado, e que lhe merece a homenagem nestas páginas por ocasião do seu aniversário. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...