Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.
'Um programa sobre nada'. É essa a premissa por trás daquela que é muitas vezes considerada uma das melhores séries televisivas de sempre, capaz de unir gerações na base da gargalhada, mesmo quando algumas das situações apresentadas são já algo ultrapassadas quer do ponto de vista social, quer mesmo de uma perspectiva funcional, sendo hoje improváveis ou muito fáceis quer de prevenir, quer de resolver. Ainda assim, o conceito-base – a dinâmica entre quatro melhores amigos solteirões, cada um com sua 'pancada', numa espécie de versão mais neurótica e sarcástica do contemporâneo 'Friends' – mantém-se universal, sendo presumivelmente, a par da genial escrita, o principal factor que continua a atrair espectadores de todas as idades, mesmo três décadas e meia depois da estreia original da série nos EUA.

Falamos, claro, de 'Seinfeld', uma das mais famosas e populares 'sitcoms' de sempre, e que lançou as carreiras dos seus quatro protagonistas – não só do comediante e criador Jerry Seinfeld (que interpreta uma versão semi-ficcional de si mesmo) como dos coadjuvantes Julia Louis-Dreyfus (que interpreta Elaine, a representante do sexo feminino no grupo), Jason Alexander e Michael Richards, estes últimos as verdadeiras 'estrelas da companhia', nos papéis do ultra-neurótico e inseguro George Costanza e do declaradamente tresloucado Cosmo Kramer, respectivamente. Juntos (e bem apoiados por profissionais da comédia como Larry David ou Jerry Stiller) os quatro criaram, ao longo dos nove anos de existência da série, situações e dichotes que penetraram na cultura popular não só do seu país de origem, como também de nações como Portugal – afinal, quem nunca lançou um 'nosoupforyou!' ou 'get outta here!'?
Com esta combinação única de talentos cómicos, excelentes guiões, tiradas icónicas (sempre ancoradas pela não menos intemporal e reconhecível linha de baixo 'slap' ouvido no genérico e em todas as transições) não é de admirar que, aquando da sua chegada a Portugal (curiosamente, já depois de concluída a transmissão nos EUA) a série tenha imediatamente granjeado um enorme número de adeptos, que passaram a sintonizar fielmente a TVI todas as noites, para meia-hora de riso garantido. Apesar de concebida num país com uma cultura completamente diferente da lusitana, a série adaptava-se marcadamente bem ao ambiente vivido no nosso País durante aqueles últimos anos do século XX, e 'caiu no gosto' de toda uma geração sarcástica, irónica e que se revia parcialmente naqueles personagens tão 'complexados' e cheios de problemas mundanos quanto eles, mas que se recusavam a deixar-se 'afundar' nas suas depressões, ou a criar dramas a partir das mesmas – o que, já de si, demarcava 'Seinfeld' da maioria das séries suas contemporâneas, e lhe dava um apelo muito mais intemporal do que as mesmas, ao mesmo tempo que a falta de 'linha condutora' ou enredo entre episódios convidava à revisão isolada dos momentos favoritos.
Prova dessa intemporalidade é, aliás, o facto de 'Seinfeld' fazer regressos periódicos aos ecrãs nacionais até aos dias de hoje (a última das quais em inícios de 2024) e marcar presença perene em muitos serviços de 'streaming', pronta a ser encontrada e apreciada pelas novas gerações, da mesma forma que sucedeu com os seus pais e até avós. Nada mau, para um 'programa sobre nada...'
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