NOTA: Este 'post' é correspondente a Terça-feira, 20 de Maio de 2025.
A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Até ao último terço do século XX, a captura de vídeo era algo apenas ao alcance dos profissionais, fosse pelo exorbitante preço do equipamento ou pela sua complexa funcionalidade. Mesmo depois de surgirem os primeiros formatos de vídeo caseira, a tecnologia em uso continuava a pautar-se pela rudimentaridade, com formatos como a Super 8 a suprirem apenas as mais básicas necessidades neste campo. De facto, na segunda metade da década de 80 que o vídeo caseiro se viria verdadeiramente a globalizar – e, mesmo então, com custos exorbitantes e proibitivos para a grande maioria das famílias ocidentais.
Tal não impediu, no entanto, que a câmara de vídeo caseira se tornasse um dos 'brinquedos' tecnológicos mais populares e cobiçados dos anos 80, e se difundisse no seio da sociedade a ponto de penetrar na cultura popular, fosse através de programas de vídeos caseiros como o 'Isto Só Vídeo!' ou por intermédio da caricatura do turista ou pai de família de câmara na mão, a captar cada momento das férias dos seus envergonhados familiares – ainda hoje um baluarte de um certo tipo de comédia. E a verdade é que esta popularidade não era, de todo, descabida, já que a simples possibilidade de captar momentos íntimos em cassette – fosse ela Betamax, VHS, ou até de um formato especial para câmaras de vídeo – e com qualidade quase profissional, longe das imagens granuladas e isentas de som da Super 8, era tão mirabolante e inacreditável quanto havia sido a de um sistema de jogos de vídeo caseiro, alguns anos antes. Não é, pois, de surpreender que duas gerações de ocidentais tenham gasto boa parte das suas economias numa câmara deste tipo, e boa parte da sua vida de rosto colado à mesma, a filmar memórias ao mesmo tempo que as criava.
Tal como inevitavelmente acontece com qualquer tecnologia, no entanto, também as câmaras de filmar caseiras se acabaram por tornar obsoletas. No entanto, ao contrário da maioria dos casos que aqui abordamos, tal deveu-se, não tanto à falta de interesse do público pela funcionalidade, ou à obsolescência da mesma, como ao facto de os referidos aparelhos terem sido directamente substituídos por outro – o 'smartphone', nova 'ferramenta' favorita dos cinéfilos amadores, que substitui a 'cassette' pela Internet, mas que continua a permitir captar momentos da vida quotidiana e guardá-los para a (quase) posteridade, podendo por isso ser considerado sucessor em espírito da tecnologia a que este 'post' diz respeito, e novo 'standard' de captura de vídeo para o século XXI, tal como o aparelho em causa o foi para os finais do Segundo Milénio.
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