NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-Feira, 28 de Maio de 2025.
Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.
Apesar de não serem, de todo, desejáveis, e de serem feitos consideráveis esforços para as evitar, as tragédias acabam, inevitavelmente, por se tornar o tipo de efeméride mais recordado e que mais facilmente penetra a cultura popular. O povo português não é excepção a esta regra, contando-se ainda hoje alguns exemplos que, volvidas múltiplas décadas, são ainda lembradas e comentadas em detalhe por uma parte considerável dos lusitanos mais velhos, e sobretudo por aqueles que vivenciaram a cobertura noticiosa das mesmas. É, precisamente, sobre um desses desastres – sobre o qual se assinalariam exactas três décadas e meia no dia originalmente planeado para a publicação deste post – que versam as próximas linhas.

Os resultados do embate
No dia 25 de Maio de 1990, entre as oito e as oito e meia da manhã, dois comboios partiam de duas estações diferentes, Sintra e Cacém, ambos rumo à capital. Pode parecer a premissa para um problema de física respeitante a velocidades relativas, mas trata-se, de facto, do preâmbulo de algo muito mais grave. Isto porque, no período acima mencionado, um grupo de passageiros havia ocupado a linha férrea na estação de Campolide, perturbando a circulação normal de comboios na Linha de Sintra, e obrigando o comboio que partira daquela estação a efectuar uma paragem no Apeadeiro da Cruz de Pedra. Em simultâneo, o comboio oriundo do Cacém foi incapaz de respeitar o semáforo amarelo encontrado após a estação de Benfica, não travando a composição a tempo de respeitar o sinal seguinte, vermelho, e de evitar a colisão com o comboio parado no apeadeiro, a qual teve lugar cerca de um quarto de hora antes das nove da manhã, instaurando o pânico entre os passageiros das duas locomotivas.

Localização aproximada do acidente.
Felizmente, apesar da força do embate (suficiente para destruir quase totalmente a primeira carruagem do comboio em movimento) o saldo final da colisão acabou por ser mais positivo do que o aparato da mesma poderia levar a crer, já que, apesar de terem ficado feridas mais de duas centenas e meia de pessoas, se lamentou apenas uma única fatalidade no local, à qual acresceu, depois, a de Francisco José Pereira, já no hospital. De registar, também, a rapidez e eficácia da estrutura de salvamento dos feridos montada pelo serviço de ambulâncias da PSP e pelos hospitais de Santa Maria e São José, que acolheram a breve trecho os pacientes. No total, a disrupção da circulação na linha de Sintra durou pouco mais de duas horas, o que não impediu que fosse lançada uma investigação relativa à falta de condições de segurança dos comboios e restantes infra-estruturas da CP, à época responsáveis por uma série de desastres ferroviários. O maquinista, inicialmente apontado como culpado, seria, assim, ilibado de quaisquer responsabilidades, as quais seriam atribuídas ao Governo e à própria CP.

Socorro e remoção dos feridos.
Felizmente, as décadas subsequentes vieram trazer uma maior modernização às infra-estruturas rodoviárias, embora se esteja, ainda, muito longe do patamar ideal, ou da equiparação com outros países da Europa. Ainda assim, é reconfortante (sobretudo para quem anda de comboio) saber que uma repetição desta ainda recordada tragédia é, hoje em dia, bastante menos provável do que o era há exactos trinta e cinco anos...
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