Monday, 17 April 2023

Segundas de Sucesso: Joker - 'Cabeludos' de Culto

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Apesar de significativamente atrasado em relação à maioria dos outros países europeus no que toca a movimentos culturais, o Portugal dos anos 80 e 90 acabava, ainda assim, por ver nascer representantes locais da maioria dos grandes movimentos artísticos da década. O mundo da música não era excepção a este respeito, e as últimas décadas do século XX acabariam mesmo por ver surgir artistas portugueses de outros géneros que não apenas o pop-rock de uns Xutos, GNR, Delfins ou Resistência ou a música popular de cariz 'pimba' - dos 'metaleiros' Xeque-Mate, Moonspell ou R.A.M.P. aos 'hip-hoppers' Black Company, Da Weasel e General D, passando pelos representantes do icónico movimento 'grunge', como Blind Zero, Lulu Blind ou SG's, ou ainda de estilos mais híbridos e alternativos, à semelhança dos praticados por bandas como Mão Morta, Ornatos Violeta ou até Madredeus.


Em meio a todos estes nomes bem sonantes para qualquer melómano da época, surgia também uma banda que, apesar de menos conhecida ou destacada, adquiriria estatuto de culto entre um certo sector da juventude lusa noventista: os Joker, grupo que procurava explanar uma sonoridade glam-rock numa altura em que esse mesmo movimento se encontrava em rápido declínio de popularidade a nível internacional.


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Ainda assim, o referido 'atraso' característico da cultura portuguesa da época permitiria ao quinteto da zona de Cascais gozar dos seus 'quinze minutos de fama' ente inícios e meados da década, e deixar um legado de dois álbuns bastante acarinhados pelos 'roqueiros' adolescentes daquela época. O primeiro destes (após duas das habituais 'demos' de início de carreira, produzidas em 1990 e 1991) foi 'Ecstasy', editado em 1992 pela 'major' Polygram, e que trazia dez temas, entre eles dois singles, 'Easy Come and Go' e 'Little Susie', esta última lançada com dois temas inéditos num CD promocional editado no ano seguinte.


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A algo perturbante capa do álbum de estreia do grupo.


A sonoridade, essa, inseria-se no extremo mais melódico e comercial do hard rock, ali mesmo a beirar o chamado AOR (Adult Oriented Rock), com fartas doses de teclados e baladas românticas a contrastar com o visual meio 'grunge' dos integrantes. Um som que teria, sem dúvida, conduzido o grupo ao mega-estrelato alguns anos antes, e que mesmo em 1992 (já no ocaso da popularidade do chamado 'hair metal') ainda foi a tempo de 'tocar' muitos jovens portugueses, e de servir de banda de apoio a nomes consagrados do movimento, como Extreme e Thunder.


Dado o ligeiro cheiro a 'naftalina' e especificidade temporal do som do grupo, seria legítimo esperar que se ficasse por aí a carreira destes Joker, adquirindo os mesmos o estatuto de 'curiosidade obscura' da cena rock nacional; no entanto, a banda liderada por Tiago Gardner e pelos irmãos Granger (Pedro e Hugo) não estava disposta a desistir tão facilmente, e – contra todas as expectivas – surge novamente dois anos depois, já sem o apoio da Polygram (e, portanto, sem nada a provar), de sonoridade renovada e prontos a 'atacar' uma cena musical em pleno fluxo.


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O segundo álbum do grupo contava com uma sonoridade significativamente diferente da do seu antecessor.


Isto porque de 'hair metal' já não resta em 'Egg Nightmare' qualquer resquício, tendo a sonoridade 'melosa' e comercial da banda dado lugar a – pasme-se! - algo mais próximo do 'funk rock' caótico e agressivo de uns Faith No More, com vocalizações semi-'rapeadas', 'riffs' de guitarra 'martelantes' e percussão carregada e opressiva! Uma jogada que muitas bandas da época – sobretudo de movimentos 'obsoletos', como o 'glam rock' – se viam obrigadas a empreender para sobreviver na era do 'grunge', mas que, infelizmente, resultou tão bem para a banda portuguesa como para qualquer das suas congéneres estrangeiras, tendo a mesma 'desaparecido no éter' pouco depois do lançamento do segundo álbum, que – escusado será dizer – não conseguiu repetir o impacto ou sucesso do seu antecessor.


Ainda assim, ao longo da sua fugaz mas marcante carreira, os Joker conseguiram fazer o suficiente para atingirem estatuto de 'culto' entre os ex-jovens que cresceram com o seu disco de estreia na colecção, algures entre os álbuns de Bon Jovi e Bryan Adams, merecendo por isso esta breve recordação nas páginas do nosso blog.

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