As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.
A segunda quinzena do mês de Abril, depois das férias da Páscoa, marca não só a entrada para o terceiro e último período do ano lectivo português (pelo menos em anos não-pandémicos) como também a altura em que os alunos do décimo-segundo ano ou aqueles no último ano do curso universitário começam a planear a sempre antecipada viagem de finalistas. Os anos 90 não eram excepção – antes pelo contrário, as viagens de finalistas eram eventos de ainda maior monta do que o são hoje em dia.

Exemplo moderno, mas bem típico, de um cartaz informativo sobre a viagem de finalistas.
Isto porque, como já aqui mencionámos anteriormente, o acto de viajar para o estrangeiro era consideravelmente mais moroso e dispendioso naquela época do que o é hoje em dia, pelo que a viagem de finalistas representava, para muitos jovens, a principal e melhor ocasião para conhecer locais diferentes e ter experiências de férias distintas das habituais; assim, não é de admirar que a maioria dos adolescentes e universitários portugueses investisse considerável interesse no referido evento, e que este se afirmasse como um marco dos dois anos lectivos em que decorria.
Tal era a ânsia de embarcar nessa 'aventura', aliás, que havia até quem antecipasse a mesma para as férias da Páscoa, normalmente com o fim de organizar uma ida 'à neve' antes da chegada declarada da Primavera; regra geral, no entanto, os destinos escolhidos eram consideravelmente mais solarengos, com o Sul de Espanha, o Brasil, e localidades então muito em voga, como Cancún, a surgirem normalmente à cabeça das listas elaboradas pela Associação de Estudantes. Isto porque, além do óbvio atractivo de passar uma ou duas semanas numa praia tropical, este tipo de viagens tendia, também, a facilitar os 'excessos' típicos da juventude, alguns dos quais acabavam mesmo mal para as turmas envolvidas, prejudicando mesmo, por vezes, a reputação da própria escola.
Este tipo de incidente era, no entanto, definitivamente a excepção à regra; a maioria das viagens de finalistas tendiam a decorrer sem incidentes de maior, e a cumprir o seu objectivo de deixar memórias indeléveis aos jovens que nelas tomavam parte. E apesar de os trinta anos seguintes terem tornado as viagens ao estrangeiro tão fáceis que quase se podem considerar triviais, é de crer que este continue a ser um evento causador de tanto entusiasmo e antecipação junto da chamada 'Geração Z' como o foi para a dos seus pais...
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