NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 30 de Julho de 2025.
A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.
O sucesso da recém-estreada reinvenção cinematográfica do eterno Super-Homem – considerada por muitos fãs como a melhor representação do herói no grande ecrã desde os saudosos filmes de Richard Donner – parece ter revitalizado a presença mediática e cultural do homem de Krypton, constituindo uma espécie de 'ressurreição' do personagem para uma nova geração. Nada melhor, pois, do que aproveitarmos o continuado momento cultural de Clark Kent/Kal-El para recordarmos o momento, em meados dos anos 90, em que os bedéfilos portugueses presenciaram aquilo que parecia impossível e inimaginável: a morte do Super-Homem.



Os diferentes volumes da saga.
Originalmente lançada ao longo de quase um ano, entre 1992 e 1993, a saga que relatava a mais pesada derrota do 'pai' dos super-heróis surgia nas bancas portuguesas mediante uma série de edições especiais, há cerca de trinta anos. A primeira parte da narrativa era contada num único album, em formato convencional mas de grossura dupla em relação ás revistas 'normais' da Abrile com brilho na capa, no qual era mostrada a chegada do monstro Apocalipse à Terra, a feroz batalha com ele travada pelo Homem de Aço, e o eventual sacrifício do mesmo como única forma de parar a perigosa criatura – um desfecho verdadeiramente inesperado (mesmo tendo em conta o título do volume) e muito comentado pelos leitores e fãs do herói.
A saga em causa estava, no entanto, longe de acabar e, enquanto os restantes heróis prestavam sentida homenagem ao seu colega caído com um 'Funeral Para Um Amigo' (em mais dois álbuns especiais, estes apenas de lombada grossa, semelhante à de um almanaque, e sem a capa 'especial' do primeiro volume), o homem de Krypton encontrava-se 'Além da Morte', num estado comatoso e alucinogéneo. Entretanto, na Terra, quatro novos heróis continuavam o seu legado, e procuravam consumar 'O Regresso do Super-Homem', num regresso aos álbuns em formato grosso e com capas trabalhadas (no caso três). Uma sequência absolutamente imperdível para qualquer fã de Kent/El, e que mudava a própria configuração de edições da Abril, a qual, após concluída a saga, reiniciaria a numeração das revistas do Homem de Aço a partir do número 1 e introduziria a nova publicação 'Superboy', dedicada ao mais popular dos quatro pseudo-Super Homens, um clone juvenil do próprio com o tipo de atitude 'radical' bem típica dos anos 90.
Mesmo sem esse acrescento ao já extenso acervo da magnata dos quadradinhos portugueses da época, no entanto, 'A Morte do Super-Homem' e volumes subsequentes representam um evento absolutamente histórico da BD, o qual teve, em Portugal, uma edição condigna à importância que acarretava – algo que nem sempre se podia dizer dos volumes supostamente 'especiais' lançados pela Abril. Assim, mesmo três décadas após o seu surgimento nos quiosques e tabacarias nacionais, esta série de volumes continua a justificar a leitura ou releitura, afirmando-se como um dos poucos lançamentos da Marvel ou DC da época a granjear esse estatuto, e justificando esta breve nota sobre a sua existência, numa altura em que Clark Kent e companhia estão mais longe da morte do que estiveram a qualquer ponto dos últimos trinta a quarenta anos...
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