Monday, 21 October 2024

Domingos Divertidos: Os Instrumentos de Brincar - 'Destruidores de Ouvidos' Para os Pais Noventistas

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 21 de Outubro de 2024.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


A aptidão para a música é algo que, sem ser inato, se começa a desenvolver desde muito cedo na maioria das crianças – pelo menos a julgar pelo grau de interesse que os instrumentos de brincar despertam nas mesmas, quase desde que conseguem andar e falar. De facto, muito antes da indescritível flauta de Bisel das aulas de música da escola vir tirar toda e qualquer vontade de aprender novos instrumentos - pelo menos durante alguns anos – já a maioria dos humanos de tenra idade começa a gravitar para aqueles 'fazedores de ruído', sabiamente adaptados pelas companhias produtoras para se adequarem a mãos ou bocas mais pequenas. E se grande parte deste mercado consiste tão sómente de instrumentos 'a sério' produzidos a uma escala mais reduzida, outro segmento comporta as verdadeiras 'estrelas' deste 'post' – aqueles instrumentos que, não obstante poderem ser tocados, ficam ainda assim muito mais perto de serem brinquedos do que apetrechos musicais credíveis.


                                        il_570xN.3432858947_had0.webpfa2d1e2c088c6118be698663d1c3bf28.jpg


Dois exemplos bem típicos de instrumentos de brincar da época.


E produtos deste tipo eram, certamente, coisa que não faltava no Portugal das décadas de 80 e 90. Entre brindes de jogos de feira, produtos da 'loja dos trezentos' e outros algo mais cuidados e comprados nas velhas lojas de brinquedos tradicionais, o grau de acessibilidade destes 'brinstrumentos' era alto, e a escolha variada o suficiente para satisfazer até a mais exigente das crianças, indo de cornetas ou bombos em plástico a mini-pianos electrónicos que cabiam na palma da mão (e que não devem ser confundidos com os também muito populares órgãos electrónicos, que se inserem firmemente na categoria de instrumentos 'reais') passando por tambores de lata e até produtos que quase roçavam a categoria de verdadeiros instrumentos, como as 'melódicas' ou as baterias de brincar, ou que o eram de facto, como as então muito prevalentes harmónicas.


Recaísse a escolha sobre que instrumento recaísse, no entanto, uma coisa era certa – iria ser necessário aos pais e familiares da criança em causa uma dose de paciência quase tão grande quanto a sua resistência a sons dissonantes. Isto porque mesmo crianças que não tinham acesso a qualquer dos instrumentos acima listados não deixavam de tentar fazer a sua própria forma de 'música', mesmo que esta surgisse sob a forma de colheres de pau a bater em baldes ou caixas de plástico, ou tampas de panela a serem entrechocadas à guisa de pratos – o que, até certo ponto, remete de volta para o argumento feito no início deste 'post', sobre a apetência por música ser inata.


Tal como sucede com muitos dos produtos abordados neste 'post', também os instrumentos de brincar sofreram tanto um declínio como uma mutação. Embora seja ainda possível encontrar mini-guitarras com luz e som e outros instrumentos semelhantes nas hoje lojas chinesas, a simulação de criação de música passou, sobretudo, para o domínio electrónico, com programas como 'Rock Band' e 'Guitar Hero' a tomarem o lugar das velhas cornetas em plástico ou tambores de lata. Quem teve o privilégio de dar largas à sua 'veia artística' num destes instrumentos mais 'clássicos', no entanto, certamente guardará memórias nostálgicas daqueles Domingos Divertidos passados a 'fazer barulho' pela casa inteira, e a 'destruir' inadvertidamente os ouvidos aos pais...

No comments:

Post a Comment

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

  Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos...