Monday, 31 January 2022

Segundas de Séries: 'Heathcliff, Heathcliff, É Um Gaaaatoooo...'

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Quando aqui falámos do primeiro programa infantil de sempre da TVI, 'A Casa do Tio Carlos', referimos que o mesmo tinha, inicialmente, tido dificuldade em se estabelecer como alternativa aos super-populares Brinca Brincando (da RTP) e Buereré (da SIC), e que tal desiderato só havia sido atingido depois de o bloco ter adquirido aquela que viria a ser a sua série-estandarte.


Essa série era 'Heathcliff', um 'cartoon' de inspiração declarada no então super-popular 'Garfield', mas que demonstrava originalidade e competência de execução suficientes para levar o seu público-alvo a sintonizar a TVI às tardes de semana, e para assegurar três anos de transmissão contínua no canal de Queluz - um ciclo de vida quase exactamente coincidente com o do programa de que fazia parte - bem como um regresso, já no novo milénio e em versão dobrada em Espanhol (!) nos canais infantis da TV por cabo (a razão pela qual não voltou simplesmente a ser exibida a mesma dobragem já existente não é, infelizmente, clara.)


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Heathcliff, o personagem que dava nome à série, tinha iniciado a vida como protagonista de uma série de tirinhas de banda desenhada destinadas à inclusão nos suplementos de banda desenhada dos jornais de fim-de-semana norte-americanos (os chamados 'Sunday funnies') onde, ironicamente, partilhava do mesmo espaço com a sua principal inspiração, Garfield. Ao contrário daquele gato cor-de-laranja, listrado e gordo, no entanto, ESTE gato cor-de-laranja, listrado e gordo estava mais interessado em pregar partidas ao leiteiro, ao peixeiro e ao inevitável cão da vizinhança, ou em namoriscar a não menos inevitável gatinha bonita da casa ao lado, do que necessariamente em comer e dormir – embora também fossem numerosas as piadas em torno da sua preguiça – evitando assim o rótulo de plágio total e completo, e justificando a continuidade da sua publicação, que se estendeu por várias décadas, e ainda a proposta de adaptação para desenho animado, já na década de 80.


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Uma tirinha de Heathcliff


Esta última não vinha, no entanto, sem algumas complicações; especificamente, os responsáveis por avalizar e aprovar o projecto achavam que a base das aventuras de Heathcliff era algo redutora para uma série completa de episódios animados (um meio substancialmente diferente do das 'comic strips') e que não iria captar e cativar a atenção do público-alvo. Foi, pois, considerado necessário 'incrementar' a nova série com novos elementos – uma decisão que viria a alterar completamente o espectro, recepção e percepção da mesma.


Isto porque a solução encontrada passou pela criação de um grupo de personagens totalmente inédito - um bando de gatos de rua (que incluía uma fêmea de anatomia marcadamente humana, que terá decerto inspirado muitas fantasias 'furry'), residentes num velho carro Cadillac abandonado junto a um ferro velho, e liderados por Riff-Raff, um gato atarracado, de enorme boina de ardina e lenço ao pescoço, numa espécie de cruzamento entre Scrappy-Doo (o sobrinho de Scooby) e Manda-Chuva. Este novo grupo (conhecido, na versão original, como Catillac Cats) não tardaria a roubar protagonismo ao personagem que dava nome ao programa, tornando-se, para muitos dos pequenos espectadores, o principal motivo de interesse do mesmo.


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Os novos personagens criados em exclusivo para a série


Isto porque, enquanto os episódios centrados em Heathcliff seguiam uma vertente mais próxima dos 'comics' originais, baseada em humor pastelão e frenético de moldes clássicos, Riff-Raff e o seu bando tendiam a protagonizar histórias de cariz mais voltado à aventura, e com maior ênfase na história, num estilo mais próximos dos programas que faziam sucesso à época. No entanto, tal como havia fãs de Riff-Raff e do seu bando, também havia quem apenas quisesse acompanhar as aventuras cómicas do 'gato bem disposto e educado', considerando as segundas partes de cada episódio da série apenas como um 'mal necessário'.


No cômputo geral, no entanto – e apesar das histórias algo simplistas e da animação notoriamente barata e pouco cuidada – 'Heathcliff' conseguia oferecer um pouco de tudo, aliando (ainda que nem sempre com grande fluidez) a vertente de animação mais clássica com as características necessárias a uma série dos anos 80 e 90. Sem ser um programa histórico ou até digno de especial relevo (o seu aspecto mais memorável será mesmo o irresistível genérico, interpretado por Paulo Brissos), a série representava uma forma perfeitamente válida (e não-violenta) de passar meia-hora depois da escola, e certamente despertará memórias nostálgicas, ainda que vagas, em alguns dos leitores deste blog. E para quem não se lembra, deixamos abaixo um pequeno 'activador' de memória...


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