Saturday, 13 November 2021

Saídas ao Sábado: A Ida à Feira

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


Recentemente, falámos aqui das expedições ao supermercado do bairro; hoje, vamos abordar a outra formar de obter mantimentos – estes mais frescos – bem como outros artigos de uso diário, como vestuário: a ida à feira ou mercado.


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Antes de começar a falar sobre este assunto, há, no entanto, que fazer a distinção entre o mercado de bairro ou aldeia – vulgo 'a praça' – e as feiras, mais esporádicas e, normalmente, de maiores dimensões. Nos primeiros, encontrava-se (e encontra-se) sobretudo comida, com apenas algumas bancas dedicadas à venda de roupa ou artigos utilitários; já nas feiras, a distribuição é mais irmanada, havendo lugar a barracas de roupa, comida, artigos para casa, e por vezes até produtos e bens mais insólitos, como malas, electrodomésticos, brinquedos, música ou até animais. O denominador comum entre ambos é o facto de serem – tanto nos anos 90 como hoje – locais extremamente entusiasmantes da perspectiva de uma criança.


E aqui há que fazer ainda outra distinção – nomeadamente, entre aqueles que visita(va)m estes espaços como fregueses, e aqueles que acompanhavam os pais no comércio, visto ambos terem experiências diametralmente diferentes. Quem visitava para se 'aviar', certamente recordará a excitação de ver tudo o que o espaço tinha para oferecer: admirar as peças de roupa obviamente de contrafacção, analisar os brinquedos e eletrodomésticos apresentados sobre uma simples mesa de madeira, ponderar se os jogos para 'Game USA' naquela outra banca funcionaram no seu Game Boy oficial, e por aí adiante; jà quem assistia os pais na venda associará certamente as feiras e mercados a madrugadas, trabalho braçal, mas talvez também a sensação de contribuir para a economia familiar, e o orgulho de conseguir fazer uma venda por si mesmo, sem a ajuda dos pais.


Vivências, como se disse, muito diferentes, mas ambas merecedoras de serem recordadas, parte integrante que são de um tempo que já não volta mais – ainda que as feiras e mercados, em si mesmos, não tenham mudado por aí além (ou de todo) as experiências das crianças de hoje ao visitarem ou participarem neste tipo de evento são, forçosamente, diferentes, influenciadas como são por uma série de factores que, no tempo a que este blog concerne, ainda não existiam. Este pequeno texto pretendeu, pois, recordar a vivência das crianças dos anos 90 a esse respeito – quem quiser e souber, que fale de como ela era para a geração seguinte..

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