Friday, 10 February 2023

Sessão de Sexta: 'Titanic' - Na Tragédia, O Romance

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Há 'blockbusters' mais 'blockbusters' do que outros. Apesar de a maioria dos filmes de grande orçamento ser um sucesso de bilheteira (tanto assim que as excepções entram para a História precisamente por esse facto) há uma categoria 'à parte' dentro dos mesmos, especialmente para aqueles filmes que, para além de terem um bom desempenho financeiro, batem recordes ou são recordados para a posteridade por outros motivos. E apesar de, nesta era de três filmes da Marvel por ano e um novo capítulo dos 'Vingadores' a cada dois ou três, tais métricas e distinções se começarem, rapidamente, a banalizar, tempos houve em que filmes destes apareciam, no máximo, duas a três vezes por década, e se tornavam autênticos fenómenos culturais, não só entre a juventude, mas entre fãs de cinema em geral, suscitando posteriormente reacções do tipo 'Onde é que estavas quando saiu tal filme...?'. A título de exemplo, em todos os anos 90 (uma das melhores décadas de sempre no tocante a cinema) entram para esta categoria não mais do que uma mão-cheia de filmes: 'Exterminador Implacável 2', 'Parque Jurássico', 'Matrix' e a obra que hoje abordamos, e que completou há pouco menos de um mês um quarto de século sobre a sua estreia em Portugal; e porque, nessa altura, estávamos ocupados a celebrar os trinta anos da estreia de 'Quanto Mais Idiota Melhor', vimos agora rectificar essa lacuna, e dedicar algumas linhas a uma das películas mais divisivas (e bem-sucedidas) da História do cinema moderno.


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Falamos, como é evidente, do inevitável e inescapável 'Titanic', o projecto megalómano de James Cameron que conseguiu transformar uma das maiores tragédias reais do século num ícone do cinema romântico, amealhando pelo caminho uma quantia recorde nas bilheteiras de todo o Mundo – incluindo nas portuguesas, onde o filme estreou a 18 de Janeiro de 1998 e de imediato conquistou os corações das cinéfilas femininas.


Fazendo uso explícito do 'sex appeal' de Claire Danes e de um Leonardo DiCaprio em estado de graça, no auge da sua fase de galã pós-adolescente, o filme tornar-se-ia um dos principais exemplos utilizados em qualquer debate sobre as divisões entre sexos; isto porque qualquer elemento do sexo masculino da epoca, especialmente abaixo de uma certa idade, tinha como dever odiar veementemente 'Titanic' - tarefa que, convenhamos, não era difícil, dados os exageros dramáticos a que o filme repetidamente se presta, já para não falar na presença de um dos piores temas de banda sonora de sempre.



NãOoOoOoO...!!!!!


De uma perspectiva mais adulta, é fácil ver que a película de Cameron não deixa de ter pontos fortes – em particular o início, em que DiCaprio se revela mais do que apenas uma 'carinha laroca' dando alguma substância ao simpático burlão Jack, sem falar nos espantosos e avassaladores argumentos técnicos – mas também não deixa de ser fácil admitir que o filme se presta a todos os 'memes', citações e paródias que suscitou nos seus vinte e cinco anos de existência. 'Exterminador 2' e 'Aliens' já tinham deixado bem claro que Cameron não é, exactamente, um cineasta subtil, mas os arroubos presentes em quase todas as cenas entre Jack e a sua amada Rose quase roçam a auto-paródia. De 'sou o rei do Mundo!' a 'estou a voar, Jack', há, de facto, muito com que 'gozar'...mas também muito que recordar, o que talvez tenha sido a intenção de Cameron – e, dessa perspectiva, a estratégia resultou em cheio, sendo este filme, pelo menos, tão 'citado' hoje em dia como os referidos 'Matrix' ou 'Exterminador 2'.


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Uma imagem que dispensa maiores legendas.


Vinte e cinco anos volvidos, e longe de todo o frenesim mediático e cultural em torno do filme, 'Titanic' aparece como aquilo que é: um 'blockbuster' normalíssimo, em que a história é apenas uma desculpa para ver pessoas bonitas em situações românticas – uma espécie de 'Top Gun' com um barco em vez de aviões, e sem final feliz para o casal principal. Uma pena, pois o projecto em si era perfeitamente válido e, com o orçamento megalómano que tinha ao dispôr, Cameron poderia ter feito um belíssimo drama histórico sobre a tragédia do 'Titanic', uma história já de si difícil de 'processar' como sendo real; ESSE filme, no entanto, dificilmente teria batido recordes de bilheteira, posto meio Mundo a suspirar por Leonardo DiCaprio e entrado para a História como um dos maiores 'blockbusters' de sempre, pelo que, de uma perspectiva comercial, não se pode )infelizmente) deixar de considerar que Cameron fez a escolha certa, ainda que a expensas de uma história que não só merecia ser devidamente contada, como também se prestava muito bem a um formato cinematográfico.

Thursday, 9 February 2023

Quintas ao Quilo: O Miluvit

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


Hoje em dia, os nomes Nestum e Cérélac fazem parte daquela gama de produtos perenes e aparentemente imortais, apreciados e partilhados por múltiplas gerações de crianças desde o seu aparecimento; no entanto, existiu, nos anos 80 e 90, uma outra farinha láctea, tão bem-sucedida quanto estas, mas cuja sorte foi diametralmente oposta, não tendo sobrevivido ao virar do Milénio, e tendo como principal referência cultural hoje em dia a sua icónica mascote.


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Falamos do Miluvit, a 'papa do Vitinho' que, durante as décadas em que este mandou para a cama duas gerações de crianças através dos seus lendários segmentos musicados transmitidos na RTP1, chegou a fazer concorrência no mercado português ao líder Nestum, mas que, com a perda de relevância do seu 'embaixador' (substituído pelo não menos icónico Patinho) acabou por desaparecer quase imperceptivelmente das prateleiras dos supermercados e hipermercados nacionais.


Ainda assim, no seu auge de popularidade, o Miluvit conseguiu tracção suficiente entre o seu público-alvo para chegar a contar com quatro sabores – além do tradicional mel, sabor de base para as farinhas lácteas infantis, havia também variantes de arroz (em concorrência directa a outro popular sabor da gama Nestum), maçã (talvez a mais saborosa das quatro) e multicereais, esta semelhante ao actual Nestum de cereais integrais. Qualquer uma delas constituía uma excelente alternativa ao Nestum, sobretudo para quem gostava da papa menos doce.


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As quatro variantes da papa existentes no mercado noventista.


Por muito boa que fosse a papa, no entanto, era inegável que o verdadeiro 'argumento' do Miluvit era a sua mascote, que ocupava sempre o centro de qualquer campanha promocional da marca, e cuja popularidade justificava mesmo a produção de artigos de merchandise, como uma almofada, numa alusão directa aos mega-populares segmentos 'Boa Noite, Vitinho'.


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A almofada do Vitinho (crédito da foto: Ainda Sou do Tempo)


Assim, quando os referidos segmentos saíram do ar e o personagem de José Maria Pimentel se passou a cingir às caixas de papa, foi com naturalidade que se verificou um declínio na popularidade do Miluvit, cuja época áurea termina ainda antes da passagem de Milénio: ainda assim, para quem viveu no tempo das 'duas papas', este não deixará de ser um produto nostálgico, quanto mais não seja pela presença do menino camponês dorminhoco nas suas caixas.

Wednesday, 8 February 2023

Quartas aos Quadradinhos: 'Os Amigos da Qualidade' - Uma Iniciativa Imperfeita, Mas Louvável

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Apesar de ser prática corrente em outros países, o uso de personagens licenciadas para efeitos institucionais é, ainda, um recurso pouco explorado em Portugal; enquanto que no Brasil a Turma da Mônica é utilizada para os mais diversos fins educacionais, e nos EUA as Tartarugas Ninja e Bart, o mais velho dos três filhos dos Simpsons, chegaram a dar a cara pelo movimento anti-droga, em território nacional, qualquer iniciativa deste tipo tende a ser levada a cabo com personagens especificamente criados para o efeito, como o Luzinha da EDP. No entanto, durante os anos 90 (concretamente entre 1998 e 1999) houve pelo menos uma tentativa de aproveitar personagens populares entre o público mais jovem para tentar passar uma mensagem informativa e de sensibilização, sob a forma de duas bandas desenhadas criadas pelo Instituto Português da Qualidade, em parceria com a revista Super Jovem.


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O segundo dos dois volumes da mini-série (crédito da imagem: Tralhas Várias)


Intitulados 'Os Amigos da Qualidade', estes dois volumes viam o Rato Mickey e o seu inseparável amigo Pateta – 'estrelas' maiores da 'constelação' das BDs Disney da época – embarcarem em duas aventuras em Vila Avaria, uma povoação vizinha de Patópolis caracterizada, como o próprio nome indica, por padrões de qualidade cómica e caricaturalmente inexistentes; cabe, assim, ao rato mais famoso do Mundo sensibilizar a população quanto a verificações de qualidade, enquanto tenta travar as tentativas de aproveitamento deste 'desleixo' por parte do eterno rival e fora-da-lei João Bafo-de-Onça. Uma premissa interessante, e que poderia ter rendido boas aventuras, não fora a execução algo 'desleixada' do projecto.


De facto, muito mais do que os horríveis desenhos da fase moderna/italiana (que certamente terão os seus fãs, embora não seja o caso por aqui) os dois volumes desta mini-série (se assim se puder chamar a algo deste tipo) pecam pelos diálogos algo óbvios e até condescendentes, e pelo reaproveitamento algo óbvio de elementos, sendo que basta ver como o chefe da polícia de Vila Avaria é, em tudo, gémeo do de Patópolis para se perceber que esta história talvez não seja totalmente criada 'à medida'. Embora muitos criadores de conteúdos para jovens não levem este factor em conta, este tipo de mensagem tende a ser melhor aceite pelo público-alvo quando transmitida com subtileza e cuidado aparente na criação, algo em que estas bandas desenhadas deixam um pouco a desejar.


Ainda assim, esta não deixava de ser uma iniciativa louvável de transmitir uma mensagem importante, embora o seu impacto real seja difícil de medir à distância de vinte e cinco anos; nostalgicamente, estes volumes encontram-se algo Esquecidos pela Net – embora seja possível 'sacar' um deles neste link – mas talvez algum dos nossos leitores que ocupe, hoje em dia, um cargo de inspector de qualidade ou semelhante nos possa dizer até que ponto estas duas Bds o influenciaram na sua escolha. Até lá, fica aqui o 'post' a recordar esta iniciativa inusitada e até única em Portugal, que apesar de algumas falhas óbvias, não deixou de ser meritória...

Tuesday, 7 February 2023

Terças de TV: 'Trocado em Miúdos', ou, a Importância das Memórias Pessoais

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Há programas assim. Para cada transmissão televisiva nostálgica, e fomentadora de múltiplos artigos nos mais diversos blogs e sites por essa Internet afora, há tantos outros que parecem ter caído no esquecimento total, e sobre os quais poucas informações se podem encontrar, à excepção daquelas que, por uma razão ou outra, retivemos na memória. O concurso de que falamos hoje pertence a esta última categoria, sendo o nosso tema mais Esquecido Pela Net desde os sumos do Astérix, e um dos (muito) poucos para os quais não nos foi possível encontrar imagens, vídeos, ou qualquer outra referência para além de uma página de créditos no iMDB; de facto, quase seria possível descartar este programa como fruto da nossa imaginação infantil, não fosse o não-tão-pequeno detalhe de termos feito parte do mesmo.


Sim, leram bem – com a tenra idade de nove anos, o autor deste blog foi escolhido para representar a sua turma do quarto ano (e, por arrasto, a sua escola) como uma das crianças encarregues de 'dar as pistas' aos concorrentes de 'Trocado em Miúdos', um concurso cujo ciclo de vida foi breve, e o impacto nostálgico, ao que parece, praticamente nulo. O que não deixa de ser pena, visto que o formato tinha uma premissa, até, bem divertida – em cada emissão, um grupo de concorrentes (adultos) tentava adivinhar uma série de palavras e conceitos definidos, em vídeo, por grupos de crianças em idade de instrução primária. O resultado era, previsivelmente, hilariante, com os 'definidores' a dividirem-se, normalmente, entre os genuinamente precisos e concisos, aqueles que tentavam arranjar definições mais criativas, como foi o caso daquele que vos escreve, e os que simplesmente se atrapalhavam e 'atropelavam' nos pensamentos, dificultando ainda mais uma tarefa já de si nada simples.


E pronto – acabámos de descrever tudo aquilo de que nos conseguimos lembrar do concurso (tirando, claro, a parte das filmagens em si, levada a cabo na ludoteca da escola, em poucos 'takes', e com a equipa técnica visivelmente a divertir-se com as divagações mentais do seu 'protagonista'). O resto fica por conta do iMDB, que aponta a participação de nomes 'carimbados' da televisão portuguesa (e da TVI daquele período, em particular) como são os casos de Teresa Guilherme, Ricardo Carriço, Maria Vieira, Henrique Viana e até Sérgio Godinho! Infelizmente, conforme referimos acima, não nos é possível confirmar, ou mesmo apresentar provas, para qualquer destas informações, dado não haver sequer um vídeo de YouTube ou Dailymotion sobre o programa; ainda assim, não quisemos deixar de recordar um dos programas da época que mais memória nos deixou – quanto mais não fosse pelo envolvimento pessoal – e cuja total ausência do mundo cibernético não se pode considerar menos do que muito estranha...

Monday, 6 February 2023

Segundas de Sucessos (de Carnaval): Croquete, o 'Palhaço Cantor'

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Quando se pensa em vozes próprias para gravar um disco, ou até mesmo uma só música, o tom propositalmente agudo e nasalado de um palhaço não é, decerto, a primeira coisa que vem à mente; e, no entanto, só em Portugal, foram pelo menos dois os casos de palhaços a conseguirem enorme sucesso com a edição de álbuns inteiramente cantados por eles. Assim, neste que é o mês do Carnaval, dedicar-nos-emos a explorar a carreira musical desses artistas, começando esta semana pelo palhaço Croquete, e dedicando a próxima rubrica ao mítico álbum do Batatoon, sucesso absoluto junto do público infantil e, curiosamente, parcialmente criado e interpretado pelo antigo parceiro de Croquete, o palhaço Batatinha.


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Essa análise ficará, no entanto, para a próxima Segunda de Sucessos; esta semana, voltaremos a nossa atenção para António Assunção, desde finais dos anos 70 conhecido pelo nome profissional de Croquete, e que se destaca dos seus restantes companheiros de profissão, precisamente, pelos seus dotes musicais, que lhe valeram a alcunha de 'Palhaço Cantor' e fomentaram uma vasta carreira discográfica ao longo das duas décadas seguintes. De facto, são nada menos do que cinco os álbuns de originais lançados sob esse nome, ao qual se junta ainda um sexto – o primeiro, 'Palhaços À Solta', de 1981 – em parceria com Batatinha. As crianças dos anos 90, no entanto, conhecerão Croquete, sobretudo, pelo seu quarto disco, 'Muita Fruta', lançado em 1991, mesmo a tempo de cativar toda uma nova geração de potenciais fãs, nascidos já depois do auge da carreira do artista.


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Composto por dez faixas, 'Muita Fruta' tem a particularidade de se inserir declaradamente num estilo 'pimba', sendo que, com ligeiros ajustes temáticos, sem os coros infantis e com a 'voz de palhaço' substituída por um verdadeiro vocalista, faixas como 'Fruto Eu Ou Frutas Tu' poderiam, perfeitamente, ser comercializadas a um público adulto, ao contrário do que acontecia, por exemplo, com o pop infantil de 'As Canções do Lecas', lançado no ano anterior, ou com as pitorescas 'cantilenas' movidas a guitarra acústica de José Barata Moura ou Carlos Alberto Moniz (as quais são, ainda assim, evocadas em 'Linda Romã', 'Ai Que Bom Que É' ou 'A Doença do Pomar Tropical'.) A maioria das faixas do álbum movem a ritmo de 'bailarico', ideal para animar festas de Carnaval ou de Verão de aldeia, e o instrumental do tema-título permite, até, perceber onde os Mamonas Assassinas foram buscar inspiração para a sua paródia da música popular portuguesa em 'Vira-Vira'. Aqui e ali, há uma tentativa de diversificar a sonoridade ou apresentar outras influências (sobretudo brasileiras, como em 'O Barco das Bananas', ou latinas) mas a base musical de Croquete, pelo menos neste álbum, fica mesmo no domínio do 'pimba', embora neste caso dirigido a um público mais jovem.


Curiosamente, apesar de a sua carreira ter continuado, com participações televisivas e milhares de espectáculos de Norte a Sul do País, Croquete só voltaria a gravar novo disco mais de uma década e meia depois de 'Muita Fruta'; sem surpresa, dada a imutabilidade e intemporalidade geracional da música 'pimba', o novo disco oferece mais do mesmo, ficando na linha de outras produções dirigidas a um público infantil, tal como já acontecia com o seu antecessor na respectiva época. Quanto ao intérprete em si, apesar da menor projecção mediática em relação ao ex-parceiro, o mesmo manter-se-ia na activa, tendo já celebrado a marca de quarenta anos a fazer rir as crianças portuguesas – um feito notável para aquele que foi não só o pioneiro da 'palhaçada' em solo nacional, como também um artista discográfico mais bem sucedido do que alguém poderia imaginar...


 

Sunday, 5 February 2023

Domingos Divertidos: Salta o Pirata

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


De entre os muitos brinquedos, jogos e diversões com que uma criança ou jovem tem contacto ao longo da sua vida, existem alguns cuja maior influência ou associação a boas recordações faz com que a sua memória se preserve durante um período maior do que o habitual – e, para muitas crianças portuguesas dos anos 90, o jogo 'Salta o Pirata' (ou 'Pop-Up Pirate', no original) fará, sem dúvida, parte desse lote.


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A meio caminho entre um jogo de perícia, um jogo de tabuleiro e um brinquedo propriamente dito, o carismático pirata dentro de um barril surgiu, durante as últimas décadas do século XX, nas mais diversas formas, e comercializado pelas mais diversas companhias – uma situação que, aliás, se continua a verificar até aos dias de hoje, sendo o jogo ainda relativamente fácil de encontrar nas prateleiras de supermercados, hipermercados e lojas de brinquedos, pronto a ser descoberto e apreciado pela geração digital.


E a verdade é que, ao contrário de outros brinquedos que faziam as delícias dos jovens de fins do Segundo Milénio mas parecem, hoje em dia, ultrapassados, ainda há muito de que gostar em 'Salta o Pirata', sobretudo devido à simplicidade do seu conceito e jogabilidade. O objectivo do jogo, como o próprio nome indica, é fazer com que o pirata 'salte' para fora do seu barril, sendo para isso necessário encontrar a ranhura correcta, de entre as muitas situadas a toda a volta do referido objecto; a única maneira de saber qual a que vai 'picar' o pirata é, por sua vez, inserir as espadas de plástico incluídas com o jogo nas referidas ranhuras, uma de cada vez, até que a acção desejada se proporcione. Um conceito simples, mas que reúne muitas das características que ajudam a 'fazer' um brinquedo de sucesso para o seu público-alvo, não sendo por isso de admirar que se mantenha popular até aos dias de hoje.


De ressalvar que, nos anos 90, parte dessa popularidade esteve relacionada com a omnipresença do brinquedo, um daqueles produtos que tanto fazia bem as vezes de presente de anos ou Natal como de oferta mais 'casual', brinde numa rifa ou sorteio ou até prenda numa festa de Natal empresarial, escolar ou de clube desportivo, forma através da qual foi obtido um dos dois exemplares do jogo existentes lá por casa à época. Fosse qual fosse o meio pelo qual chegava às mãos do seu público-alvo, no entanto, um facto é inegável: 'Salta o Pirata' foi, e continua a ser, um jogo extremamente popular, e capaz de proporcionar Domingos Divertidos a crianças de todas as idades, mesmo na era sumamente digital que atravessamos.

Saturday, 4 February 2023

Sábados aos Saltos: As Trotinetes

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Em edições passadas desta rubrica, falámos de alguns dos mais populares meios de locomoção infanto-juvenis dos anos 90, dos carrinhos e motas eléctricos para os mais pequenos às bicicletas BMX, 'karts' a pedal, skates ou patins em linha; esta semana, chega a altura de adicionar mais um item a essa lista, sob a forma de um veículo intemporal e que gozou de vários 'regressos' ao longo das últimas décadas – o mais recente dos quais sob a forma de meio de locomoção sustentável urbana.


Falamos da trotinete, esse perene elo de ligação entre o 'skate' e a bicicleta, em tempos visto como estritamente para crianças pequenas, mas que, com o advento dos desportos radicais e do Novo Milénio, passou também a encontrar grande aceitação junto de um público ligeiramente mais velho, que não teria, anteriormente, querido de forma alguma ser associado a algo deste tipo.


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Exemplos modernos do que se entendia por trotinete no início e no final da década de 90.


De facto, nos primeiros anos do século XXI, as trotinetes deixaram de ser plásticas e com cores habitualmente associadas aos muito jovens, para passarem a ter um 'design' mais 'radical', em metal monocromático, e práctico, já que as mesmas se podiam dobrar ao meio e acondicionar dentro do saco oferecido no momento da compra – uma medida que, acredita-se, tenha sido bem aceite por muitos pais, já que os referidos veículos podiam, agora, ser guardados a um canto do quarto, sem que houvesse a necessidade de reservar espaço para elas na garagem. Estranhamente, e ao contrário tanto das suas antecessoras como de muitas outras modas abordadas nestas páginas, este modelo de trotinete nunca saiu totalmente de moda, sendo ainda possível ver a ocasional criança ou jovem 'a bordo' de uma.


No entanto, é indiscutível que, para as novas gerações, a palavra 'trotinete' fica, primeiramente, associada aos modelos eléctricos que é, actualmente, possível vislumbrar (muitas vezes abandonadas ou mal estacionadas) nas grandes cidades do nosso país, como parte de uma iniciativa de mobilidade urbana; assim, é possível que quem é hoje jovem nunca tenha visto, e ainda menos usado, uma das variantes clássicas movidas à força de pés. Quem o fez, no entanto, decerto terá boas memórias associadas à experiência, que poderá sempre, se assim o entender, transmitir às referidas novas gerações – usando, quem sabe, este 'post' como ponto de partida ou referência...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...