Monday, 16 December 2024

Segundas de Séries: 'O Mundo Secreto do Pai Natal' - A Série Natalícia 'Esquecida Pela Net'

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


No que toca ao Mundo dos desenhos animados, o Natal serve, sobretudo, de temática a filmes ou episódios 'especiais' alongados de séries 'generalistas', não sendo costume centrar todo um programa em torno da estação, por razões óbvias. No entanto, tal não significa que essa seja uma prática inédita, tendo já havido pelo menos duas criações episódicas a utilizar a festa de Dezembro como tema central; da primeira, 'Noeli', falámos há quase exactamente um ano, pelo que chega agora a altura de voltarmos atenções para a segunda, bastante mais obscura, mas que teve ainda assim o seu 'tempo de antena' no bloco Infantaria da RTP1, há cerca de vinte e cinco anos, nas últimas semanas do Segundo Milénio.


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Falamos de 'O Mundo Secreto do Pai Natal', série franco-canadiana que propõe precisamente o que o título sugere - nomeadamente, um olhar sobre o quotidiano do Pai Natal e dos seus infatigáveis duendes, à medida que os mesmos efectuam preparativos para mais uma quadra festiva, e tentam impedir que o malvado Padre Fouettard e o seu assistente Gueignar sabotem os seus esforços por forma a vingarem-se do bom velhinho. Uma trama com algumas semelhanças a 'Bebés em Festa' – outra série em que o Pai Natal é personagem recorrente – e que, ao mesmo tempo, faz lembrar a quase totalidade dos desenhos animados dos anos 80 e 90, com claros paralelos com 'Os Estrumpfes', por exemplo, mas que não foi suficiente para captar o interesse do público mais jovem, até pelo nível algo básico e limitado (tipicamente canadiano) da animação.


Não é, pois, de estranhar que 'O Mundo Secreto do Pai Natal' tenha caído praticamente no esquecimento, com poucas informações disponíveis a respeito da série – não sendo sequer possível discernir se a mesma passou em versão original ou legendada. Ainda assim, na época em que esta se afirma como mais relevante, nunca é demais recordar um dos poucos programas infantis com coragem de utilizar o Natal como conceito alargado, ao invés do habitual uso esporádico; pena que o resultado final tenha sido tão pouco memorável...

Domingos Divertidos: Os Indios e 'Cowboys' de Plástico - Relíquias de Uma Era Mais Divertida

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 15 de Dezembro de 2024.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Já aqui anteriormente falámos das figuras de acção e outros 'bonecos', e do papel fulcral que os mesmos desempenharam na infância das gerações 'X' e 'millennial', tanto em Portugal como um pouco por todo o Mundo ocidental. No entanto, estas figuras nem sempre eram acessíveis do ponto de vista financeiro, pelo que muitas crianças tinham que se contentar com a 'alternativa' – as figuras estáticas, em plástico duro (normalmente de uma só cor) adquiríveis ora em 'baldes' com dezenas ou centenas de bonecos, ora individualmente, por um preço irrisório, em drogarias e outras lojas tradicionais. E se os soldados do exército eram os 'reis' desta categoria, os dois tipos de figuras que partilhavam o 'segundo lugar' continuavam ainda, nos anos 90, a dar-lhes luta, pese embora ambas fossem relíquias de décadas passadas.


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Falamos dos índios e cowboys que, mesmo naqueles anos finais do século XX – em meio às atitudes 'radicais' e ironia crescente para com coisas mais 'inocentes' de outros tempos – continuavam a travar a sua perpétua batalha no chão de muitos quartos de criança de Norte a Sul de Portugal (e não só), proporcionando às referidas crianças Domingos quase tão Divertidos quanto teriam conseguido criar com os mais recentes 'bonecos' dos Power Rangers ou Dragon Ball Z, e com a vantagem adicional de obrigarem a puxar mais pela imaginação para criar cenários e aventuras vividas pelas figuras.


Infelizmente, os anos 80 e 90 foram mesmo o último momento em que brinquedos destes tiveram o seu espaço na vida quotidiana das crianças, já que o meteórico crescimento dos meios digitais nos últimos dez anos do século XX e inícios do seguinte rapidamente tornou figuras simples e sem grandes atributos, como estas, numa coisa do passado, impossível de comparar aos videojogos e 'bonecos' cada vez mais interactivos e realistas que os iam gradualmente substituindo – ao ponto de a parcela mais nova de leitores deste 'blog' já não ter, provavelmente, tido a experiência de brincar com o produto aqui homenageado. Para os restantes, no entanto, talvez este 'post' tenha despertado uma memória nostálgica, e quiçá uma vontade de ir 'desenterrar' os velhos índios e 'cowboys' do sótão, arrecadação ou garagem, para os mostrar aos filhos...

Sunday, 15 December 2024

Sábados aos Saltos: Os Arcos e Flechas de Brincar, Um 'Produto do Seu Tempo'

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Hoje em dia, a venda de réplicas de armamento a crianças é bastante mais regulada do que há trinta anos, por razões óbvias; no entanto, em finais do século XX, era ainda não só possível como aceitável comprar a um menor de idade uma versão 'a fingir' de uma arma de fogo ou equipamento de guerra autêntico – e, numa altura em que tanto os índios e 'cowboys' como Robin dos Bosques gozavam ainda de alguma popularidade entre o público jovem, não é de admirar que um arco com flechas de borracha figurasse entre as muitas escolhas disponíveis neste aspecto.


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Com um fio feito de cordel – mas, ainda assim, com tensão suficiente para fazer voar as flechas que o acompanhavam – e projécteis de ventosa aderente, o brinquedo em causa permitia a quem o empunhava imaginar-se a cavalo nas planícies do Faroeste, defendendo a sua aldeia das investidas dos colonos, na Floresta de Sherwood, roubando sacos de dinheiro, ou mesmo apenas em competições de arco e flecha, podendo estas últimas ser facilmente recriadas se, além do arco, se tivesse também uma réplica de um alvo. Fosse qual fosse a brincadeira, no entanto, a posse desta pseudo-arma bastava para proporcionar muitos e bons momentos, sozinho ou com os amigos, durante um Sábado aos Saltos.


Tal como acima mencionado, dificilmente um brinquedo deste tipo será visto numa loja de brinquedos, drogaria ou hipermercado actual – não só pela sua natureza rudimentar e quase artesanal (sem luzes LED ou quaisquer outros efeitos) como também pela mudança acentuada de mentalidades relativamente às armas, sejam elas de que natureza forem. Ainda assim, as gerações 'X' e 'millennial' – e até mesmo algumas das anteriores – não terão decerto deixado de criar memórias nostálgicas ligadas a este 'produto do seu tempo', hoje obsoleto e quase extinto, mas que em tempos fez a felicidade de muitos jovens no decurso de um Sábado aos Saltos.

Saturday, 14 December 2024

Sextas Com Style (de Natal): Os Chapéus de Natal, Uma 'Moda' Relativamente Recente

NOTA: Este 'post' é correspondente a Sexta-Feira, 13 de Dezembro de 2024.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Já aqui anteriormente mencionámos os anos 90 como a década da chegada a Portugal dos hoje ubíquos produtos baratos vindos da China, na altura veiculados sobretudo através de vendedores de rua, drogarias de bairro e lojas 'dos trezentos'. E de entre os muitos produtos que passaram a circular em massa no seio da sociedade lusitana, um deles tinha um pendor declaradamente natalício, e viria a tornar-se parte integrante da estação em território nacional.


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A sempre popular versão com luzes LED.


Falamos dos chapéus de Pai Natal, antes apenas acessíveis como parte integrante de um fato completo, mas que, nos últimos anos do século XX e primeiros do seguinte, passaram a surgir em bancas de rua natalícias e lojas 'dos trezentos' e 'dos chineses' não só na sua forma original, como também em variantes alternativas, como a que incorporava efeitos LED na 'bainha' do chapéu, ou a preta com texto anti-Natal, para quem queria expressar a sua falta de espírito festivo, em vez do oposto.


Ambos estes chapéus - tal como o original - ainda são, aliás, largamente vendidos em Portugal no último mês de cada ano, e podem ser encontrados nas cabeças de uma porção significativa da população, embora sobretudo em contextos de festa privada. E embora, para as gerações 'Z' e 'Alfa', esta seja só mais uma parte da quadra natalícia, quem é mais velho sabe que a sua adopção pelos portugueses é relativamente recente, e remete à década em que tudo parece ter acontecido, e que mais indelevelmente transformou e moldou o País que hoje conhecemos.

Friday, 13 December 2024

Quintas ao Quilo (de Natal): Os Enfeites de Chocolate, Uma Tradição Deliciosa...e Perdida

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2024.


Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


A par da Páscoa, o Natal é a época por excelência para a compra e consumo de chocolates. Tanto assim que, além das inevitáveis caixas de presente, Pais Natais de chocolate (remodelados a partir dos coelhinhos de Páscoa) e calendários do Advento, os portugueses tendem até, por vezes, a colocar enfeites de chocolate na própria árvore de Natal – uma tendência ainda mais exacerbada em finais do século XX, quando era costume ver, entre as bolas e enfeites 'normais', um ou outro explicitamente 'comestível'.


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De facto, fossem as clássicas sombrinhas da Regina, as ainda mais icónicas Fantasias ou simplesmente uma bola de Natal de chocolate mais genérica, eram inúmeros os chocolates de pequena dimensão que acabavam por 'ir parar' à árvore, onde, durante as três a quatro semanas seguintes, 'tentariam' os membros mais jovens do agregado familiar, os quais, muitas vezes, desejavam ardentemente poder desembrulhá-los e prová-los, mas tinham que esperar que a árvore fosse desfeita – ou, pelo menos, que fosse dada 'ordem' pelos mais velhos. Ainda assim, a sensação de 'esmigalhar' uma bola de chocolate entre os dedos antes de lhe retirar o alumínio vive na memória de quem alguma vez tenha tido essa experiência.


Embora muitos destes enfeites-petisco continuem a ser vendidos até aos dias de hoje, as tendências modernas ditaram não só a sua redução em número como também em frequência de utilização, tornando-as, cada vez mais, 'relíquias' de gerações anteriores. Apenas mais um elemento, portanto, que as gerações 'X' e 'millennial' recordarão com carinho, mas que será alheio ou estranho às subsequentes. Uma pena, pois a experiência acima descrita é daquelas que sobrevivem à mudança de mentalidades e hábitos, e faria sem dúvida as delícias de uma criança moderna, tanto quanto sucedeu com as daquele tempo....

Thursday, 12 December 2024

Quartas de Quase Tudo (de Natal): 'O Meu Primeiro Livro de Natal' - Um Volume Festivo, Educativo e Decorativo

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2024.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


A época natalícia é, já de si, farta em momentos e motivos de entusiasmo para os mais pequenos, seja em Portugal ou em qualquer outra parte do Mundo ocidental; entre escolher e decorar a árvore, ir ver as iluminações com a família, abrir diariamente uma das portinholas do Calendário do Advento, marcar no catálogo de Natal os presentes pretendidos (ou, nos dias que correm, escolhê-los na Amazon), escrever a carta ao Pai Natal (e visitá-lo no hipermercado). ver pela centésima vez o 'Sozinho em Casa' e fazer as compras necessárias para a ceia – e isto ainda sem contar com quaisquer potenciais festas da escola ou do trabalho dos pais – o mês de Dezembro afirma-se como um dos mais excitantes (a par dos meses de Verão) para as demografias mais novas. É, pois, de questionar se um livro cujos conteúdos consistem apenas e só de (ainda mais) actividades natalícias se afigura como uma boa ideia; no entanto, foi isso mesmo que a Editora Civilização decidiu lançar, em plena Primavera (o livro saiu em Abril!) de há exactos trinta anos, permitindo aos interessados começar a preparar com absurda antecedência o advento de 1994.


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Da autoria de Angela Wilkes, e parte de uma colecção mais alargada que incluía também volumes sobre cozinha e matemática, entre outros, “O Meu Primeiro Livro de Natal” sugere, no subtítulo, “actividades divertidas para fazeres no Natal”, a maioria das quais centradas nos trabalhos manuais, uma maneira simples, singela e divertida de criar bons momentos em família naquela que é a época dedicada, por excelência, à mesma. Da criação dos habituais enfeites típicos da quadra a actividades algo mais originais, são páginas atrás de páginas de actividades que terão, certamente, feito as delícias das crianças das gerações 'X' e 'millennial' com mais apetência para a criação de objectos decorativos. Assim, até por este volume se encontrar, hoje em dia, algo 'Esquecido Pela Net' – sobrevivendo apenas a capa e o nome da autora – não poderíamos deixar de lhe dedicar algumas linhas nesta nossa rubrica mais 'generalista', como forma de assinalar os trinta Natais desde a sua publicação, naquele que era um País significativamente diferente, mas de tradições natalícias praticamente idênticas às dos dias que correm.

Tuesday, 10 December 2024

Segundas de Sucesso/Terças de TV (de Natal): O Melhor Anúncio de Natal de Sempre

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 9 de Dezembro de 2024.


NOTA: Por razões temáticas, todas as Terças-feiras de Dezembro serão de TV.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


De entre os elementos que anunciavam e compunham o Natal infantil português dos anos 90 e 2000, um dos mais salientes eram os anúncios televisivos alusivos à quadra – ou melhor, UM anúncio televisivo em particular, que qualquer 'millennial' português saberá de imediato identificar, e que foi tradição anual nos canais generalistas nacionais até ao dealbar da década de 2010.



De facto, os 'spots' publicitários natalícios da cadeia de supermercados e hipermercados Continente, e a respectiva banda sonora, são, para toda uma geração, quase tão emblemáticos da quadra como o 'Natal dos Hospitais' ou o som do Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras. Aliás, há até motivos para dizer que 'Bem Vindos Ao Mundo Encantado dos Brinquedos' é, para a referida demografia, a 'outra' música de Natal portuguesa por excelência, trazendo à mente visões da então mascote da cadeia, a avestruz Leopoldina, a movimentar-se por entre verdadeiras pilhas de brinquedos, que apenas aguçavam a vontade de visitar o mais rapidamente possível o Continente mais próximo, e se deliciar com a variedade de opções para presentes de Natal.


Escusado será dizer que, apesar de esforços continuados, o Continente não mais logrou repetir o sucesso destas cadeias; anúncios subsequentes, já com a segunda mascote Popota ao lado de Leopoldina, eram bem conseguidos, mas falhos em termos de banda sonora quando comparados com o seu antecessor – ainda que, assumidamente, o mesmo tivesse colocado a fasquia absurdamente alta. Assim, a geração nascida ou crescida durante as décadas de 90 e 2000 pode, mesmo, gabar-se de ter assistido, em primeira mão, aos melhores anúncios de Natal alguma vez criados em Portugal, cuja música (que podia perfeitamente ter sido lançada como 'single' comercial, pois encontraria sem dúvida o seu público) ainda hoje saberão sem dúvida cantar 'de trás para a frente' e 'de cor e salteado...'

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...