Monday, 23 September 2024

Segundas de Séries: 'A MAGIA A-CON-TE-CEEEE, QUANDO TU LIGAS O ZÁS TRÁÁÁÁS!'

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Uma análise, mesmo que superficial, à televisão infanto-juvenil portuguesa de inícios dos anos 90 revela uma 'era de ouro' não só no tocante à importação de materiais estrangeiros de grande qualidade (vários dos quais já aqui abordámos) mas mesmo à própria produção nacional, a qual se 'aventurava' com enorme sucesso por uma série de formatos, que iam de programas como 'A Hora do Lecas', 'Os Segredos do Mimix', 'Clube Disney' ou 'Oh! Hanna-Barbera' a concursos como 'Arca de Noé', 'Tal Pai, Tal Filho' e 'Vitaminas', vídeos musicais como os do Vitinho e, claro, séries, com a icónica 'Rua Sésamo' à cabeça. Poupas, Ferrão e companhia não eram, no entanto, os únicos personagens cem por cento nacionais a procurar conquistar o coração das crianças da época – a RTP da era pré-concorrência privada (ou seja, monopolista do tempo de antena) abria também espaço para conteúdos como 'A Maravilhosa Viagem Às Ilhas Encantadas', 'Histórias de Corpo Inteiro', ou a série que abordamos nesta Segunda, 'Zás Trás'.


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Da autoria de Isabel Cerqueira e Teresa Messias, e realizada por Alexandre Montenegro (nome bastante requisitado à época) 'Zás Trás' estreava na televisão estatal há quase exactos trinta e três anos (em Setembro de 1991) e desde logo se posicionava como 'alternativa' à hegemonia da incontornável 'Rua Sésamo', apresentando um formato muito semelhante - centrado em 'sketches' protagonizados por um núcleo central de personagens representados por marionetes em cenários reais – e até um tema de abertura capaz de rivalizar com o da referida série, e que é, sem dúvida, o seu elemento mais destacado e memorável.



No entanto, tal como a série sobre higiene oral acima referida (com a qual chegou a partilhar tempo de antena em finais de 1991), 'Zás Trás' nem sequer chegaria a fazer 'cócegas' aos habitantes da Rua mais famosa da televisão portuguesa, tendo a sua passagem pela RTP sido discreta, e – ao contrário da 'concorrente' - deixado poucas memórias ao público-alvo da época, com excepção do 'contagioso' tema título e de um personagem com papel proeminente que, embora aceitável na altura como caricatura animada, seria hoje considerado problemático e até ofensivo para a população asiática. Tal como os 'designs' algo 'uncanny' de 'Histórias de Corpo Inteiro', este aspecto talvez tenha tido influência no desempenho da série a longo-prazo – ou, talvez, 'Zás Trás' apenas não fosse tão memorável como 'Rua Sésamo', com ou sem caricaturas obsoletas entre o seu núcleo central.


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Um dos personagens centrais é...digamos, problemático.


Apesar de hoje algo Esquecido Pela Net (e por aquele que foi o seu público) 'Zás Trás', e o respectivo Especial de Natal (realizado em 1992) não deixaram de ser, já no Novo Milénio, 'repescados' para a grelha programática primeiro da RTP2 e, mais tarde, também para a da RTP Memória. As alterações na cultura popular e estrutura social do Mundo ocidental desde então fazem, no entanto, prever que essa tenha sido a última aparição de 'Zás Trás' nos écrãs portugueses, estando a série destinada a ser votada ao esquecimento a breve trecho. Quem quiser ajudar a evitar esse fado (ou simplesmente deseje recordar a série mais de três décadas depois) pode, no entanto, assistir a todos os episódios no Arquivo RTP. Para quem optar por o fazer, no entanto, fica a ressalva – o tema-título continua tão cativante como sempre, e capaz de ficar no cérebro durante semanas após uma única audição...





 

Sunday, 22 September 2024

Domingos Divertidos: As Garagens de Brinquedo

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Já aqui anteriormente falámos dos carrinhos de metal em escala reduzida, um dos mais tradicionais e nostálgicos brinquedos entre as gerações hoje adultas, e sobretudo entre a sua parcela masculina. Pois bem, não é só sobre os carros em si que recaem as memórias de Domingos Divertidos passados a simular corridas ou combates automóveis inspirados em 'Destruction Derby' e 'Twisted Metal' – também as garagens e parques de estacionamento para os referidos veículos ajudam a adicionar toda uma nova dimensão a essas recordações, tal como o faziam com as próprias brincadeiras em si.


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Uma garagem de brincar da Hot Wheels, bem exemplificativa deste tipo de brinquedo.


De facto, estas estruturas – muito populares junto das gerações 'X' e 'millennial', em particular – prestavam-se a grande variedade de usos, podendo tanto servir para simplesmente 'arrumar' os carrinhos ao fim do dia, como de palco para as referidas corridas e colisões, grandemente auxiliadas pelas rampas que constituíam parte obrigatória de qualquer estrutura deste tipo que se prezasse. Nem só de rampas e patrocínios viviam estes brinquedos, no entanto; as melhores garagens-modelo chegavam a ter bombas de gasolina e zonas de lavagem a jacto, permitindo emular ao máximo a experiência de visitar uma área de serviço automóvel – uma ilusão ainda mais propiciada pelo uso de logotipos oficiais de marcas ligadas ao mercado autómovel, como a Shell ou a Mobil.


Não admira, pois, que as garagens, parques de estacionamento e estações de serviço em miniatura provoquem junto de uma certa demografia um sentimento nostálgico semelhante ao causado por certos cenários para figuras de acção, os quais serviam uma finalidade muito semelhante, e com resultados igualmente bem conseguidos. E apesar de, em anos subsequentes, terem virtualmente desaparecido do quotidiano infantil – como vem, progressivamente, sucedendo também com os próprios carrinhos-modelo – este género de produto fará, para sempre, parte das memórias de Domingos Divertidos da infância de pelo menos duas gerações de portugueses, os quais certamente terão, após ler este post, ficado com vontade de ir 'lançar' um carrinho pela rampa de uma destas estruturas abaixo, e de o ver ganhar velocidade até 'disparar' pela saída..

Sábados (Literalmente) aos Saltos: Os Saltitões

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 21 de Setembro de 2024.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Apesar da percepção generalizada de que cada nova geração de crianças e jovens se torna progressivamente mais sedentária e preguiçosa que a anterior, continua a haver pretextos, contextos e motivações irresistíveis para qualquer criança entrar em movimento. De uma simples bola de futebol a um insuflável, são inúmeros os exemplos de brinquedos e jogos que continuam a exercer uma atracção indelével sobre os mais novos, e a esta lista há ainda que juntar um brinquedo popularizado durante os anos 90 e que continua a fazer enorme sucesso – o chamado 'saltitão'.


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Mais frequentemente utilizado no contexto de aulas de ginástica para adultos, as tradicionais bolas gigantes vêm, desde há várias décadas, tendo também versões infantis, em tamanho reduzido e muitas vezes decoradas com autocolantes ou desenhos apelativos para a demografia-alvo. E se os adultos encontram uma série de usos distintos para estes equipamentos, entre os mais novos, os mesmos são utilizados para um único fim: sentar-se e, através da impulsão do corpo, fazer 'saltar' a bola, criando um efeito 'cavalgante'.


Uma daquelas brincadeiras básicas, intemporais e absolutamente irresistíveis, das quais uma criança da geração Z ou Alfa conseguiria, tendo a oportunidade, retirar tanto proveito quanto os seus pais, na mesma idade. Talvez por isso este tipo de brinquedo continue – ao contrário de tantos outros de que aqui falamos – a ser comercializado, uma situação que deverá manter-se até que o apelo de passar um Sábado (literalmente) ao saltos pelo jardim ou sala de estar, montado numa enorme bola de borracha maleável, deixe de se fazer sentir entre os humanos de uma certa idade.

Saturday, 21 September 2024

Sextas com Style: A Cenoura - De Peças Feitas À Mão A Ícone do Vestuário Infantil

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 20 de Setembro de 2024.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Embora o sector juvenil continue a ser o que mais activamente procura logotipos e marcas, dada a necessidade de 'parecer bem' junto dos colegas, os pais de crianças pequenas ficam, talvez, logo atrás dos adolescentes no que a este particular diz respeito. Isto porque, para a maioria das mães e pais, é importante que a roupa envergada pelos filhos seja duradoura e tenha alguma qualidade – atributos normalmente reunidos pelas peças 'de marca'. E apesar de, hoje em dia, o preço proibitivo da maioria das marcas ter direccionado a maioria dos portugueses para as lojas de 'fast fashion', no anos 80 e 90 – quando tal conceito era ainda inexistente a nível mundial – havia certas lojas que chamavam, decididamente, a atenção dos progenitores lusitanos no momento de comprar vestuário para os filhos. Uma dessas marcas, nascida em Lisboa mas popular em todo o País em finais dos 80 e inícios da década seguinte, levava o nome de um vegetal, e propunha roupas coloridas e intemporais para crianças em idade pré-adolescente.


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Falamos, claro está, da Cenoura, uma 'etiqueta' que, sem ser para todos (os seus artigos não eram especialmente baratos, antes pelo contrário) chegou a vestir uma boa parcela de crianças portuguesas do período em causa - entre as quais se incluía o autor deste 'blog', em cujo bairro de infância existia uma loja da marca. Nascida em Lisboa nas últimas semanas do ano de 1972, começou por ser um empreendimento modesto de três amigas na casa dos vinte anos, que fabricavam e decoravam as suas próprias roupas e utilizavam os seus próprios filhos e sobrinhos, ou os de amigos próximos, como 'caras' dos catálogos; as décadas seguintes viram, no entanto, a marca expandir-se e tornar-se uma referência no mercado nacional de vestuário infantil, pela grande qualidade das suas peças e pela tendência para comercializar conjuntos completos. Apesar de ainda presente sobretudo na zona de Lisboa, antes de completar dez anos de existência, a Cenoura recebia já pedidos e encomendas de todo o País, o que a levou a inaugurar um serviço de venda postal em meados dos anos 80; foi, pois, com naturalidade que se verificou, em anos subsequentes, a expansão do raio de acção da marca, que ainda hoje tem lojas em todo o País (embora, infelizmente, não aquela que faz parte das memórias do autor deste texto, a qual fechou ainda muito antes do centro comercial de bairro que a albergava.)


Tal como sucede com tantas outras marcas de que aqui falamos, no entanto, também o 'momento' da Cenoura passou, e se, a dada altura da História portuguesa, vestir peças com essa etiqueta era sinal de estatuto económico e social, a mesma acabou, eventualmente, por ser suplantada po outras 'grifes' e lojas mais 'na moda'. Para quem tem hoje uma certa idade, no entanto (sobretudo os 'millennials' mais velhos ou os nascidos nos últimos anos da geração dita 'X') esta marca e as suas apelativas lojas farão, certamente, parte das memórias e do imaginário infantil, merecendo bem a menção nesta nossa rubrica dedicada a peças de vestuário que marcaram décadas passadas.

Friday, 20 September 2024

Quintas ao Quilo: Os Finibons - Uma 'Combinação Quase Perfeita' Numa Só Guloseima

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 19 de Setembro de 2024.


Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


De todas as indústrias a sofrerem desenvolvimentos consideráveis e significativos desde os anos 90, uma das mais esquecidas é a alimentar. Há três décadas, a maioria das regras e restrições hoje impostas aos fabricantes e comerciantes de produtos alimentares eram, quer inexistentes, quer bastante menos rígidas, permitindo a mercados como o das guloseimas introduzir 'experiências' que talvez já não tivessem sido possíveis em janelas temporais posteriores. Um dos exemplos mais flagrante deste género de produto - e que surpreendentemente subsiste até à actualidade – é o dos rebuçados e chupa-chupas que 'pintam' a língua ao serem comidos, através do uso de um corante especial, dos quais os representantes mais famosos talvez sejam os icónicos Finibons.


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Essencialmente uma mistura entre as pastilhas Bubbaloo, os chupa-chupas azedos e os referidos 'pinta-línguas', os Finibons – assim chamados por serem bonbons comercializados pela popular marca espanhola Fini – consistiam, simplesmente, de rebuçados duros que, uma vez trincados, revelavam um interior líquido e ácido, o qual, por sua vez, deixava um 'rasto' colorido na língua de quem comia até mesmo um só destes rebuçados. Uma junção de factores que, evidentemente, não podia deixar de agradar à demografia a que estes doces apontavam, sempre pronta a 'apadrinhar' produtos declaradamente pouco saudáveis, mas em que o simples acto de comer já constituía toda uma experiência.


Não é, pois, de estranhar que os Finibons tenham sido, nos anos da viragem de Milénio, tão populares como haviam sido os Push Pop ou Melody Pops alguns anos antes, e deixado memórias nostálgicas à grande maioria da geração 'millennial' portuguesa. Para esses, boas notícias – tal como acima referido, continua a ser possível adquirir Finibons em diversos locais e por diversos meios, pelo que um 'trintão' ou 'quarentão' que queira reviver a infância ou adolescência, ou mesmo 'apresentar' aos filhos a guloseima favorita de quando tinha a mesma idade, poderá fazê-lo com relativa facilidade - e, quiçá, ajudar a reviver o estatuto icónico destes rebuçados entre a juventude portuguesa..

Thursday, 19 September 2024

Quartas aos Quadradinhos: O 'Outro' Corvo da Banda Desenhada

NOTA: Este post é respeitante a Quarta-feira, 18 de Setembro de 2024.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Já aqui anteriormente dedicámos algum espaço à carreira e obra de Luís Louro, um dos principais nomes da BD nacional contemporânea; e visto que uma das suas obras mais conhecidas completa este ano três décadas sobre o seu lançamento (além de ter temática e nome semelhantes à do filme abordado na nossa última Sessão de Sexta) nada melhor do que gastar agora algumas linhas a falar da mesma.


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Lançado algures em 1994 (a data de 1 de Janeiro veiculada pelo Goodreads não é, necessariamente, fidedigna), 'O Corvo' quase parece uma paródia da BD americana do mesmo nome que viria a inspirar uma série de filmes de acção com clima gótico. Isto porque, em comum com os heróis torturados mas 'durões' d''O Corvo' americano, o protagonista de Luís Louro – carteiro de profissão, introvertido e meio 'xoninhas' – só tem mesmo o nome de código e o estatuto de vigilante mascarado, no caso das ruas de Lisboa. Em tudo o restante, o Corvo português falha em toda a linha, muitas vezes causando problemas e situações mais graves do que aquelas que tentava, à partida, resolver, nas quais se vê, ele próprio, frequentemente envolvido. Uma abordagem puramente cómica, portanto, sem quaisquer pretensões a tornar Vicente num herói 'sério', ficando o mesmo mais próximo do Pato da Capa Preta do que do 'outro' Corvo ou de Batman, inspiração inevitável para qualquer história deste tipo.


É possível que quem não souber à partida que se trata de uma paródia se deixe 'enganar', no entanto, já que as ilustrações dos já sete tomos desta colecção (o último dos quais lançado já este ano) poderiam perfeitamente fazer parte de um 'comic' independente americano, ou de um álbum de BD franco-belga dos mais 'sérios', em nenhum momento dando a entender que tanto o herói como as suas aventuras têm teor cómico. Talvez por isso o produto final resulte tão bem, extraindo o habitual humor inerente a dicotomias deste tipo, e criando um super-herói 'à portuguesa' - com tudo o que isso acarreta – que, apesar da pouca sorte e ainda menor aptidão, se tem conseguido manter no activo há já três décadas, motivo mais que suficiente para que celebremos as suas origens nas páginas deste nosso blog nostálgico.

Wednesday, 18 September 2024

Terças de TV: 'Com A Verdade M'Enganas' (1994) - A Típica Sequela Pouco Memorável

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 17 de Setembro de 2024.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


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Já aqui anteriormente falámos do papel preponderante do humorista Herman José na televisão portuguesa de finais do século XX, tanto na sua vertente 'de origem' como na função por que foi mais conhecido durante a década de 90, a de apresentador de concursos vespertinos e, mais tarde, de 'talk shows'. De facto, a personalidade afável, bonacheirona e ligeiramente brejeira de Herman prestava-se maravilhosamente ao cargo de anfitrião deste tipo de programas, papel no qual várias gerações de espectadores nacionais o viram 'brilhar' , desde logo ao leme da mìtica adaptação portuguesa de 'Roda da Sorte'. Quando o referido programa atingiu a sua conclusão natural, no entanto, era necessário manter 'em alta' a 'estrelinha' de Herman, pelo que foi sem surpresas que os fãs do apresentador o viram regressar, alguns meses depois, com um novo formato, onde se fazia acompanhar dos seu 'cúmplices' - a 'voz' da 'Roda', Cândido Mota, e a icónica assistente, Ruth Rita.


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O 'trio maravilha' d''A Roda da Sorte' seguiria junto no novo formato.


Intitulado 'Com a Verdade M'Enganas', este novo concurso, estreado logo nos primeiros dias do ano de 1994, era, explicitamente, tematizado em torno de mentiras, equívocos e enganos, temas que inspiravam várias das provas a que os concorrentes se deviam submeter semanalmente, com destaque para aquela em que deveriam identificar a afirmação incorrecta sobre o parceiro, de entre as mencionadas pelo apresentador, e para aquelas em que deviam corrigir textos e letras de canções previamente lido, de forma correcta, por Cândido Mota. As restantes provas eram mais corriqueiras (ficando próximas do concurso que notabilizara Herman, com perguntas de cultura geral à mistura com leilões de letras) mas uma delas voltava a adicionar um toque de originalidade, consistindo basicamente de um 'jogo do sério', em que cada concorrente deveria fazer o outro rir. Tudo isto conduzia, claro está, ao 'puzzle' final, onde o desafio era decifrar uma palavra-chave, bem ao estilo da 'Roda'. A equipa vencedora levaria para casa uma soma em dinheiro que poderia ascender a 600 mil escudos, enquanto os perdedores não sairiam de 'mãos a abanar', tendo direito a uma 'bateria' de electrodomésticos - um prémio quase tão útil quanto o próprio dinheiro, e bastante mais prático!


Um formato, como se pode ver, bastante próximo do que celebrizara Herman enquanto animador de concursos, mas que, talvez por esse cariz pouco original, não almejou o mesmo sucesso, mantendo-se no ar durante um ano e meio, mas não suscitando hoje em dia o género de memórias associado ao seu antecessor. Ainda assim, no momento, 'Com a Verdade M'Enganas' foi uma maneira eficaz de manter Herman relevante e bem presente no quotidiano televisivo dos portugueses – algo que, como também já aqui documentámos, levaria mais tarde a certos desenvolvimentos importantes no panorama programático nacional, os quais não teriam sido possíveis sem este algo esquecido concurso, que merece assim um 'agradecimento' e pequena homenagem nas páginas deste nosso blog.



O último episódio do concurso, transmitido em Julho de 1995, exactos dezoito meses após a estreia do mesmo.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...