Friday, 13 October 2023

Sextas com Style: Coronel Tapiocca - Duas Décadas de Aventuras

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


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Os anos 90 e 2000 representaram o auge do interesse da juventude portuguesa (e mundial) nos desportos radicais e, por arrasto, de aventura. E se o skate, patins em linha, BMX ou 'surf' eram já quase dados adquiridos no que tocava ao sector infantil e adolescente, já actividades como a escalada, o 'rappel' e o montanhismo poderiam parecer menos imediatamente óbvias, mas a verdade é que não deixaram, ainda assim, de cativar os jovens lusitanos, com alguma ajuda de filmes como 'Assalto Infernal' ou 'Missão: Impossível 2'. Este interesse não tardou, também, a estender-se ao parâmetro da moda, e não demorou muito até os coletes, mochilas, calças e bolsas de cintura ou a tiracolo em tons de caqui e verde-seco ombrearem com as grandes marcas de 'surf' e 'skate' no armário do adolescente português médio.


Parecia, pois, a oportunidade perfeita para estabelecer no nosso País uma nova cadeia de lojas, especificamente dedicada a vestuário deste tipo, e para esta finalidade – e foi precisamente o que fez a espanhola Coronel Tapiocca (com um 'C' a mais, para evitar problemas legais, ainda que a mascote fosse descaradamente idêntica à do militar do mesmo nome da série de BD franco-belga 'Tintim'), que se encontrava precisamente em processo de expansão internacional, após se ter estabelecido como líder de mercado no seu país de origem. Os astros alinhavam-se, assim, para criar as condições perfeitas para aquela que viria a ser uma relação comercial de cerca de duas décadas entre o 'imitador' do coronel amigo de Tintim e os adolescentes portugueses com interesse em desporto-aventura.


Isto porque a referida loja era, numa fase inicial, um dos poucos locais onde se podiam adquirir produtos de marcas que começavam rapidamente a penetrar no universo da moda juvenil mais 'generalista', nomeadamente a ainda hoje popular Camel Active, além da sua marca própria; assim, e apesar dos preços muitas vezes proibitivos dos referidos produtos, a Tapiocca não tardou a encontrar o 'seu' público, tarefa auxiliada pela localização estratégica das suas lojas, em locais de alguma afluência e com alta percentagem de jovens, como as Avenidas Novas, em Lisboa, a Baixa da mesma cidade, ou ainda a famosamente afluente zona de Cascais.


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A fachada da loja da Baixa de Lisboa manteve o logotipo durante algum tempo depois de fechar.


Apesar deste auspicioso início, no entanto, a história da Coronel Tapiocca em Portugal acaba como tantas outras: com um declínio do interesse do público-alvo na sua área de especialização, consequente redução do volume de negócios, e consequente falência e retirada do mercado nacional, no dealbar da década de 2010. Durante algum tempo, restou ainda um mural na Baixa para servir como testemunho da presença da marca no nosso País; mais de uma década volvida, no entanto, nada resta do legado do Coronel, excepto as memórias de quem por lá passou, admirou os atraentes mas proibitivos produtos expostos na montra, ou chegou mesmo a ser cliente – às quais se juntam, agora, algumas singelas linhas neste nosso 'blog' nostálgico, à laia de contraponto às notícias sobre a falência da cadeia que compunham, até agora, o único registo 'cibernáutico' da mesma...

Thursday, 12 October 2023

Quintas no Quiosque: 'O Independente' - O Jornal Que Mudou a Política em Portugal

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Quando, há algum tempo, aqui relembrámos alguns dos jornais desaparecidos da imprensa portuguesa, deixámos de fora um, de certo modo até mais relevante do que os discutidos no 'post' em causa, e sobre cuja fundação se assinalaram em Maio último exactos quarenta anos. E apesar de o mesmo dificilmente ter, na altura, interessado ao público que lê este nosso espaço, seria ainda assim omisso deixar passar em claro tão importante data para uma publicação que marcou o espaço editorial e jornalístico português dos anos 90 e da primeira metade da década de 2000.


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A primeira e última edições do semanário, entre as quais distam quase trinta anos.


Falamos d''O Independente', o histórico semanário fundado na Primavera de 1988 por Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas – este último ainda a alguns anos de se tornar figura de monta da esfera política nacional - e que, talvez pelo envolvimento dos nomes citados, punha considerável ênfase nos campos da cultura e da política. De facto, era sobretudo pela sua abordagem sócio-política que o jornal se destacava, sendo que fazia questão de apresentar uma postura mais conservadora e elitista, condicente com as sensibilidades de direita dos seus fundadores, mas, ao mesmo tempo, culta e com algum idealismo – uma descrição que, precisamente por parecer um contra-senso, ajudou 'O Independente' a demarcar-se de todos os restantes jornais publicados em Portugal à época, embora tenha também contribuído para lhe restringir a base de leitores aos proponentes de ideologias políticas e culturais semelhantes.


Apesar desse posicionamento declaradamente à direita do espectro político, o jornal notabilizou-se, também, pelos constantes e impiedosos ataques e denúncias ao governo então vigente, também ele de direita e presidido por Aníbal Cavaco Silva, que resultavam em constantes processos por difamação de carácter, muitos deles ganhos pelas personalidades visadas, pesem embora algumas importantes vitórias. Ainda assim, os dois fundadores acabaram por desempenhar papel crucial na queda do chamado 'cavaquismo', e no surgimento do CDS/PP como força de oposição ao PSD à direita – algo a que a maioria dos jovens portugueses da época terá ficado perfeitamente alheio, no seu mundo de desenhos animados, trabalhos de casa, actividades extra-curriculares e saídas com os familiares e amigos, mas que ajudou a moldar o panorama político nacional, tal como se apresenta nos dias de hoje.


Só essa contribuição já tornaria 'O Independente' parte importante do jornalismo português, mas o semanário não se ficava por aí, apresentando também um forte pendor cultural, e contando com colaboradores de renome nessa área, como Agustina Bessa-Luís, António Barreto, Maria Filomena Mónica, Rui Zink ou Pedro Ayres de Magalhães, muitos dos quais viriam, na mesma época, a fundar a revista-irmã do semanário em causa, a lendária 'K', que muito em breve aqui terá, também, o seu espaço.


No total, foram quase três as décadas de vida d''O Independente', que encerraria funções em 2006, após meia década de abrupto declínio de vendas e influência (os últimos exemplares venderam menos de dez mil cópias e contaram com apenas 1% de audiência.) Para a História ficava uma abordagem revolucionária (se bem que nem sempre consensual) ao jornalismo, e uma influência inaudita na esfera política do País – motivos mais que suficientes para que, mesmo com quase meio ano de atraso, celebremos os quarenta anos do maior semanário de finais do século XX em Portugal.

Wednesday, 11 October 2023

Quartas aos Quadradinhos: 'Colgate Júnior - Operação Sorrisos Felizes' - O Verdadeiro Mistério Juvenil

NOTA: Este 'post' foi revisto e editado a 14/10/23, graças às informações prestadas pelo leitor Pedro Serra, a quem também devemos os 'scans' que acompanham o texto. Obrigado, Pedro!


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Numa outra Quarta-feira, de rubrica oposta a esta, dedicámos algumas linhas à Colgate Júnior, uma pasta dentrífica especialmente orientada ao público infantil, hoje quase totalmente Esquecida Pela Net, mas que, à época, chegou a ganhar alguma tracção, muito graças aos anúncios de que dispunha nas contracapas das mega-populares revistas Disney da Abril. Tal não era, claramente, tido pelo fabricante como suficiente em termos de marketing e publicidade, já que o referido dentífrico, e respectiva mascote (um tubo de Colgate Júnior antropomórfico, com uma 'estrela' de pasta a sair-lhe do respectivo orifício) serviram também de base a um volume de banda desenhada institucional próprio, o qual se encontra, hoje, tão Esquecido como a própria pasta.


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O ÚNICO vestígio deste título disponível em toda a Web lusófona é a capa, aqui em foto do Pedro Serra.


De facto, o único registo existente na Internet sobre 'Missão Sorrisos Brilhantes' é no compreensivo arquivo Bazar0.com, uma 'relíquia' saída directamente dos tempos da Geocities e Tripod, mas que contém informações sobre muitos títulos que, de outra forma, cairiam no esquecimento total, como esta 'bizarrice' de meados de 90. Mesmo a informação que existe não é muita, consistindo apenas de uma capa e relação do número de páginas (8) sem quaisquer dados quanto ao ano de publicação ou exemplos do interior.


É, pois, apenas graças ao Pedro Serra, leitor assíduo deste blog, que ficamos a saber que a história gira em torno de super-aventuras espaciais vividas pelos personagens representados na capa, no caso um rapazinho, um dentista, e o dentífrico antropomórfico Superstar, que tentam travar uma invasão de alienígenas apostados em apodrecer os dentes das crianças e acabar com os 'Sorrisos Brilhantes' de que fala o título - uma história bem ao estilo das publicações institucionais da mesma época, e com arte a condizer, como podemos ver nas páginas digitalizadas pelo 'outro' Pedro, e reproduzidas abaixo.


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Quatro das oito páginas da história, digitalizadas e enviadas pelo leitor Pedro Serras.


É, também, graças ao Pedro que ficamos a saber que esta publicação foi distribuída juntamente com as revistas Disney da Abril, algures em 1989 - o que, tecnicamente, a desqualificaria para inclusão neste blog. Vale a pena, no entanto, abrir uma excepção em nome de não deixar passar em claro tão bizarro (e, ao mesmo tempo, típico) exemplo de banda desenhada institucional de finais do século XX...

Terças Tecnológicas: Os Órgãos Electrónicos

NOTA: Este post é respeitante a Terça-feira, 10 de Outubro de 2023.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Formava parte integrante da decoração da grande maioria dos quartos de crianças e jovens dos anos 80 e 90, normalmente colocado a um canto, onde pudesse facilmente ser usado sem estorvar quem mais quisesse usufruir da divisão; por ocasião da visita de amigos, era uma das primeiras posses a ser orgulhosamente exibida, logo a seguir a qualquer consola que residisse ali por perto. Falamos, é claro, do órgão electrónico (da Casio ou qualquer outra marca), cuja entrada na consciência popular colectiva não só serviu para demonstrar que os avanços tecnológicos verificados naqueles anos podiam ser aplicados a outras áreas que não apenas a da informática e computadores, como também terá contribuído para despertar em muitos jovens o gosto pela música, e quiçá pelo próprio teclado enquanto instrumento de eleição.


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Os teclados Casio estavam entre os mais populares, a ponto de quase se tornarem sinónimos do produto em questão.


Já populares nos quartos de adolescentes norte-americanos e de outros países desde a década transacta, foi, no entanto, na década de 90 que os órgãos electrónicos começaram a formar parte integrante dos catálogos de Natal de supermercados e hipermercados, e a ocupar lugar de destaque no tipo de loja de brinquedos onde, anos antes, seria praticamente impensável ver ser vendido um instrumento 'a sério'. Escusado será dizer que este tipo de exposição não tardou a despertar a cobiça de toda uma geração de mini-aspirantes a músicos, que rapidamente passaram a incluir este instrumento em listas de presentes de anos e Natal, pesasse embora o preço algo proibitivo da maioria dos exemplares.


Isto porque, embora existissem modelos mais básicos e condicentes com o poder de compra da maioria dos portugueses à época, era aplicado a este instrumento o mesmo princípio usado com as calculadoras e agendas electrónicas – ou seja, quantas mais funções, melhor. Os órgãos mais cobiçados eram aqueles que, além das funcionalidades básicas, contavam ainda com sons programáveis (alguns bastante estranhos, e bem ao gosto da juventude da época), faixas de acompanhamento electrónicas, compatibilidade com microfones, e outros extras por demais aliciantes, e considerados quase indispensáveis – mesmo que o limite da capacidade musical de muito do público alvo começasse e acabasse nos 'Martelinhos'. Quem tinha um aparelho destes mais 'apetrechados' passava, pois, a contar com um motivo de 'gabarolice' imediata, enquanto os restantes se viam obrigados a continuar a utilizar a versão mais simples de que dispunhavam, e a sonhar com o modelo desejado.


Tal como muitas outras 'febres' de que falamos nesta e noutras rubricas do nosso 'blog', também os órgãos electrónicos acabaram por perder preponderância na vida dos jovens das gerações Z e 'millennial', substituídos pela mais recente 'engenhoca', brinquedo 'da moda', consola ou telemóvel na lista de prioridades; ainda assim, quem tomou parte naquele breve mas marcante período em que toda a gente tinha um instrumento desses, ainda hoje sentirá, possivelmente, vontade de ir à garagem buscar o seu e 'dar uns toques', tal como fazia no seu quarto de juventude, há coisa de trinta anos...

Monday, 9 October 2023

Segundas de Séries: 'Henbei', o 'Parente Pobre' de 'Doraemon'

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Os anos 80 e 90 representaram o grande 'boom' da então chamada 'Japanimação' (hoje designada pelo seu nome correcto, 'anime') no nosso País. Apesar de o estilo em causa vir já sendo desenvolvido desde a década de 60, foi apenas já em finais do século XX que o mesmo almejou atravessar o Oceano e surgir pela primeira vez nas televisões lusas, através de séries tão icónicas quanto 'Fábulas da Floresta Verde', 'Cavaleiros do Zodíaco', 'Esquadrão Águia', 'Capitão Falcão' ou 'Tom Sawyer', além de co-produções japonesas com estúdios europeus, como 'As Aventuras do Bocas' ou 'O Panda Tao-Tao'. A calorosa recepção a estas primeiras investidas abriu, claro, caminho a muitas outras, e antes do final do Segundo Milénio, as crianças e jovens nacionais já consideravam o 'anime' parte do seu quotidiano, com programas como 'Navegantes da Lua', 'Samurai X' ou as três partes da saga 'Dragon Ball' a atingirem níveis de sucesso até então pouco habituais em Portugal.


Entre estas duas vagas, no entanto, situou-se um período em que a animação japonesa surgiu nas televisões portuguesas, sobretudo, 'dissimulada' sob a 'capa' de produções europeias e americanas; no entanto, até mesmo esses anos viram alguns 'desenhos japoneses' penetrar as grelhas dos quatro canais nacionais. Neste grupo, por entre 'As Histórias Mais Bonitas' e 'Noeli', surgia uma série de curtos episódios (com apenas cerca de dez minutos) sobre um estranho ente de outra dimensão que, qual Mary Poppins extraterrestre, descia dos céus com o seu guarda-chuva mágico para mudar a vida de um rapazinho sortudo.


Não, não se trata de 'Doraemon'; o gato cósmico estava ainda a quase uma década de encantar toda uma geração de crianças e jovens através da icónica dobragem espanhola do Canal Panda. A série de que falamos é mais recente (foi criada em finais dos anos 80, enquanto que 'Doraemon' remonta a meados da década anterior) mas, paradoxalmente, mais antiga para o público infanto-juvenil lusitano, que a conheceu há quase exactos trinta anos, quando foi transmitida na RTP em versão dobrada.


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Falamos de 'Parasol Henbee', conhecido em Portugal pelo nome de 'Henbei', e cujas semelhanças com 'Doraemon' são tudo menos fortuitas, já que ambos os desenhos animados têm o mesmo criador – Motoo Abiko, ou 'Fujiko Fujio A', um dos membros da dupla de animadores Fujiko Fujio. Não fora esse elo de ligação e as assustadoras semelhanças entre ambas as séries podiam ser tomadas por plágio – as premissas de ambas são practicamente idênticas, o mesmo se passando com as duplas de protagonistas e situações vividas pelos mesmos; assim sendo, trata-se apenas de uma tentativa de replicar uma fórmula vencedora, que – apesar de menos memorável do que a série-base que lhe serve de inspiração – acaba por ser bem-sucedida, representando um 'prato cheio' para fãs de Doraemon, ou de séries ocidentais com conceitos semelhantes, como 'Ursinhos Carinhosos'.


E apesar de não ter 'pegado de estaca' como sucedeu com 'Doraemon', que forma parte importante da nostalgia de toda uma geração de jovens telespectadores portugueses, 'Henbei' é, ainda assim, recordado pela faixa ligeiramente mais velha de 'millennials' nacionais – quanto mais não seja, pelo seu épico tema de abertura, uma daquelas canções que merecia o mesmo nível de fama de 'Digimon', 'Dragon Ball' ou 'Tom Sawyer', mas que teve o 'azar' de fazer parte de uma série significativamente menos conhecida.



Quem conhece, já está a cantar...


Ainda assim, quanto mais não seja por esse elemento extremamente bem-sucedido, vale a pena recordar o 'parente pobre' de 'Doraemon' – e primeira experiência com animação japonesa para muitas crianças portuguesas – numa altura em que se assinalam trinta anos sobre a sua exibição única na televisão estatal nacional.

Sunday, 8 October 2023

Domingos Divertidos: As Navegantes dos 'Trezentos'

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Na última edição desta rubrica, abordámos os super-heróis da 'loja dos trezentos' – aquelas figuras inertes, inexpressivas e maioritariamente imóveis moldadas e pintadas para parecerem Power Rangers ou VR Troopers, sem no entanto terem as dimensões ou proporções correctas para alinharam ao lado destes nas diversas aventuras a que a criança média portuguesa da época submetia os seus 'bonecos', e demasiado rígidos para entrarem nas missões dos Action Man. Muitos dos que formavam parte do referido grupo demográfico certamente se lembrarão, no entanto, que estas estavam longe de ser as únicas 'contrafacções' feitas para simular os heróis das propriedades intelectuais mais populares da época; de facto, existia também, ao mesmo tempo, uma variante 'feminina' deste tipo de figura, que muitas meninas de finais do século XX certamente terão tido entre a sua vasta colecção de bonecas ao estilo Barbie.


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Exemplo bem típico das bonecas em causa, aqui numa fusão das navegantes da Lua e de Mercúrio.


Falamos, claro, dos 'sucedâneos' de Sailor Moon, disponíveis nas mesmíssimas lojas dos 'trezentos' – e, mais tarde, chinesas – muitas vezes imediatamente ao lado daqueles que estavam, inevitavelmente, fadados a tornar-se seus namorados em casas com crianças de ambos os sexos, por muitos que fossem os protestos da(s) parcela(s) masculina(s) dessa equação. Em tudo semelhantes às pseudo-'Barbies' vestidas de gala ou de sereia que as rodeavam, o único factor distintivo destas bonecas era, precisamente, a roupa, que emulava a de Serena, líder e personagem principal das icónicas 'Navegantes da Lua', um dos mais populares desenhos animados entre o público feminino da época. Quem tivesse menos apetência para passagens de modelos ou aventuras encantadas podia, assim, organizar um 'esquadrão' de estudantes com super-poderes, prontas a defender o quarto de todos os perigos com a ajuda das suas tiaras mágicas – e tudo isto sem ter de gastar o dinheiro correspondente à compra de uma figura oficial (algo que, aliás, não existia ainda em Portugal no período em análise.)


A contrapartida a esta atractiva proposta prendia-se, claro está, com a qualidade de fabrico, que era tão fraca quanto a de qualquer outra boneca dos 'trezentos', com corpo e membros ocos, que se amolgavam ao mínimo toque e pareciam sempre em riscos de se partir ou desconjuntar; no entanto, e ao contrário do que muitas vezes se pensa, quem comprava este tipo de brinquedo na altura sabia, na maioria das vezes, 'ao que ia', e não tinha qualquer problema em aceitar esta inevitabilidade face à possibilidade de contar com uma réplica relativamente aproximada de uma das suas heroínas televisivas favoritas.


Tal como sucede com os seus congéneres masculinos, estas bonecas marcam, até hoje, presença nas lojas em causa, prontas a aliciar a Geração Z da mesma forma que fizeram com a sua antecessora; e, sendo 'Navegantes da Lua' ainda hoje uma propriedade popular entre as crianças e jovens, resta saber se os pequenos 'Z' estarão dispostos a aceitar os defeitos inerentes a estas figuras como o fizeram as suas mães e irmãs mais velhas. Sendo esse o caso, é de crer que estas bonecas gozem, ainda, de muitos e bons anos como 'alternativa' pseudo-licenciada a Barbie, Sindy e restantes congéneres...

Saturday, 7 October 2023

Saídas ao Sábado: O Aquário Vasco da Gama

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Na última edição desta rubrica, falámos do Oceanário, uma das mais memoráveis Saídas de Sábado para as crianças e jovens de finais dos anos 90, sobretudo as residentes na região de Lisboa. Para essas, no entanto, a nova atracção criada como parte da infra-estrutura da Expo '98 não era o único local onde se podiam ver, ao vivo e a cores, peixes e outros elementos da fauna aquática; nada mais justo, portanto, do que dedicarmos esta semana algumas linhas ao seu principal 'concorrente'.


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A fachada do edifício permanece praticamente inalterada desde a época em causa.


Falamos do 'velhinho' mas icónico Aquário Vasco da Gama, já à época centenário, mas ainda capaz de fazer as delícias dos entusiastas da vida aquática, com a sua vasta gama de peixes e algumas 'atracções especiais', que faziam com que uma Saída de Sábado ao dito estabelecimento valesse bem a pena – mesmo tendo em conta as relativas dificuldades em chegar à zona limítrofe de Algés e Dafundo, onde o mesmo se situava. Isto porque, se o Oceanário aliciava os visitantes com a possibilidade de ver lontras-marinhas, o Aquário contava, à época, com uma instalação dedicada aos leões-marinhos, onde os visitantes podiam admirar alguns exemplares da dita espécie; mais tarde, este mesmo recinto, localizado no extremo mais distante do edifício, passou a albergar pinguins, uma alternativa apenas marginalmente menos interessante e entusiasmante.


Além desta 'atracção principal', o Aquário Vasco da Gama dos anos 90 contava, ainda, com outro aliciante óbvio – no caso, um fóssil de lula gigante, com lugar de honra perto da entrada, e que não deixava de causar espanto e admiração nos jovens visitantes. Em conjunto com outros pequenos 'toques' interactivos (como a caixa que permitia ouvir os 'choques' emitidos pelas enguias eléctricas do outro lado do vidro) e com as instalações já de si atractivas e bem decoradas, estes elementos contribuíam para fazer do Aquário uma alternativa mais clássica e antiquada, mas não menos interessante ou apelativa, ao Oceanário, dando às crianças e jovens de Lisboa e arredores a possibilidade de escolha no tocante à observação de animais aquáticos – razão mais que suficiente para lhe dedicarmos algumas linhas nesta nossa rubrica dedicada a locais memoráveis para uma saída de fim-de-semana.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...