Friday, 7 April 2023

Sessão de Sexta: 'O Homem da Máscara de Ferro' (1998) - Há Vida Após 'Titanic'

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


O ano de 1998 pode ser considerado como assinalando o verdadeiro 'despontar' de Leonardo DiCaprio enquanto actor de 'primeira linha' em Hollywood; embora o bem-parecido jovem já contasse, à época, com alguns papéis dignos de nota (alguns, inclusivamente, aclamados pela crítica, como o do irmão do Gilbert Grape de Johnny Depp no filme homónimo) foi em finais de 1997 que o actor verdadeiramente 'explodiu' na cena cinematográfica, com a conquista do papel principal no mega-sucesso 'Titanic', ainda hoje uma das maiores receitas de bilheteira da História do cinema moderno.


Este novo estatuto trazia consigo, no entanto, um novo desafio: o de escolher entre a vertente de carreira como ídolo juvenil e a que conduzia ao reconhecimento como actor 'a sério'. A solução encontrada pelo jovem foi a de assumir uma posição de compromisso, não hesitando em fazer uso da sua aparência física para 'vender' filmes mas, ao mesmo tempo, entregando-se a projectos algo mais desafiantes do que as típicas comédias românticas que o 'rival' pelas afeições das jovens da época, Brad Pitt, vinha ainda fazendo. O primeiro desses projectos, que completa este fim-de-semana de Páscoa vinte e cinco anos sobre a sua estreia em Portugal, foi uma adaptação de um romance de Alexandre Dumas, onde DiCaprio encabeçava um elenco recheado de estrelas do calibre de Gérard Dépardieu, Jeremy Irons ou John Malkovich.


21010008_20130603220024666.webp


Tratava-se de 'O Homem da Máscara de Ferro', obra do relativamente desconhecido Randall Wallace que chegava às salas portuguesas a 10 de Abril de 1998, e que trazia DiCaprio no papel do mítico prisioneiro francês do reinado de Luís XIV, o qual se vê a braços com os quatro famosos mosqueteiros do 'Rei Sol', aqui já bastante envelhecidos e interpretados com maestria por Irons, Malkovich, Dépardieu e Gabriel Byrne. Para crédito de DiCaprio, o mesmo não faz má figura frente a estes mestres da representação, conseguindo manter bem distintos os papéis do prisioneiro (conhecido apenas como Philippe) e do próprio Rei, seu irmão gémeo secreto. O resultado é um filme que, apesar de relativamente mal recebido pela crítica à época do seu lançamento, continua a afirmar-se como uma obra de qualidade um quarto de século após o seu lançamento, e que tem o mérito indelével de ter destronado 'Titanic' do seu hegemónico reino de seis meses sobre as bilheteiras norte-americanas. tendo-se assim DiCaprio 'substituído' a si mesmo no lugar cimeiro da tabela. Título bem merecedor, portanto, da distinção que lhe prestamos neste vigésimo-quinto aniversário do seu lançamento em Portugal, e que continua a constituir uma excelente opção para uma tarde ou noite de cinema em família.

Thursday, 6 April 2023

Quintas no Quiosque: 'Tele Guia' - A 'Parente Esquecida' da TV Guia

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Uma edição anterior desta rubrica focou as revistas que misturavam notícias sobre televisão, 'fofocas' sobre artistas e celebridades e grelhas de programação, com destaque para títulos ainda hoje existentes, como a TV Guia e a TV 7 Dias; no entanto, à época, ficava de fora uma publicação muito semelhante, mas bem mais obscura, e por isso pouco lembrada por quem foi jovem ou mesmo leitor deste tipo de publicação em finais do século XX - a Tele Guia.


lg0YgMW.jpg


(Crédito da foto: Fórum A Televisão)


Criada algures nos primeiros anos da década, esta revista seguia à risca a 'fórmula' que ia fazendo o sucesso das suas congéneres, apresentando variações sobre muitas das mais populares secções das mesmas, das notícias às entrevistas, passando pelos inevitáveis resumos de novelas e, claro, pela grelha de programação, elemento central de qualquer revista deste tipo. As (poucas) novidades ficavam por conta de secções como 'Um Dia Com...' um qualquer nome da televisão portuguesa, ou do 'anexo' contido no final da revista (e único aspecto verdadeiramente inovador da mesma) intitulado 'Mais Tele Guia', e que adoptava uma fórmula mais próxima de publicações como a 'Guia', com receitas, horóscopos, testes e conselhos sobre assuntos como a saúde e, claro, a beleza.


erFuKjO.jpg


O suplemento 'Mais Tele Guia' era talvez o aspecto mais inovador da revista. (Crédito da foto: Fórum A Televisão.)


Mesmo este ligeiro 'desvio' da norma não foi, no entanto, suficiente para tornar a 'Tele Guia' memorável, tendo-se a revista esvaído nas 'brumas do tempo', sem nunca ter conseguido almejar o sucesso (e ainda menos a longevidade) das suas congéneres - como o comprova a dificuldade em encontrar informações sobre este título na Internet actual (obrigado, fórum A Televisão!) Ainda assim, certamente haverá entre os nossos leitores quem tenha memória (ainda que vaga) da revista - e quem não tiver, ficará decerto a conhecer esta parte obscura, mas ainda assim válida, do mercado de revistas sobre televisão do Portugal dos anos 90.

Wednesday, 5 April 2023

Quartas aos Quadradinhos: 'Os Meus Heróis Favoritos' (1995) - Um Lançamento em 'Piloto Automático'

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


A posição hegemónica e o enorme acervo de material disponível permitiram à Abril-Controljormal levar a cabo várias experiências de mercado relativas às suas revistas Disney em meados da década de 90, nomeadamente no tocante à publicação de títulos especiais de número único, os chamados 'one-shots'. Destas, destacaram-se a revista alusiva ao Titanic, lançada para capitalizar sobre o sucesso do filme, a adaptação da descoberta da América ao universo de Mickey e Pateta, uma revista do tamanho de um Hiper Disney dedicada a uma única história (da qual em breve aqui falaremos) e o título de que falamos no 'post' desta semana, uma 'anomalia' baptizada 'Os Meus Heróis Favoritos'.


pt_mhf_01a_001.jpeg


Lançado algures durante o ano de 1995, este número único talvez tenha representado uma espécie de 'piloto' para uma nova série projectada, ou talvez apenas uma forma de 'escoar' mais algumas das muitas histórias em arquivo; fosse qual fosse o caso, a verdade é que a experiência nunca teve seguimento, tendo-se este título ficado pelo número único, e, como tal, sido algo menos lembrada do que a maioria das revistas lançadas pela popular casa editorial na mesma altura.


Para isso poderá, também, ter contribuído a falta de 'foco' da revista, que (ao contrário da maioria das congéneres) não se centrava em torno de qualquer tema, ou apresentava qualquer lógica na selecção de histórias a incluir, limitando-se a recolher um 'molho' aparentemente aleatório de trabalhos e a 'cuspi-las' para as suas cerca de setenta páginas. Entre a selecção incluída neste título contam-se as inevitáveis histórias 'made in' Itália - com honras de abertura, claro - mas também uma tira clássica norte-americana e várias histórias criadas no Brasil, uma delas com Zé Carioca e Nestor a falar o seu embaraçoso 'brazuquês' traduzido, que tão mal soava a quem estava habituado aos originais - e que, além do mais, quebra o ténue fio de lógica conectora que havia entre as restantes histórias, quase todas com Mickey ou Pateta como protagonistas, embora duas se centrem sobre o núcleo de Donald e Patinhas.


Em suma, este foi mais um daqueles títulos que deixou a impressão de ter sido publicado apenas 'porque sim', por a editora ser tão poderosa que qualquer coisa que mandassem para as bancas tinha vendas garantidas. No entanto, ao analisar a fundo a estrutura do volume, não é difícil perceber porque é que 'Os Meus Heróis Favoritos' se ficou pelo número único, já que se trata de uma publicação cujo único propósito parece ser o de 'regurgitar' mais algumas histórias para 'sacar' mais duzentos escudos aos 'putos' fãs das BDs da Disney, com muito pouca da habitual atenção ou cuidado na produção que marcavam muitas das outras revistas da Abril no mesmo período. Uma curiosidade interessante pelo carácter 'autónomo' e único no catálogo da editora, mas que nem a perspectiva nostálgica consegue transformar em muito mais do que isso...

Tuesday, 4 April 2023

Terças de TV: 'Fátima Lopes' - O Protótipo dos 'Talk Shows' Portugueses

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


O surgimento dos canais de televisão privados potenciou o surgimento e expansão de um formato televisivo já explorado, ao de leve, pela televisão estatal, mas exacerbado e explorado à exaustão pelas referidas SIC e TVI: o 'talk show' matinal. Já tradicional nas grelhas de programação de países como os Estados Unidos e a Inglaterra, este tipo de programa - no qual se misturam entrevistas, debates, 'casos' reais, escândalos, segmentos com conselhos práticos do dia a dia e números de entretenimento - cimentou-se definitivamente em Portugal na segunda metade da década de noventa, para não mais abandonar as grelhas televisivas - e um dos principais responsáveis por essa popularidade (bem como um dos pioneiros do formato) foi precisamente o programa de que hoje falamos, estreado há pouco mais de um quarto de século e que levava o nome da sua apresentadora: 'Fátima Lopes'.


MV5BOWE0ZmU5MDUtYzVlYy00MjdhLWE0ZjktNzBjMDExMjI1Yj


Idealizado por Manolo Bello (um dos co-criadores dos famosos 'Apanhados', o programa propunha um bloco diário de três horas, sob a égide da apresentadora homónima (então conhecida, sobretudo, pelos não menos icónicos 'Perdoa-me' e 'All You Need is Love'), e sempre dedicado a um tema de interesse para o seu público-alvo de donas-de-casa - ainda que, por vezes, o assunto em debate fosse um pouco mais 'arriscado' do que o habitual, como foi o caso com o travestismo, num episódio que, aliás, chegou a ser reaproveitado pelos icónicos Gato Fedorento, anos depois da última transmissão do programa, que data de 2001. (De notar, aliás, que 'Fátima Lopes' entrou nas casas dos portugueses durante quase exactamente três anos, datando a primeira emissão de 16 de Fevereiro de 1998, e a última de 2 de Fevereiro de 2001.)


O final do programa não significou, no entanto, o fim do formato em causa na emissora de Carnaxide, ou mesmo da carreira de Fátima Lopes como apresentadora deste tipo de conteúdos; pelo contrário, a apresentadora tornou-se tão sinónima com programas deste tipo como Manuel Luís Goucha na RTP, surgindo à cabeça de mais dois formatos do mesmo tipo em anos subsequentes, 'SIC 10 Horas' e 'Fátima', antes de se 'mudar' para a TVI, onde continuaria na mesma senda. Ainda assim, é pelo seu programa homónimo, e pelas suas mais de seiscentas emissões, que a apresentadora é, ainda hoje, recordada por muitos daqueles que acompanhou durante o pequeno-almoço ou os 'tempos mortos' das manhãs de infância ou adolescência, tornando-se presença diária, constante e reconfortante no ecrã da televisão de casa.

Segundas de Sucessos: Em Memória de 'Jazzé' Duarte (1939 - 2023) - Cinco Décadas de 'Cinco Minutos'

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 03 de Abril de 2023.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Apesar do relativo ecletismo de estilos que os jovens de finais do século XX inseriam na sua 'dieta' musical quotidiana, o 'jazz' nunca foi um género com que essa mesma demografia se identificasse particularmente, talvez pelas pretensões intelectuais e imagem algo antiquada com que o mesmo era associado à época, e que o colocavam em claro contraste com os estilos favorecidos pela juventude, como o pop-rock e o alternativo. E, no entanto, a verdade é que, apenas uma geração antes, este género musical havia sido religiosamente escutado e seguido por grande parte dos jovens nacionais da época, sobretudo os citadinos, graças a um programa de rádio de difusão nacional exclusivamente dedicado ao estilo, inaugurado em 1966 e que continuava a manter-se 'firme' naquele fim de século, vindo inclusivamente a adentrar-se pelas primeiras duas décadas do século XXI antes de ser interrompido, há meras semanas, pela morte do seu criador.


Falamos do 'Cinco Minutos de Jazz', rubrica de título auto-explicativo da responsabilidade de José (ou 'Jazzé') Duarte - não confundir com José Jorge Duarte, o 'Lecas' - que fez parte do léxico radiofónico português durante mais de cinco décadas, ao longo das quais apresentou aos ouvintes interessados em 'jazz' um sem-número de nomes mais ou menos famosos do estilo, alguns dos quais devem, inclusivamente, ao programa a penetração e difusão do seu nome em Portugal.


GetResource.jfif


O carismático apresentador do programa, figura de proa do 'jazz' nacional


Transmitido primeiro pela Rádio Renascença, depois pela Rádio Comercial, e finalmente pela Antena 1, o programa manteve uma transmissão ininterrupta durante praticamente quarenta anos (entre 1983 e o corrente ano de 2023), sempre com a mesma fórmula que adoptara aquando da sua criação em 1966, e que consistia numa apresentação da música, seguida da transmissão integral da mesma e, finalmente, numa pequena contextualização explicativa, que revelava mais alguns dados em relação ao tema que acabara de tocar. Um formato simples, mas eficiente, que tirava o máximo partido do tempo disponível para a rubrica e eliminava muita da 'palha' que continua, até hoje, a infestar muitos programas radiofónicos. Aliada ao carisma e simpatia natural do falecido apresentador, esta economia de estilo ajudou a tornar o programa um sucesso, tendo o mesmo mantido uma audiência cativa ao longo de décadas, até se tornar o programa mais antigo da rádio portuguesa.
´
Não foi, no entanto, apenas o programa que almejou fama dentro dos meios musicais portugueses - também o seu anfitrião ganhou honras de 'decano' e 'embaixador' do movimento 'jazz' português, sendo muitas vezes o escolhido para acolher certas figuras de proa do estilo (ou mesmo para as aliciar para um concerto em Portugal) e estando envolvido na organização de vários dos primeiros festivais dedicados ao género em solo nacional. Foi, também, dele e do seu programa a responsabilidade pela edição do primeiro disco de 'jazz' em Portugal, de nome 'Estilhaços' e lançado em 1972 para celebrar o sexto aniversário do programa (o qual, ironicamente, seria alvo de uma paragem forçada daí a um par de anos, antes do regresso em 1983.)


Assim, e apesar de o seu programa se afirmar já como 'de culto' (ou, se preferirmos, 'de nicho') por alturas da infância e adolescência de muitos dos leitores deste 'blog', vale, ainda assim, realçar e relevar a importância do seu apresentador, cujo falecimento representa uma perda de vulto para o movimento 'jazz' português, que se vê privado não só do seu programa de referência, como também de uma das principais personalidades propulsoras do mesmo ao longo das décadas. Que descanse em paz.

Monday, 3 April 2023

Domingos Divertidos: Os Papagaios Repetidores

NOTA: Este 'post' é correspondente a Domingo, 02 de Abril de 2023.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Os avanços tecnológicos de finais do século XX permitiram que as crianças dos anos 80 e 90 disfrutassem de uma série de brinquedos que, sem serem aberta ou explicitamente tecnológicos, faziam uso das capacidades existentes para criarem funcionalidades apelativas que pudessem servir como argumentos de vendas junto do público-alvo. Dos mais complexos, como os 'Furbies', aos mais simples, como as flores dançarinas ou os animais a pilhas, foram inúmeros os exemplos deste tipo de produto disponibilzados ao longo dos últimos vinte anos do Segundo Milénio; no entanto, para as crianças portuguesas em particular, poucos simbolizam esse período da História comercial tão bem quanto os famosos 'papagaios repetidores'.


Imita-o-de-papagaio-falante-e-repetidores-o-que-vo


Surgidos praticamente 'do nada' para se tornarem êxitos de vendas das lojas de brinquedos mais pequenas (e daquelas lojas 'vende-tudo' semi-duvidosas, a meio caminho entre as drogarias e as lojas dos 'trezentos', tão populares e frequentes no Portugal da época) estes papagaios movidos a pilhas tinham como proposta única a repetição - numa voz robótica e esganiçada - de parte ou da totalidade de qualquer frase dita por quem se encontrasse nas suas proximidades, normalmente acompanhado de um bater de asas mecanizado. Tal era, claro, possível graças aos componentes electrónicos localizados no seu interior, que certamente pareceriam simplistas e obsoletos do ponto de vista actual, mas que, à época, eram suficientemente impressionantes para tornar estes papagaios numa 'febre' entre as crianças e jovens de uma certa idade aquando da sua chegada a Portugal, em inícios dos anos 90.


De facto, por mais difícil que seja imaginá-lo nesta era de Tamagotchis com funcionalidades Bluetooth e brinquedos controlados por Wi-Fi, numa era não muito distante da História, ter no quarto um papagaio que repetia o que se dizia à sua frente era não só motivo de inveja e 'gabarolice', mas também de largos momentos de diversão, quer sozinho, que na companhia dos amigos - um marco (mais um) de tempos mais simples, em que as crianças e jovens eram bem menos exigentes no que tocava às funcionalidades dos seus brinquedos e divertimentos. De facto, apesar de estes papagaios se encontrarem ainda disponíveis hoje em dia, em sites como o AliExpress, é difícil imaginar que um brinquedo deste tipo suscite numa criança do século XXI o mesmo tipo de interesse que criou junto da geração anterior, ou que seja elevado ao estatuto de 'peça central' do quarto como o foi para os jovens de finais de 90; quem viveu o curto mas marcante auge de popularidade destes brinquedos, no entanto, certamente se lembrará da sensação que o mesmo causava junto de qualquer grupo de amigos de uma determinada idade...

Sábados aos Saltos: As Partidas

NOTA: Este 'post' é correspondente a Sábado, 01 de Abril de 2023.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


No dia 1 de Abril celebra-se, tradicionalmente, o Dia das Mentiras, uma data sem grande significado para os adultos, mas que, para os mais novos, era o pretexto perfeito para contar 'petas' sem por isso se meter em sarilhos, bem como para levar a cabo algumas 'partidas' mais ou menos inofensivas tendo como 'vítimas' os familiares, vizinhos ou amigos. É de algumas das mais clássicas entre essas brincadeiras que falaremos neste 'post'.download.jfif


Uma partida clássica e intemporal


Havia, por exemplo, as clássicas partidas com recurso a balões de água ou estalinhos, que embora tivessem no Carnaval o seu auge, eram também por vezes levadas a cabo em outras alturas do ano. Outro clássico eram os insectos de borracha, à época bem fáceis de arranjar como brinde nas máquinas de bolas ou em qualquer tabacaria, drogaria ou loja de brinquedos, e perfeitos para assustar os familiares à mesa ou 'esconder' num sítio onde causassem o máximo impacto. Havia, ainda, a velha brincadeira de bater à porta ou tocar à campainha e sair em disparada antes que o dono da casa aparecesse, bem como as tradicionais partidas telefónicas, normalmente efectuadas a partir de cabines telefónicas, e tendo como alvo os números gratuitos, caso em que as consequências monetárias eram mínimas (nem sequer era preciso gastar impulsos no Credifone), e a possibilidade de ser descoberto através do número menor ainda.


Estas não eram, claro, as únicas partidas levadas a cabo pelas crianças daquela época; antes pelo contrário, havia um sem-número de outras, de variados graus de 'gravidade' (dos 'nhecos' aos toques nas costas, imediatamente seguidos de um ar inocente, como se não se tivesse tocado) sendo o único limite a imaginação (e, por vezes, os princípios morais). Algumas dessas (e algumas das que acima mencionámos) continuam, mesmo, a divertir a nova geração de crianças nos dias que correm - embora, actualmente, o meio preferencial para pregar 'partidas' seja mesmo a Internet, e o cariz das mesmas se prenda mais com as identidades falsas e o chamado 'catfishing'. Quem viveu a sua juventude em finais do século XX, no entanto, terá - esperemos - chegado a estas últimas linhas deste 'post' com um enorme sorriso, ao recordar as partidas em que tomava parte ao lado dos amigos...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...