Monday, 5 July 2021

Domingos Divertidos: As Bonecas Polly Pocket

NOTA: Este post é correspondente a Domingo, 4 de Julho de 2021.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


(NOTA 2: Este post é dedicado à Maria Ana, que sugeriu o tema logo no início da vida deste blog.)


A Barbie foi, de longe, o brinquedo ‘de menina’ mais popular da década de 90 (e da maioria das outras décadas); esse facto é difícil de contestar ou negar. No entanto, tal como também aconteceu nas referidas outras décadas, houve, no ‘nosso tempo’, algumas linhas que procuraram usurpar o trono da loira platinada – e quase conseguiram.


Uma das principais ameaças à boneca da Mattel durante este período, pelo menos em Portugal, veio, curiosamente, da própria casa-mãe  - tratavam-se das ‘casinhas’ em miniatura da colecção Polly Pocket, uma linha de brinquedos que cai precisamente a meio caminho entre esta secção e as Quintas de Quinquilharia, por motivos que passaremos a explicar.


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Um dos conjuntos maiores da linha


Lançada em 1989 pela Mattel em parceria com a britânica Bluebird Toys, e distribuída em Portugal pela Concentra, a linha Polly Pocket tinha um conceito tão simples quanto atraente, apresentando pequenas casinhas de bonecas em forma de cofre ou estojo, habitadas por figuras absolutamente microscópicas, e que as crianças poderiam carregar consigo no bolso ou na mochila da escola (daí a intersecção com a secção de Quinquilharias). E embora o risco de perder uma das bonecas fosse elevado, era precisamente isso que muitas jovens faziam, aproveitando o conceito e dimensões do brinquedo para o levarem consigo para a escola, em passeios, ou de férias, algo que nem sempre era possível com as mais volumosas Barbies, ou com o outro grande ‘companheiro’ das raparigas daquela época, o Nenuco (de que, aliás, também falaremos dentro em breve). A Polly Pocket afirmava-se, assim, como um sucesso de vendas, simplesmente por aproveitar e preencher um ‘gap’ de mercado que muitos talvez nem soubessem que existia até ao aparecimento desta linha.


O sucesso de Polly Pocket (que se manteve mesmo depois de a linha ter sido repensada em maiores dimensões, em 1998) não se limitou ao conceito original; como muitas outras propriedades do agrado das crianças ao longo das décadas, a mini-boneca da Mattel rapidamente viu surgir ‘merchandising’ com o seu nome que pouco tinha a ver com o intuito dos brinquedos e acessórios existentes. E embora muitos destes produtos só viessem a ser lançados na década seguinte (na qual Polly surgiria também, pela primeira vez, em versão animada), os anos 90 viram ainda surgir um – um jogo LCD (!), lançado pela inevitável Tiger em 1994, e simplesmente intitulado ‘Electronic Polly Pocket’.


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O jogo electrónico da boneca, lançado em 1994


Surpreendentemente, a popularidade da linha Polly Pocket manteve-se em alta até aos dias de hoje, mesmo tendo sofrido uma quebra em finais da década de 2000, devido a medos por parte de muitos pais relativos ao tamanho das peças e acessórios da linha. Ainda assim, a boneca conseguiu recuperar admiravelmente, e – com a ajuda de uma série animada ao mais puro estilo ‘Bratz’ ou ‘Winx Club’ – manter-se relevante junto do público-alvo numa era em que brinquedos tradicionais como este competem com inúmeras distracções digitais, à partida, bem mais atraentes.



Abertura da série animada dos anos 2010


Tal como a propria Barbie, no entanto, Polly Pocket e companhia parecem ‘estar aí para as curvas’; resta saber se essa tendência se manterá nesta nova década que se inicia. Certo, por agora, é que, para quem foi criança nos anos 90, a memória de brincar com esta linha de bonecas única ainda perdura - e, decerto, as músicas estupidamente 'catchy' dos anúncios da época também...



30 anos depois, ainda nos lembrávamos da letra na íntegra...

Sunday, 4 July 2021

Sábados aos Saltos: O Diabolo

NOTA: Este post é relativo a Sábado, 3 de Julho de 2021


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.


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O post de hoje podia ficar-se pela imagem acima, e decerto já muitos dos nossos leitores sentiriam uma intense dose de nostalgia. Mas como neste blog gostamos sempre de dar um pouco mais a quem nos segue, vamos lá dedicar algumas linhas a falar desse inesquecível companheiro de brincadeiras do nosso tempo, o Diabolo.


Oriundo do mundo das artes circenses e de rua, onde é, desde há muito, um acessório-padrão, o Diabolo explodiu em popularidade entre o público infanto-juvenil em meados da década de 90, num fenómeno repentino e algo inexplicável, até porque estes instrumentos não estavam, inicialmente, disponíveis nas lojas de brinquedos. Quando primeiro se ouviu falar deles, os Diabolos só estavam disponíveis em determinadas lojas, muitas delas mais voltadas para o ‘outdoor’ e desporto-aventura do que propriamente para as brincadeiras infantis. Tendo em conta que estes instrumentos também não eram nada baratos – pelo menos os de qualidade…já lá vamos – não deixa de ser surpreendente que a ‘nossa’ faixa etária não só tenha ouvido falar deles, como os tenha tornado acessório obrigatório na mochila da escola.


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O cá de casa era assim, mas com paus em madeira.


Foi, no entanto, precisamente isso que aconteceu, com o Diabolo a tornar-se fiel companheiro da criança média portuguesa, que muitas vezes dedicava grande parte do seu tempo de recreio a ‘exibir’ os truques incansavelmente treinados em casa na noite anterior (os Diabolos ‘oficiais’ vinham com um livreto explicativo dos vários truques e de como executá-los, mas a maioria dos mais conhecidos pareciam passar de criança em criança através de um processo algures entre o boca-a-boca e a osmose).


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O livreto de truques que vinha com os 'Diabolos' oficiais


Da ‘Volta ao Mundo’ ao não menos admirado ‘Passear o Cão’, passando por truques ‘inventados’ no decurso das brincadeiras, como o ‘Kamehameha’ (simples ou duplo) ou a façanha, sem nome oficial, que consistia em fazer o Diabolo ‘passear’ num dos paus, eram muitos os movimentos que se podiam executar dando a velocidade e o impulso certos àquela espécie de ‘laço’ de borracha na ponta da corda – e muitas crianças portuguesas terão, certamente, melhorado bastante a coordenação motora tentando atingir essa combinação perfeita. Só era preciso ter cuidado para não enrodilhar os fios, pois isso implicava largos minutos de pausa para libertar o Diabolo da ‘teia’ onde o tínhamos inadvertidamente aprisionado…


Claro que todos os truques acima descritos se tornavam (ligeiramente) mais fáceis se o Diabolo fosse dos ‘oficiais’; que eram feitos de borracha dura com centro de metal. O preço proibitivo a que estes eram comercializados levava, no entanto, a que muitas crianças fossem forçadas a optar pela alternativa que entretanto se havia popularizado – Diabolos hiper-leves, de plástico frágil, e vendidos sem qualquer acessório à parte os paus e a linha necessária a fazê-los mexer (e por vezes, nem isso). Significativamente mais acessíveis, em termos de preço, do que os Diabolos ‘oficiais’, estas variações baratas eram fáceis de encontrar nos sítios do costume e, tal como os Tamagotchis falsos de que falámos há alguns posts atrás, acabaram por ter uma ‘vida’ significativamente mais longa do que os seus congéneres de melhor qualidade, sendo ainda muitas vezes avistados dez ou mesmo quinze anos depois de a ‘febre’ ter passado.


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Exemplos dos modelos mais baratos de Diabolo, feitos em plástico em vez de borracha.


E, como todas, a febre acabou mesmo por passar – e de forma mais abrupta do que outras de que já aqui falámos, ou viremos a falar. Tão repentinamente quanto tinham aparecido, os Diabolos desapareceram dos recreios – embora não da memória ou do coração daqueles que com eles haviam brincado; pelo contrário – este misto de brinquedo, desporto e acessório de malabarismo continua a ser uma das primeiras coisas que os ‘90s kids’ recordam ao ‘viajar’ até àquela época. Prova de que, apesar do seu ciclo de vida relativamente curto – até mais do que o de outras ‘febres de recreio’ – o Diabolo deixou mesmo a sua marca entre a juventude da década de 90…


 

Sessão de Sexta: 'O Dia da Independência'

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 2 de Julho de 2021.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


E porque se celebra, este fim-de-semana, o famoso Dia da Independência norte-americano, nada melhor do que recordar o filme que colocou essa data (ainda mais) nas bocas do resto do Mundo – Portugal incluído – e que foi lançado há quase exactamente 25 anos, a 3 de Julho de 1996.


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Falamos de ‘O Dia da Independência’, o filme-evento realizado por Roland Emmerich que transformou Will Smith de actor de ‘sitcom’ em herói de acção, com resultados surpreendentemente convincentes.


Não que Smith fosse a única ‘estrela da companhia’ – longe disso. Além do eterno ‘Príncipe de Bel-Air’, o elenco reunido por Emmerich contava ainda com Jeff Goldblum, Bill Pullman, Randy Quaid ou Harvey Fierstein, entre outros – isto, claro, sem falar do verdadeiro centro das atenções: os efeitos especiais.


De facto, ‘O Dia da Independência’ é quase mais um espectáculo visual do que um filme; ainda que as prestações dos principais actores sejam fortes, a história é o típico exagero absurdo característico deste tipo de produção, e que fornece bastas oportunidades para Emmerich e companhia utilizarem efeitos de computador absurdamente avançados para a época. Sejam as naves dos extraterrestres ou as habituais explosões, há (havia) muito com o que ficar de boca aberta nas quase duas horas e meia de duração do filme (também aqui Emmerich foi visionário, afirmando-se como precursor da tendência para filmes mais longos do que a média que se verificaria alguns anos depois.)



Os efeitos visuais do filme eram nada menos do que impressionantes, e extremamente avançado para a época.


O resultado foi um sucesso absoluto de bilheteira, tendo-se ‘O Dia da Independência’ tornado o filme mais lucrativo do ano, e o segundo mais lucrativo de sempre até então, apenas atrás do outro grande filme-evento da década, o ainda mais nostálgico ‘Parque Jurássico’. E apesar de essa marca ter sido, desde então, largamente ultrapassada (basta recordar os absurdos números de bilheteira de ‘Vingadores: Endgame’), a verdade é que ‘O Dia da Independência’ conseguiu manter-se marcante e relevante o suficiente para justificar uma sequela celebratória das suas duas décadas de vida, lançada em finais de Junho de 2016; o impacto desta última esteve, no entanto, longe do conseguido pelo seu precursor, um filme-espectáculo numa época em que os mesmos ainda eram a excepção, e não a regra. Nada melhor, portanto, do que celebrar o 25º aniversário deste marco do cinema dos anos 90 relembrando o furor que o mesmo causou à época…

Saturday, 3 July 2021

Quintas no Quiosque: A Revista 'Super Jovem'

NOTA: Este post é relativo a Quinta-feira, 1 de Julho de 2021.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


No início dos anos 90, existia no mercado português um ‘gap’ de revistas de variedades especificamente dirigida a um público infanto-juvenil. A Bravo era importada da Alemanha (e, como tal, servia para muito pouco a não ser para tirar posters) e a Super Pop portuguesa e a 100% Jovem ainda estavam a alguns anos de distância; para o segmento em idade escolar, aparte os quadradinhos, a oferta resumia-se à cristã ‘Nosso Amiguinho’ (distribuída nas escolas, e apenas disponíveis por assinatura) e (muito) pouco mais.


Esta situação viria a mudar em 1993, quando uma revista arriscou preencher esta lacuna de mercado, e assumir-se como referência informativa para o público infantil e adolescente, fornecendo-lhes informação sobre temas do seu interesse, das omnipresentes ‘celebridades’ aos jogos de vídeo, música, filmes, BD, ou simplesmente curiosidades sobre o que se passava no Mundo.


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Tratava-se da revista Super Jovem, talvez não tão lembrada hoje em dia como as ‘colecções de gatos’ chamadas Super Pop ou Bravo, mas que ainda conseguiu impacto considerável junto do público-alvo durante os seus mais de seis anos nas bancas, da estreia em 1993 (com um ‘número 0’ distribuído gratuitamente, e tendo na capa um Macaulay Culkin no auge da fama) até ao cancelamento mesmo no final da década.


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Capa do número 0 , distribuído gratuitamente


Tal devia-se, em parte, à referida variedade da revista, que, mesmo com as diversas mudanças de formato a que foi obrigada, nunca se ‘vendeu’ às vontades das raparigas adolescentes, e sempre tentou oferecer um pouco de tudo, de peças sobre os ídolos do momento a críticas de jogos, filmes e livros, ou simplesmente histórias de banda desenhada, neste caso da Disney (a Super Jovem era mais um dos muitos títulos lançados pela ‘rainha’ das publicações portuguesas da altura, a Editora Abril, que também publicava as revistas Disney.) Esta estratégia variada assegurava que a revista captava um público-alvo extremamente vasto, pois mesmo quem não tinha interesse no ‘galã’ de capa, encontraria sempre outro artigo ou uma história aos quadradinhos que o mantivesse interessado.


Outra táctica interessante, e até inovadora, praticada pela Super Jovem era a oportunidade que fornecia aos jovens de se tornarem, eles próprios, repórteres por algumas horas. Na secção recorrente ‘O Repórter Sou Eu', a entrevista era escolhida, e conduzida, por um(a) leitor(a) da revista, resultando em interacções um pouco diferentes do habitual, tanto para os entrevistados como para os leitores. Mais tarde, esta secção viria a perder preponderância, mas enquanto durou, foi uma experiência interessante, e que se pode dizer ter resultado.


Infelizmente, as referidas mudanças de formato – primeiro para um formato com menos páginas, mas ainda A5, e depois para uma tipologia A4 – resultariam na extinção desta e outras secções; no entanto, a ‘essência’ da Super Jovem continuou presente até ao final da vida da revista, a qual, mesmo já nos seus últimos números, continuava reconhecível como (mais ou menos) a mesma revista que chegara timidamente às bancas seis anos antes.


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A revista após a primeira mudança de formato, em meados da década


Além disso, a publicação soubera mudar com os tempos, mantendo-se sempre a par das personalidade, assuntos e ‘modas’ que mais interessavam aos jovens, sem discriminar – a título de exemplo, a revista começou com capas com Macaulay Culkin, Guns’n’Roses e Nirvana, acabou com Britney Spears e Dragon Ball Z, e chegou a ter artigos sobre eventos e movimentos menos óbvios, como o festival ‘metaleiro’ Monsters of Rock (!) (Se pensaram que nunca iam ver os Slayer e Machine Head numa revista ‘mainstream’ para ‘teenagers’, pensem novamente…)


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A popularidade, essa, também nunca decresceu muito, sendo que, no seu auge, a Super Jovem tinha expressividade suficiente para arriscar experimentar com novos formatos e iniciativas, como brindes – a colecção de CD-Singles marcou época - números especiais alusivos a filmes, colecções de posters ao estilo Bravo, e até produtos periféricos, como uma agenda.


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Capa da 'Agenda 1996' da Super Jovem


Enfim, no cômputo geral, uma revista bem mais merecedora da lembrança nostálgica dos jovens dessa época do que as Bravos desta vida, mas que – talvez por não ser constituída em 95% por fotos de ‘gajos giros’ – fica hoje um pouco atrás destas. Ainda assim, vale bem a pena recordar esta pioneira dos periódicos para jovens nacionais, que mostrou que havia mercado para uma revista juvenil que fosse mais do que um simples aglomerado de fotos e posters…

Quartas aos Quadradinhos: A Revista de BD de 'Os Dinossauros'

NOTA: Este post corresponde a Quarta-feira, 30 de Junho de 2021.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Na nossa Segunda de Séries sobre Os Dinossauros, mencionámos a quase ausência de ‘merchandise’ à altura da grande popularidade da série entre as crianças. Para além das habituais t-shirts e de um algo incongruente jogo de tabuleiro (havia propriedades muito mais famosas que não os tinham), pouco havia para manter os jovens fãs da série ocupados e entretidos entre episódios.


É por isso que causa tanta estranheza descobrir que ‘Os Dinossauros’ teve direito a uma revista aos quadradinhos própria – e que a mesma chegou a ser editada em Portugal, apesar de só quem lá esteve poder comprovar esse facto.


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A ÚNICA imagem da edição portuguesa de 'Os Dinossauros'


Sim, leitores, a revista portuguesa de ‘Os Dinossauros’ é mais um membro do grupo dos Esquecidos pela Net, existindo exactamente UMA imagem da mesma em toda a Googlesfera; o que até nem é de surpreender, tendo em conta que a série foi um fenómeno bastante ‘de época’, e a revista não foi mais do que um complemento destinado a ‘sacar mais uns cobres’ antes de as crianças passarem à próxima febre. Acabado o ciclo de vida da série, acabou também o da revista, que ainda assim conseguiu chegar aos 20 números, os mesmos da versão brasileira, de onde aliás a BD portuguesa retirava quase todo o seu material.


(De referir que, ao contrário do que aconteceu com as revistas da Disney ou Marvel/DC, a versão brasileira de 'Os Dinossauros' nunca chegou a ser exportada para Portugal; as edições que por cá saíram eram publicadas pelo próprio ramo nacional da Editora Abril.)


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Exemplo do estilo de ilustrações da BD


Em termos técnicos e qualitativos, a BD de ‘Os Dinossauros’ salda-se pela mediania aceitável típica do quadradinhos de ‘meio da tabela’ daquela época. Quer isto dizer que as histórias são engraçadas, os desenhos são cuidados (e reproduções exactas do estilo da série em ilustrações 2D) mas nada perdura ou fica na memória da mesma maneira que as melhores histórias da Turma da Mônica ou da Disney; era ‘só mais’ um título da ‘era de ouro’ dos quadradinhos, em que qualquer coisa vendia desde que tivesse personagens fofinhos ou fosse baseado num programa que as crianças vissem. Foi nesta última vertente que ‘Os Dinossauros’ apostou todas as suas fichas – era, declaradamente, um produto de consumo imediato e a curto prazo, semelhante à BD das Tartarugas Ninja (uma publicação, aliás, sensivelmente equivalente a nível de qualidade.)


Enfim, apesar de sem dúvida ter entretido muitas crianças nos anos 90, esta é uma revista que, sem o seu contexto de ‘cultura pop’, merece o esquecimento a que a Internet a votou. Ainda assim, para quem a leu, ainda que sem grande fanatismo (como foi o caso por estas bandas) vale sempre a pena recordar mais um dos títulos esquecidos dos ‘nossos’ Anos 90…

Terças Tecnológicas: O Tamagotchi Faz 25 Anos!

NOTA: Este post é relativo a Terça-feira, 29 de Junho de 2021.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


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Tamagotchi. Só o nome já traz memórias de andar na escola primária ou preparatória e ter – ou querer ter – um desses bichinhos virtuais que moravam em pequenos aparelhos digitais em forma de ovo. Parece que foi ontem…e, no entanto, já se passaram 25 anos!


Pois é, a mascote digital alienígena oriunda do Japão completa este ano um exacto quarto de século de existência, cuja celebração vai ficar marcada pelo lançamento de um novo modelo, desta vez em formato ‘wearable’, ou seja, embutido em relógios ou pulseiras bem ao estilo Apple, por oposição ao tradicional formato ‘handheld’ com que todos crescemos.


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O Tamagotchi, versão 2021


Descaracterização, dirão alguns, evolução, dirão outros, mas o certo é que, em termos de mecânica e até apresentação, muito pouco parece ter mudado; o conceito continua a centrar-se numa pequena mascote aprisionada num ecrã LCD, a qual requer tratamento constante para chegar à idade adulta, de preferência sem ser um mimado mal-agradecido. Pelo meio ficam jogos, sessões de alimentação, e muitas, muitas sessões de limpeza de necessidades fisiológica - talvez a característica mais marcante e memorável dos Tamagotchi originais.


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O ecrã que ninguém gostava de ver...


A verdade é que, mesmo com fezes à mistura (ou talvez *por causa* das fezes) o animal virtual electrónico que a Bandai imaginou em 1996 encantou toda uma geração de crianças, muitas das quais não podiam ter animais de estimação. Mesmo as que podiam, no entanto, eram seduzidas pela lógica de ‘previsibilidade imprevisível’ do brinquedo, segundo a qual, apesar de as actividades de manutenção em si serem repetitivas e sempre iguais, nunca se sabia como é que o nosso monstrinho ia crescer, ou sequer SE ia crescer; aliado ao facto de os Tamagotchis poderem precisar de ajuda a QUALQUER altura, isto fazia com que as crian;as andassem constantemente de olhos postos no pequeno ecrã onde o animal vivia, tornando o Tamagotchi numa espécie de antecessor dos actuais ‘smartphones’.


Como é óbvio, um produto com o nível de sucesso do Tamagotchi não podia deixar de ter os seus ‘imitadores’ - neste caso, brinquedos com nomes genéricos como ‘Virtual Pet’ ou ‘Computer Pet’, que, à parte ligeiras diferenças no ‘design e gráficos’, eram em tudo idênticos ao animal virtual da Bandai, mas sem o ‘branding’ e selo de qualidade da marca, e, por isso, vendidos por um terço do preço.


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Um exemplo típico de 'Fakegotchi' 


Curioso é notar que estes ‘Fakegotchis’ tiveram, em Portugal, uma longevidade muito maior que o original, podendo ainda hoje, por vezes, ser avistados no seu ‘habitat’ natural, na secção de jogos e brinquedos de qualquer grande drogaria ou loja de eletrónica ‘de bairro’. A popularidade, essa, é que já não é a mesma, até porque o ultimo quarto de século viu surgir (ainda) mais alternativas no mundo dos brinquedos eletrónicos – entre eles jogos de animais virtuais para consolas portáteis, como o popular ‘Nintendogs’ - que fazem com que estes bichinhos LCD pareçam cada vez mais obsoletos e redundantes.


Dessa perspectiva, não deixará de ser curioso avaliar como o ‘novo’ Tamagotchi se sairá no mundo digital da actualidade. Numa era em que os telemóveis eram, ainda, raros (e caros) e os jogos portáteis relativamente primitivos, este era um brinquedo impressionante do ponto de vista conceptual e tecnológico; num mundo em que todas as semanas surgem ‘gadgets’ novos e mais avançados, no entanto, é bem possível que o animal virtual da Bandai se torne ‘só mais’ uma relíquia saudosista-revivalista. O tempo o dirá. Até lá, nós, os da geração original, teremos sempre as memórias de como foi ver, e brincar, pela primeira vez com um destes estranhos mas cativantes aparelhos. Parabéns, Tamagotchi!

Friday, 2 July 2021

Segundas de Séries: Os Dinossauros

NOTA: Este post é relativo a segunda-feira, 28 de Junho de 2021.


Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Hoje em dia, quando se fala em clones dos lendários Simpsons, a primeira série que vem à cabeça é ‘Pai de Família’. No entanto, esta não foi, nem por sombras, a primeira tentativa de emular a super-popular série de Matt Groening; pelo contrário, os anos 90 viram surgir inúmeras séries exactamente nos mesmos moldes de ‘Os Simpsons’, apenas com uma ligeira mudança. No fundo, uma situação semelhante à daqueles filmes descritos como ‘Assalto ao Arranha-Céus mas com…’, só que neste caso relativa a séries – uma situação, aliás, semelhante à que se verificava, na mesma altura, relativamente aos ‘clones’ de ‘Tartarugas Ninja’.


Um dos mais populares de entre esta vaga de ‘imitadores’ de ‘Os Simpsons’ era uma série produzida em início dos anos 90 pela Jim Henson Television, em parceria com a Disney, e cujo conceito se pode resumir como ‘Os Simpsons, mas na pré-história’. Falamos, claro, de ‘Os Dinossauros’, uma ‘sitcom’ criada através de uma mistura de fantoches estilo ‘Marretas’ e actores dentro de fatos de borracha, que também se poderia descrever como ‘Os Flintstones, mas com dinossauros’.



Estreada nos Estados Unidos em 1991 e em Portugal no ano seguinte, em versão dobrada e com transmissão nas tardes de fim-de-semana da RTP, ‘Os Dinossauros’ segue as peripécias diárias dos Sinclair, uma família de classe média composta pelo pai, Earl, a mãe, Fran, e três filhos: os adolescentes Robbie e Charlene, e a ‘estrela da companhia’, o descritivamente nomeado Bebé (inicialmente baptizado, devido a uma situação insólita, como Ai, Ai, Estou a Morrer Seu Idiota Sinclair). Ou seja, exactamente a mesma estrutura de uma outra família televisiva da mesma época, só que com pele verde em vez de amarela…


(Curiosamente, segundo os produtores, Jim Henson teria desenvolvido o conceito de ‘Os Dinossauros’ ainda antes da estreia de ‘Os Simpsons’; no entanto, o ‘timing’ da estreia, no auge da popularidade da série de Matt Groening, torna inevitáveis as comparações e acusações de ‘cópia’.)


A verdade, no entanto, é que ‘Os Dinossauros’ TINHA algumas diferenças em relação a ‘Os Simpsons’. Para começar, o agregado familiar dos Sinclair incluía também a mãe de Fran, Zilda (no original, Ethyl), uma típica ‘sogra do pior’, sempre a atormentar Earl do conforto da sua cadeira de rodas; depois, Earl trabalhava num estaleiro de desflorestação, por oposição a uma central nuclear, como ‘um outro’ careca, ou a uma pedreira, como o ‘quase-contemporâneo’ Fred Flintstone; por fim, o facto de os filhos do casal serem mais velhos do que os das outras famílias (quer os ainda bebés Pedrita e Bam-Bam, quer os estudantes primários Bart e Lisa) permitia alguma variedade nas histórias em relação às suas duas inspirações.


Também pode ser considerado que, ao mostrarem um casamento entre duas espécies diferentes de dinossauro, os produtores estavam inconscientemente a transmitir uma mensagem sobre tolerância inter-racial – embora nada disso explique o facto de TODOS os dinossauros da família (excepto Earl e o Bebé) serem de espécies diferentes, mesmo os que são filhos uns dos outros! Poder-se-ia, claro está, debater que essa incongruência é, em si mesma, uma piada – nomeadamente, uma alusão a Fran ter tido casos extra-conjugais que resultaram no nascimento de Robbie e Charlene – não fosse o facto de a própria Fran ser filha de uma espécie de dinossauro completamente diferente da sua! Ou havia muitos casos extra-maritais na pré-história, ou este era mesmo um daqueles absurdos em que ninguém pensou antes de encetar o processo de pré-produção…


À parte estas diferenças intencionais ou acidentais, no entanto, tudo o resto - das dinâmicas familiares, a algumas das situações, ao facto de Earl ter um grupo de amigos no trabalho, exactamente como Homer com Lenny e Carl, à sua relação com o chefe, Sr. Richfield, decalcada da de Fred Flintstone com o Sr. Slate - ‘tresanda’ às duas principais inspirações da série – o que ajuda, em parte, a explicar o enorme sucesso da série, tanto nos seus Estados Unidos natais como, mais tarde, em Portugal.


A outra parte desse sucesso deve-se àquela que, ainda hoje, continua a ser a parte mais memorável desta série, nomeadamente as ‘catchphrases’ dos diversos personagens. Quem se lembra de, ali por volta de 1992, gritar no recreio ‘Queridaaa, chegueeeei!’ ou ‘Não és a Mamã!’ (enquanto fingia agredir a outra pessoa com um golpe de caçarola na cabeça) certamente saberá do que estou a falar. No que toca ao público infantil, estes dichotes (e os constantes e hilariantes ataques do Bebé ao pai) eram, praticamente, razão suficiente para ver a série, porque mesmo quando os episódios eram de compreensão mais obscura ou adulta, havia sempre estes ‘bordões’ aos quais se agarrar para rir um bocado.


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Eh, eh, eh...ainda hoje tem piada...


Como resultado desta tendência, o Bebé, em particular, tornou-se um personagem extremamente popular - uma espécie de Bart Simpson de fraldas, com toda a irreverência e jeito para a frase-feita deste, mas de uma perspectiva algo mais inocente. Era, aliás, nele que se centrava o pouco ‘merchandise’ alusivo à série que chegou a Portugal, com particular destaque para o jogo de tabuleiro, precisamente intitulado 'Não És a Mamã!’, e cujo objetivo envolvia arranjar comida para o membro mais novo da família.


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Mas existem Funkos...porque CLARO que existem Funkos 


Enfim, apesar de não ter ficado no ar muito tempo (pelo menos em Portugal – nos EUA, teve várias temporadas) ‘Os Dinossauros’ conseguiu ser uma série bem memorável para a juventude da altura, e deixar a sua marca num dos períodos áureos da televisão infanto-juvenil em Portugal. Nada mau, para um clone de segunda linha dos Simpsons…

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...